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MERCADO DE CARBONO
Brasil lidera coalizão que acelera metas climáticas nacionais de 250 países em reunião na Dinamarca
O Brasil participou, nas últimas quinta e sexta-feira (21 e 22/5), em Copenhague, na Dinamarca, de reunião de governança da NDC Partnership, parceria global criada há 10 ano, para apoiar países na elaboração e implementação de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas — as NDCs, metas climáticas nacionais assumidas no âmbito do Acordo de Paris.
A participação brasileira ocorre em um momento central para a agenda climática global. Após a atualização das NDCs por diferentes países, o desafio passa a ser transformar metas em políticas públicas, investimentos, capacidades institucionais e instrumentos concretos de implementação. As NDCs reúnem metas e medidas para reduzir emissões, fortalecer a adaptação e orientar a transição para economias mais resilientes e de baixo carbono. Nesse contexto, a NDC Partnership atua como uma plataforma de coordenação entre governos, organismos internacionais, bancos de desenvolvimento e instituições parceiras, conectando demandas dos países a apoio técnico, financeiro e institucional.
A secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, e a CEO da COP 30, Ana Toni, representaram o Brasil no encontro. O Brasil exerce a copresidência da NDC Partnership ao lado da Austrália, representando os países em desenvolvimento em uma coalizão que reúne mais de 250 países e instituições voltados a acelerar a ação climática liderada pelos próprios países.
“O debate climático entrou em uma nova etapa. O desafio agora é implementar. Isso significa transformar as NDCs em planos, projetos, investimentos e políticas públicas capazes de reduzir emissões, fortalecer a resiliência e gerar desenvolvimento. O Brasil tem defendido que essa implementação precisa considerar as realidades dos países em desenvolvimento e fortalecer a cooperação internacional”, afirma Cristina Reis.
A presença do Ministério da Fazenda na agenda reflete a estratégia brasileira de tratar a mudança do clima também como uma agenda econômica, financeira e produtiva. No Brasil, essa visão vem sendo estruturada no âmbito do Plano de Transformação Ecológica, coordenado pelo Ministério da Fazenda, que reúne instrumentos para impulsionar uma nova economia de baixo carbono, com inovação, geração de empregos, atração de investimentos e redução das desigualdades.
“A transformação ecológica mostra que clima e economia não são agendas separadas. A implementação das NDCs exige instrumentos financeiros, capacidade regulatória, coordenação entre ministérios e diálogo com o setor produtivo. Acreditamos que essa é uma grande oportunidade de desenvolvimento É essa ponte entre política climática e política econômica que o Brasil tem buscado construir”, destaca a secretária.
A participação em Copenhague também evidencia a coordenação entre o Ministério da Fazenda, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a presidência da COP30. Essa articulação tem sido uma das marcas da atuação brasileira, ao conectar ambição climática, financiamento, desenvolvimento produtivo e implementação concreta das metas nacionais.
Entre as iniciativas brasileiras que traduzem essa agenda em instrumentos concretos está a recente aprovação da lei que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o mercado regulado de carbono do Brasil. O novo marco legal cria as bases para um sistema nacional de precificação de carbono, com regras de monitoramento, relato e verificação de emissões e incentivos à redução de emissões nos setores mais intensivos em carbono.
“O mercado regulado de carbono é uma das ferramentas que o Brasil está construindo para transformar metas climáticas em incentivos econômicos concretos. Ele cria previsibilidade, estimula investimentos de baixo carbono e fortalece a capacidade do país de cumprir sua NDC com integridade ambiental e segurança jurídica”, afirma Cristina Reis.
Com a participação na reunião da NDC Partnership em Copenhague, o Brasil reforça sua posição como liderança internacional na agenda de implementação climática, defendendo que as NDCs sejam tratadas não apenas como compromissos diplomáticos, mas como instrumentos de planejamento econômico, mobilização de investimentos e transformação produtiva.
![21 a 22/05/2026 - [SEMC] Reunião de governança da NDC](https://live.staticflickr.com/65535/55293733312_dbeb76fccb_c.jpg)