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RSBR-Mar: Observatório Nacional instala estações sismográficas no litoral do Espírito Santo
O Observatório Nacional (ON/MCTI) deu um passo importante para o avanço do monitoramento sísmico na costa sudeste do país com o início da instalação de uma rede sismográfica temporária na região. O objetivo dessa rede temporária é melhorar a detecção dos terremotos marinhos ao complementar a cobertura das estações permanentes da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). A ação faz parte do projeto RSBR-Mar, uma iniciativa estratégica apoiada pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) que visa expandir a RSBR para o mar.
Base Oceanográfica da UFES, onde foi instalada a Estação de Aracruz (ARA01)
Entre os dias 2 e 12 de junho, foram instaladas duas estações sismográficas no Espírito Santo. A operação foi conduzida pela equipe do ON, formada por Ronaldo Marins e Eveline Sayão, com o apoio da professora Luiza Bricalli, do Laboratório de Neotectônica e Sismológico (LANESI) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O projeto é coordenado pelo pesquisador do ON, Dr. Sergio Fontes.
Parque Estadual de Itaúnas, onde está localizada a Estação de Itaúnas (ITA01)
A primeira estação, ARA01, foi instalada na base oceanográfica da UFES, em Aracruz, com o apoio do Departamento de Oceanografia da universidade.
Equipe instala estação sismográfica em Aracruz – ARA01
Já a segunda estação, ITA01, está localizada no Parque Estadual de Itaúnas, em Conceição da Barra, e contou com o suporte do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), que viabilizou a implantação do equipamento na área de proteção ambiental.
Instalação da estação ITA01
Essas são duas de um total de seis estações sismográficas temporárias previstas para compor a rede no âmbito do projeto. Nos próximos meses, novas instalações serão realizadas em pontos estratégicos do continente e em ilhas do litoral dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Além das estações terrestres, o projeto também prevê a instalação de sismógrafos de fundo oceânico e hidrofones flutuantes, compondo um sistema de monitoramento sísmico inédito no Brasil.
Sismologia marinha: fronteira científica estratégica
O projeto RSBR-Mar representa um avanço inédito na sismologia marinha brasileira, com foco na margem sudeste do país, onde se localiza a chamada Amazônia Azul, região de grande importância geopolítica e econômica para o país. A costa sudeste concentra o maior registro de sismicidade offshore do Brasil, mas a origem e o risco que esses eventos representam, especialmente às infraestruturas offshore como dutos submarinos e plataformas de exploração, ainda são pouco conhecidos.
Sismógrafos de fundo oceânico do projeto RSBR-Mar
A rede atual de sismógrafos terrestres (onshore) possui limitações para detectar com precisão eventos sísmicos no mar de magnitude igual ou inferior a 3, o que limita o estudo da origem desses eventos e a avaliação do risco sísmico associado em áreas sensíveis, como as bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, regiões que abrigam importantes atividades petrolíferas e de exploração mineral.
Além de melhorar o entendimento sobre a atividade sísmica nessas áreas, o projeto visa:
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Realizar monitoramento sísmico contínuo na margem sudeste brasileira;
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Desenvolver modelos geodinâmicos para a região por meio de estudos da crosta e da litosfera;
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Apoiar avaliações de risco e perigo sísmico offshore;
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Fomentar a formação de novos profissionais em sismologia marinha.
Outro aspecto crucial é a prevenção de desastres ambientais. Vazamentos de óleo resultantes de danos provocados por terremotos podem causar impactos irreversíveis ao meio ambiente e à economia. Assim, o conhecimento gerado pelo projeto pode contribuir para a mitigação de riscos e para a construção de projetos offshore mais sustentáveis.
Cooperação científica internacional
Apoiado pela Finep, o projeto RSBR-Mar é fruto de uma colaboração entre diversas instituições brasileiras e internacionais. Participam da iniciativa sismólogos do Observatório Nacional, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade de Brasília (UnB) e da própria RSBR. A equipe contará ainda com o suporte de pesquisadores da Universidade do Arizona, do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) e do Lamont-Doherty Earth Observatory, nos Estados Unidos, além da Universidade de Côte d’Azur, na França.
Com essa rede, o Brasil avança no monitoramento da sua plataforma continental, amplia a capacidade de resposta a eventos geológicos e fortalece sua soberania sobre o território marítimo, onde estão concentrados alguns dos seus principais ativos naturais.