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Ciências Humanas e Sociais: Marilene da Silva Freitas recebe título de Pesquisadora Emérita por pesquisas sociais na Amazônia
A professora Marilene Freitas pesquisa a Amazônia há mais de 40 anos. - Foto: Divulgação/UFAM
“O prêmio representa muita coisa: representa recompensa pela escolha de vida e de foco, pelo qual tenho me empenhado em compreender e explicar criticamente a Amazônia e suas relações com o Brasil; representa um incentivo aos novos pesquisadores e trabalhadores da ciência na Região Norte e nas universidades da Amazônia, especialmente na UFAM onde trabalhei durante 43 anos no ensino de graduação e na pesquisa, no Departamento de Ciências Sociais”, comenta Marilene Corrêa da Silva Freitas, professora titular aposentada da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Ela é uma dos pesquisadoras contempladas este ano com o título de Pesquisador(a) Emérito(a), concedido de forma anual pelo CNPq aos pesquisadores que se destacam pelo conjunto de sua obra científico-tecnológica e por seu renome junto à comunidade científica. Mesmo depois do pedido de aposentadoria, Freitas ainda trabalha em programas de pós-graduação, coordenando o Laboratório de Estudos Interdisciplinares das Ciências Sociais na Amazônia, do Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia, da UFAM, orientando alunos do mestrado em Sociologia da mesma universidade e do mestrado em Agricultura no Trópico Úmido, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
Para ela, o melhor conselho aos novos pesquisadores é o de aprofundar nos estudos de graduação e pós-graduação. “O acesso à universidade pública ainda é um privilégio que rompemos ainda com muito esforço individual e investimento institucional. No entanto, os jovens hoje têm incentivos federais e estaduais que permitem a dedicação exclusiva aos estudos e ao processo de escolha de carreiras científicas; é só ver o processo de internalização no país de políticas de formação de mestres, doutores, pós-doutores, o fomento das agências de apoio, CAPES, CNPQ e FAPs, desde a iniciação científica”, observa, ressaltando que essas oportunidades foram resultado de esforço da sociedade, de organizações de professores e pesquisadores, sociedades científicas e de trabalhadores da ciência. “Há ainda programas que buscam a equidade de acesso à formação científica no Brasil, como os dirigidos para a inclusão regional, econômica, social e étnica. Aliás, essa inclusão mudou o perfil da ciência e dos cientistas brasileiros. Por isso estamos aqui”, completa. A professora receberá o título de Pesquisador Emérito do CNPq em maio próximo, em cerimônia a ser realizada no Rio de Janeiro.
Há ainda programas que buscam a equidade de acesso à formação científica no Brasil, como os dirigidos para a inclusão regional, econômica, social e étnica. Aliás, essa inclusão mudou o perfil da ciência e dos cientistas brasileiros. Por isso estamos aqui.
Graduada em Serviço Social pela UFAM, com mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), respectivamente, Freitas fez pós-doutorado nos anos 2000 na Université de Caen e na Université Gustave Eiffel Paris-Est, ambas na França. A pesquisadora também ocupou uma série de cargos administrativos e consultivos. Entre 2003 e 2007, foi Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas. A partir de 2007, até 2010, foi Reitora da UFAM. De 2009 a 2011, foi membro do Conselho Nacional do Fundo Nacional de Meio Ambiente, órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima . Também foi presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, entre 2016 e 2018.
A professora também é membro de notório saber do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e membro do Conselho Superior da Fundação Oswaldo Cruz. Ademais, participa do Conselho Editorial do Jornal Ciência Hoje, publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade em que até o ano passado era membro eleito do Conselho para a Região Norte.
Em 2011, Freitas foi eleita Personalidade Amazônica, pela Fundação Panamazônica. Entre as honrarias com que foi agraciada se encontram a Medalha do Conhecimento, Categoria gestor pesquisador, concedida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a Medalha do Mérito Legislativo, contemplada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. A pesquisadora recebeu ambas as comendas em 2007. No ano anterior, foi a personalidade homenageada do Prêmio Samuel Benchimol, que reconhece projetos e iniciativas inovadoras em prol do desenvolvimento sustentável da Amazônia e que é oferecido de forma anual, com organização do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federações das Indústrias da Amazônia Legal, Banco da Amazônia e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).