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Ciências Agrárias: Margarida Aguiar-Perecin recebe título de Pesquisadora Emérita do CNPq por estudos na área de Citogenética e Citogenômica Vegetal
Margarida Rodrigues de Aguiar-Perecin é conhecida pelo desenvolvimento de estudos sobre a estrutura e a evolução dos cromossomos do milho. - Foto: Margarida de Aguiar-Perecin
“A carreira científica é uma missão. Eu diria ao jovem cientista que siga a sua vocação, que se atualize sempre e inove. Busque parceiros para colaboração em assuntos que não pode resolver em seu laboratório”, diz a pesquisadora Margarida Lopes Rodrigues de Aguiar-Perecin, contemplada este ano com o título de Pesquisadora Emérita do CNPq. Seu trabalho, conhecido pelo desenvolvimento de estudos da estrutura dos cromossomos como contribuição ao melhoramento de plantas de valor agronômico, em particular a do milho, já foi homenageado anos atrás, com prêmio com seu nome, instituído para contemplar painéis apresentados no primeiro Encontro Paulista de Citogenética, promovido em 2010 pela Sociedade Brasileira de Genética. Entre 2008 e 2010, a pesquisadora teve sua biografia publicada por três anos consecutivos no Who’s Who in the World, da Marquis Who’s Who, editora norte-americana que publica uma série de pequenas biografias de personalidades influentes em suas respectivas áreas.
A carreira científica é uma missão. Eu diria ao jovem cientista que siga a sua vocação, que se atualize sempre e inove. Busque parceiros para colaboração em assuntos que não pode resolver em seu laboratório
Para Aguiar-Perecin, além dos títulos e conhecimentos, uma das maiores satisfações da carreira científica foi o convívio com colegas na universidade e em reuniões científicas. “Além disso, o convívio no laboratório com jovens estudantes e o fato de a maioria dos meus orientados na Pós -Graduação e Pós -Doutorado se tornarem líderes de seus grupos de pesquisa em universidade e instituições de pesquisa foi muito gratificante”, acrescenta. Ela afirma que a concessão do título de Pesquisador Emérito foi um prêmio inesperado, que representa um reconhecimento a sua carreira, em especial no tocante aos estudos sobre Citogenética e Citogenômica Vegetal. Ela receberá o título em maio, em cerimônia a ser realizada no Rio de Janeiro.
A pesquisadora explica que o milho, planta em que teve especial interesse, tem sido um modelo para pesquisas em Citogenética e Genética desde o início do século XX. “Desenvolvemos linhagens tropicais de milho para estudo de estruturas específicas dos cromossomos e para culturas de tecidos com capacidade de clonar plantas férteis, o que representa uma contribuição para a Biotecnologia”, explica.
Graduada em História Natural, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (FFCL-USP), fez doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP/ESALQ). Ela iniciou a carreira na área de Citogenética de Aves e depois passou a desenvolver pesquisas em Citogenética Vegetal, trabalhando com espécies vegetais, estudando seu melhoramento e evolução. Além do milho e da passiflora, a pesquisadora trabalhou também com diversas espécies de plantas cultivadas.
No início dos anos 1970, Aguiar-Perecin fez pós-doutorado na Universidade de Oxford, na área de Ciências Biológicas, e, na década de 1980, realizou estágios técnicos e visitas na Universidade de Nottingham, no Plant Breeding Institute, no Royal Botanic Gardens, no Rothamsted Experimental Station, todas instituições do Reino Unido, além de Gent, na Bélgica. Ela se aposentou como professora titular da USP/ESALQ em 2008, instituição em que continua atuando, agora como professora sênior.