Notícias
Ciências da Saúde: Aldina Barral recebe título de Pesquisadora Emérita do CNPq por pesquisas na área de parasitologia
Em 2022, Aldina Barral (esquerda) recebeu o Women in Science Award. - Foto: Academia de Ciências da Bahia
“O título de Pesquisadora Emérita do CNPq é a mais alta distinção da agência nacional de ciência e chega num momento em que o Brasil reconstrói o seu sistema de CT&I depois de anos de desinvestimento. Isso lhe dá um significado que vai além da trajetória individual. O título é concedido pelo conjunto da obra científico-tecnológica e pelo renome junto à comunidade científica, mas, na prática, representa o trabalho coletivo de gerações de alunos, colaboradores e colegas da Fiocruz e da UFBA”, diz a médica Aldina Maria Prado Barral, uma das cientistas contempladas este ano com a honraria concedida pelo CNPq. Pesquisadora titular do Laboratório de Imunoparasitologia da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), na Bahia, Barral desenvolve pesquisas na área de parasitologia, com ênfase em protozoologia parasitária humana, em especial a relativa a leishmaniose, leishmania e imunologia aplicada. Desde o início, ela pautou a carreira com foco em estudos sobre parasitologia. Após a graduação em Medicina e a residência médica, ambas realizadas na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Barral fez duas especializações, concluiu o doutorado em Patologia Humana e o pós-doutorado, todos nos Estados Unidos.
Ao refletir sobre sua trajetória acadêmica, a pesquisadora aponta os reflexos da carreira sobre outras áreas da vida e afirma que a escolha de seu objeto de pesquisa contribuiu para que ela trabalhasse em problemas verdadeiros. “A ciência me ensinou a conviver produtivamente com a incerteza — uma hipótese refutada não é fracasso, é resultado. Essa disciplina se transfere para todas as decisões da vida. E a pesquisa sobre leishmaniose me manteve permanentemente conectada à realidade: não é uma doença abstrata, é uma doença de comunidades rurais do Nordeste e da Amazônia. Isso dá propósito e impede que a ciência se torne um exercício de vaidade acadêmica”, salienta. Para Barral, além dos ensinamentos ganhos, a ciência também deu a ela o prazer de acompanhar a formação de pessoas, jovens pesquisadores construindo a própria carreira científica. “É uma satisfação que nenhuma publicação substitui”, comenta.
Para a pesquisadora, o principal conselho que se poderia dar a um jovem que deseja seguir carreira científica se resume a uma frase. “Escolha um problema que importe, não apenas um que seja publicável”, diz. De acordo com Barral, a pressão por métricas é real, mas uma carreira longa exige motivação própria. “Busque mentores que lhe desafiem, não apenas os que lhe aplaudam. E aprenda desde cedo a defender a ciência publicamente: num país que ainda convive com negacionismo e subfinanciamento crônico da pesquisa, o silêncio do cientista tem custo social”, acrescenta.
Num país que ainda convive com negacionismo e subfinanciamento crônico da pesquisa, o silêncio do cientista tem custo social
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia de Ciências da Bahia, Barral recebeu em 2008 o Prêmio Cláudia, na categoria Ciências. A premiação, promovida pela revista Cláudia, da Editora Abril, e patrocinado pela Dove, reconhece o trabalho transformador de mulheres brasileiras. Em 2010, Barral recebeu o Prêmio Scopus Brasil, concedido pela Editora Elsevier, com apoio da CAPES, um reconhecimento dado a pesquisadoras brasileiras de diferentes áreas do conhecimento pela sua contribuição à ciência. As vencedoras do prêmio foram selecionadas de acordo com sua produção científica, traduzida pelo número de artigos publicados e indexados na base SciVerse Scopus, pelo número de citações feitas por outros pesquisadores, número de orientandos, de acordo com o Currículo Lattes, e índice H, que analisa o impacto de cientistas com base nos respectivos artigos mais citados. O Prêmio Scopus também é promovido em outros países latino-americanos.
Barral recebeu também o Women in Science Award 2022, promovido pela Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), por suas contribuições significativas para a pesquisa em imunologia, em especial no estudo da leishmaniose. Concedido a cada dois anos, o prêmio celebra as realizações e compartilha histórias de mulheres cientistas. A pesquisadora atenta para a importância do prêmio. “Mostra que a comunidade latino-americana de imunologia reconhece contribuições feitas a partir do Nordeste brasileiro, sobre doenças que afetam populações vulneráveis da região”, afirma. À época em que foi agraciada, Barral já havia sido presidente da SBI no biênio 2008-2009.
Ainda em 2022, a pesquisadora foi incluída no ranking dos 100 mil cientistas mais influentes do mundo, elaborado pelo Journal Plos Biology. Em 2023, Barral recebeu homenagem pela trajetória de vida na 5ª Edição do Prêmio Gonçalo Muniz de Pós-Graduação – Jornada Científica, realizado pela FIOCRUZ Bahia.