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Ciências da Saúde: Zelinda Leão recebe título de Pesquisadora Emérita do CNPq por pesquisas sobre conservação de corais
A pesquisadora Zelinda Leão é contemplada com o título de pesquisador emérito do CNPq - Foto: Ascom/Fapesb
“Jovens, não desistam, a ciência é o futuro do nosso planeta”, afirma Zelinda Margarida de Andrade Nery Leão, professora do curso de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Leão desenvolveu trabalhos pioneiros que serviram de base para a criação de unidades de conservação em áreas recifais, zonas geográficas que constituem sua principal área de interesse, e é uma das contempladas deste ano com o título de Pesquisadora Emérita, concedido de forma anual pelo CNPq aos pesquisadores que se destacam pelo conjunto de sua obra científico-tecnológica e por seu renome junto à comunidade científica. A cerimônia de entrega do título será em maio no Rio de Janeiro.
A ciência é o futuro do nosso planeta
Segundo Leão, ser contemplada com o título do CNPq foi uma emoção muito grande. “O prêmio de Pesquisador Emérito do CNPq representa o ápice da carreira de pesquisador. Percorri uma longa estrada, iniciei como bolsista de pós-graduação, recebi vários auxílios para pesquisa, os quais contribuíram fortemente para minha carreira científica”, diz a pesquisadora. Para ela, ademais do conhecimento científico adquirido durante as suas pesquisas sobre o oceano, uma das maiores contribuições que recebeu foi o aprendizado com seus alunos.
Graduada em História Natural, pela UFBA, Leão fez especialização em Micropaleontologia, na universidade francesa Sorbonne, seguida de mestrado em Geologia pela UFBA e doutorado em Geofísica e Geologia Marinha, na University of Miami, nos Estados Unidos. Em 2001, foi homenageada com a nomeação de espécie endêmica de peixe-papagaio que vive em águas brasileiras. O animal recebeu o nome de Scarus zelindae. A espécie é relevante para os ecossistemas de recifes de coral porque possui o papel de se alimentar de algas que crescem sobre os pólipos de coral que, se não forem comidos, podem sufocar e causar a morte do coral.
Com especial interesse nos processos naturais atuantes nas áreas recifais e nos problemas ambientais causados pela ação da atividade antropogênica, causada pela ação humana, Leão já foi coordenadora do Programa Ecológico de Longa Duração (Peld), sítio 29 – recifes de Coral da Bahia, entre 2009 e 2014, e, de 2011 a 2017, também coordenou o grupo de trabalho relativo a recifes e ecossistemas coralinos, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Ambientes Marinhos Tropicais.
Devido ao trabalho, a pesquisadora participou do Comitê de Ciências do Mar, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e representou o Brasil no Núcleo de Estudos dos Recifes de Coral da América do Sul Tropical, do Global Coral Reef Monitoring Network (GCRMN), braço operacional do International Coral Reef Initiative (ICRI), parceria internacional de nações e organizações que tem o objetivo de fornecer as melhores informações científicas sobre a conservação e o manejo de ecossistemas de corais. Além disso, foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudo dos Recifes de Corais (Corallus), entre 2003 e 2006, e representante brasileira na Associação Latinoameriana de Investigadores em Ciências do Mar (Alicmar), em 2003.
Em 2011, a Sociedade Brasileira de Paleontologia concedeu a Leão reconhecimento público pelos seus serviços na área. No mesmo ano, ela recebeu do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), ligado à Marinha do Brasil, tributo pela contribuição na geração de conhecimento e formação de recursos humanos na área dos recifes de corais. Em 2022, a pesquisadora foi homenageada pelo Programa de Geologia e Geofísica Marinha (PGGM), também da Marinha do Brasil. Dois anos depois, em 2024, recebeu o Prêmio Marta Vannucci para Mulheres na Ciência do Oceano - Cientista Inspiração Sênior, organizado pela Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, da Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A premiação visa salientar e inspirar a participação feminina na ciência do oceano no Brasil.