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Sessão especial de O Agente Secreto celebra trajetória internacional do cinema brasileiro
Foto: Filipe Araújo/MinC
Sob a luz da tela grande e em clima de celebração ao cinema brasileiro, o Ministério da Cultura promoveu, nesta terça-feira (20), uma sessão especial do filme O Agente Secreto. A exibição para convidados reuniu autoridades, representantes do Governo do Brasil e integrantes da equipe do longa-metragem no Cine Brasília (DF).
Pré-selecionado para disputar o Oscar 2026, O Agente Secreto vem consolidando uma trajetória histórica, acumulando mais de 56 prêmios ao redor do mundo. Dirigido pelo cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, o longa conquistou o Globo de Ouro 2025 nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, prêmio concedido a Wagner Moura. Foi a primeira vez, em 27 anos, que o Brasil venceu essa categoria, repetindo o feito de Central do Brasil, e também a primeira vez que o país conquistou dois prêmios em uma mesma edição da premiação.
O longa foi o escolhido pelo Brasil para disputar uma vaga no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional, vencida ano passado por Ainda Estou Aqui.
Durante a sessão especial, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância da obra para a projeção internacional do audiovisual brasileiro e para o fortalecimento da cultura como vetor estratégico de desenvolvimento, ressaltando o papel das políticas públicas e das parcerias institucionais na retomada e no amadurecimento do setor.
“O Brasil é um país que tem um audiovisual potente, uma indústria cinematográfica amadurecida e que hoje vive uma janela de oportunidades imensa. O Ministério da Cultura segue comprometido em apoiar, produzir e patrocinar obras do nosso cinema, fortalecendo toda a cadeia cultural brasileira e ampliando a presença do Brasil nas telas do mundo”, afirmou.
Para a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, o sucesso do filme evidencia a importância da continuidade das políticas públicas estruturantes para a consolidação de um ambiente favorável à produção, à circulação e ao reconhecimento do cinema brasileiro no cenário global.
“Quando o filme brasileiro entra em cartaz, o Brasil entra em cartaz. E hoje o Brasil está em cartaz no mundo inteiro porque existe política pública para o audiovisual. O Agente Secreto fala de memória, de democracia e da necessidade de estarmos sempre vigilantes na defesa da nossa história”, afirmou a secretária.
O ator Robério Diógenes, que interpreta o delegado Euclides na produção, ressaltou a dimensão simbólica do filme e sua conexão com a memória histórica recente do país, destacando a obra como expressão de um novo momento do cinema brasileiro e da retomada das políticas culturais.
“O Agente Secreto representa esse novo momento do cinema brasileiro, de retomada depois de um período de aniquilamento da cultura e do próprio Ministério da Cultura. É um filme que simboliza uma safra inteira de produções potentes e que também representa o Nordeste, mostrando a força do cinema feito em Pernambuco, na Bahia, no Ceará e em todo o Brasil”, destacou o ator.
O gerente de lançamento da Vitrine Produções, Bernardo Lessa, enfatizou o alcance da obra no circuito exibidor e a importância da distribuição para ampliar o diálogo do filme com diferentes públicos no Brasil e no exterior, reforçando o papel das políticas públicas no fortalecimento do audiovisual.
“Esse é um filme sobre memória e sobre o Brasil. Nada do que conquistamos até aqui, desde Cannes até os prêmios internacionais, seria possível sem um Ministério da Cultura forte e políticas públicas estruturantes. O Agente Secreto mostra que o cinema brasileiro é potente não só na produção, mas também na distribuição”, afirmou.
A realização de O Agente Secreto também contou com o patrocínio da Petrobras, parceira histórica da cultura nacional. Representando a empresa, o diretor executivo de Governança e Conformidade, Ricardo Wagner de Araújo, destacou o compromisso institucional com o audiovisual brasileiro e o impacto das parcerias para a projeção internacional da cultura nacional.
“Celebramos 30 anos de parceria com o audiovisual nacional, com mais de 600 filmes produzidos ao longo desse período. Patrocinar o cinema brasileiro é investir na diversidade, na criatividade e na inovação. O Agente Secreto é mais um exemplo da força do nosso cinema, que vem conquistando plateias no Brasil e no exterior”, ressaltou.
Também estiveram na sessão as ministras Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Márcia Lopes (Mulheres), além de representantes do Legislativo e dirigentes do MinC.
Números
A produção de O Agente Secreto contou com investimento de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual para sua realização e mais R$ 750 mil destinados à etapa de comercialização. O FSA é o principal mecanismo de fomento à indústria cinematográfica e audiovisual no Brasil, financiando desde o desenvolvimento de roteiros e a produção de filmes e séries até a distribuição, a comercialização e a modernização de salas de cinema, fortalecendo toda a cadeia produtiva do setor.
Além do reconhecimento internacional, o longa também alcançou resultados expressivos no mercado exibidor brasileiro. Dados da Agência Nacional do Cinema indicam que o filme ultrapassou a marca de 1,2 milhão de espectadores e mais de R$ 28 milhões em renda entre a 52ª semana cinematográfica de 2025 e a 2ª semana de 2026. O feito é inédito para uma produção realizada fora do eixo Sul-Sudeste, reafirmando a diversidade e a força do cinema produzido nos territórios brasileiros.
Em 2025, o cinema nacional contabilizou a exibição de 367 filmes nas salas do país, com público total de 11,12 milhões de espectadores e renda de R$ 214,99 milhões. O market share do cinema brasileiro fechou o ano em 9,9%, evidenciando a retomada do setor e o impacto direto das políticas públicas voltadas ao audiovisual.
Sobre o filme
Ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar, O Agente Secreto acompanha Marcelo, personagem interpretado por Wagner Moura, um especialista em tecnologia que retorna de São Paulo ao Recife tentando escapar de um passado misterioso. Durante a semana de Carnaval, o que deveria ser um refúgio transforma-se em um cenário de tensão, vigilância e paranoia. Gravado em Recife, o filme é uma coprodução entre Brasil, França, Holanda e Alemanha, com distribuição nacional da Vitrine Filmes.
