Histórico
O então Imperial Observatório do Rio de Janeiro nasceu com o propósito de desenvolver o ensino e a prática de instrumentos astronômicos e geodésicos, fundamentais à navegação, à cartografia e à consolidação territorial do jovem Império. Sua criação representou o início da institucionalização da ciência no Brasil e o primeiro passo para o estabelecimento de uma infraestrutura científica permanente no país, em 1827.
Em 1889, com a Proclamação da República, o Imperial Observatório passou a denominar-se Observatório Nacional, incorporando o caráter público e republicano que guiaria sua trajetória nos séculos seguintes.
Centrado em atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formação acadêmica e prestação de serviços tecnológicos, o Observatório Nacional já esteve subordinado a diversos ministérios nacionais, como o então Ministério do Império, o Ministério da Guerra, o Ministério da Agricultura, a Diretoria de Meteorologia e Astronomia e o Ministério da Educação e Cultura. Atualmente, o ON está alocado como um Instituto Nacional de Pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a função direta de dedicar-se exclusivamente à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à prestação de serviços à sociedade nas áreas de Astronomia e Astrofísica, Geofísica e Metrologia em Tempo e Frequência, incluindo a determinação da Hora Legal Brasileira.
Desde suas origens até os dias atuais, alguns marcos cronológicos de sua jornada institucional que merecem destaque são:
- 1892–1894: o ON conduziu levantamentos geográficos e astronômicos para a definição das fronteiras brasileiras e liderou a expedição que identificou o local de construção da nova capital federal — futura Brasília.
- 1909: a instituição foi reorganizada e passou a fazer parte do Ministério da
- Agricultura, Indústria e Comércio.
- 1913: instituiu-se a Lei no 2.784/1913, que oficializou a Hora Legal Brasileira, cuja geração e disseminação seguem sob responsabilidade do ON até os dias atuais.
- 1915: liderou a implantação da Rede Magnética Brasileira, a partir da criação do Observatório Magnético de Vassouras (RJ), referência para estudos de magnetismo terrestre.
- 1919: o ON organizou e participou da expedição inglesa que atestou experimentalmente a deflexão da luz, a partir da observação do eclipse total do Sol, em Sobral/CE, tal como prevista pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein. A expedição permitiu comprovação robusta da teoria da relatividade geral.
- 1922: transferiu-se definitivamente para sua atual sede no Morro de São Januário, no bairro de São Cristóvão (RJ), em instalações modernas para a época, inauguradas no contexto do Centenário da Independência do Brasil.
- 1925: recebeu a visita de Albert Einstein, marco simbólico de seu prestígio científico.
- 1930: passou a integrar o recém-criado Ministério da Educação e Cultura (MEC), refletindo o valor educacional e formativo da instituição.
- 1957: criou-se o Observatório Magnético de Tatuoca (PA), ampliando a rede nacional de monitoramento geofísico.
- 1973: tornou-se um centro de formação acadêmica ao criar o Programa de Pós-Graduação, com duas áreas de concentração: Astronomia e Geofísica.
- 1976: foi transferido para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão de fomento à pesquisa.
- 1980: implantou o Observatório Astrofísico Brasileiro (OAB), que posteriormente, em 1985, transformou-se no Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA).
- 1982: foram separados os Programas de Pós-Graduação em Astronomia e em Geofísica, atualmente com notas 6 e 4, respectivamente, na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
- 1985: deu origem ao Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), responsável pela preservação do acervo histórico e dos instrumentos originais do ON, reconhecidos como patrimônio histórico nacional.
- 1999: passou à subordinação direta do Ministério da Ciência e Tecnologia (atual MCTI), consolidando-se no eixo estratégico da política científica e tecnológica nacional.