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CNPq é homenageado por seus 75 anos em sessão solene na Câmara
Sessão solene 75 anos do CNPq na Câmara dos Deputados - Foto: Marcelo Gondim/CNPq
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foi homenageado nessa segunda-feira (23) com a realização de uma Sessão Solene na Câmara dos Deputados para comemorar os 75 anos do Conselho.
Durante a sessão solene, o presidente do CNPq, Olival Freire Jr, explicou a relação entre a criação do CNPq e a participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial. “A nação brasileira aprendeu com a experiência da guerra a relevância da ciência e tecnologia para a soberania das nações”, disse. “Nós aprendemos a importância do radar, a importância dos antibióticos, que passaram a ser utilizados amplamente durante a guerra, e presenciamos a explosão das primeiras bombas atômicas”.
Freire afirmou que a força do CNPq é fruto de uma combinação de uma rede de pesquisadores que foram apoiados pelo conselho. “Essa força não seria possível sem dois fatores, o primeiro é que o CNPq conta com um corpo de assessores de altíssima qualidade, que são os cientistas brasileiros que trabalham de forma voluntária para avaliação dos projetos que são submetidos ao CNPq, e um segundo fator é a qualidade de nosso corpo técnico e de servidores.”
A mesa contou com a participação da presidente da Capes, Denise Pires Carvalho; do presidente da Associação Nacional dos Pos-Graduandos (ANPG), Rogean Santos Vinicius Soares; da representante da Academia Brasileira de Ciências, Mercedes Bustamante; do diretor do Centro de Projetos de Sistemas Navais (CPSN), contra-almirante Yuri Barwick Lannes de Carvalho; e dos deputados federais Ricardo Galvão, Erika Kokay e Rodrigo Rollemberg, que propôs a sessão solene e presidiu a mesa. Na plateia estavam presentes ex-presidentes do CNPq, diretores atuais do conselho e da Capes, diretores e presidentes de instituições científica, cientistas, militares e parlamentares.

- O presidente do CNPq, Olival Freire Jr, fala durante sessão solene da Câmara dos Deputados - Marcelo Gondim/CNPq
A presidente da Capes parabenizou todos aqueles que trabalham no CNPq e destacou o Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), que, segundo ela, faz com que os estudantes já na graduação encontrem uma forma de gerar conhecimento e afaste o negacionismo científico; e a Plataforma Lattes, que é uma referência para o Brasil.
“O Pibic faz o Brasil ser uma referência, o Curriculo Lattes faz o Brasil ser uma referência e todos os editais estruturantes, como, por exemplo, atualmente os Institutos Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, o atual programa Mai/Dai, que associa pós-graduação à inovação. Tudo isso significa desenvolvimento, tudo isso significa ação do nosso CNPq. Parabém ao Brasil, parabéns aos visionários que criaram há 75 anos essa importante agência de fomento que significa a ciência nacional e o desenvolvimento da Nação”.
O presidente da Associação Nacional dos Pos-Graduandos. Rogean Santos Vinicius Soares, disse que foi bolsista do CNPq e destacou como isso foi importante para sua trajetória. “Como milhares de jovens brasileiros tive na bolsa de pesquisa não apenas um apoio financeiro, mas a possibilidade concreta de existir enquanto cientista, de permanecer na universidade e de me dedicar à pesquisa, de transformar minha curiosidade em conhecimento e o conhecimento em compromisso com o Brasil”.
A representante da Academia Brasileira de

- A representante da Academia Brasileira de Ciências, Mercedes Bustamante, discursa durante sessão solene da Câmara dos Deputados - Marcelo Gondim/CNPq
Ciências, Mercedes Bustamante, destacou a parceria da academia com o CNPq. “Muitos se referem ao CNPq como esta coluna vertebral, porque a coluna vertebral é aquilo que sustenta o nosso corpo e, sem o CNPq, a ciência brasileira simplesmente não existiria no patamar de excelência que hoje a coloca entre as melhores do mundo”. Ela destacou que três atuações do CNPq são extremamente importantes para sua contribuição para o Brasil: a formação de recursos humanos, o fomento à pesquisa de excelência e a capilaridade e o desenvolvimento regional.
O diretor do Centro de Projetos de Sistemas Navais (CPSN), contra-almirante Yuri Barwick Lannes de Carvalho, disse que a Marinha reconhece o CNPq como uma instituição de Estado indispensável à consolidação das capacidades nacionais. “Desde sua criação em 1951, o CNPq exerce papel central na organização da ciência brasileira ao promover a formação de pesquisadores, viabilizar o financiamento à pesquisa, e impulsionar o desenvolvimento de universidades, institutos e centros de pesquisa. Essa trajetória remete de forma incontornável ao patrono da ciência, tecnologia e inovação da Marinha, almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, não apenas por ter sido o primeiro presidente do conselho, mas por figurar entre seus principais idealizadores”.
Parlamentares
O deputado Ricardo Galvão, ex-presidente do CNPq, destacou que sem a ação da Marinha não haveria o conselho e disse que uma separação entre ciência e Forças Armadas nunca deveria existir pelos exemplos anteriores. Ele afirmou que o CNPq é um orgulho para a população brasileira.
“Dos três pilares para a ciência brasileira, dois deles estão aqui à mesa, o CNPq e a Capes. O terceiro é a Finep, Financiadora de Estudos e Projetos. Muitas vezes as pessoas não reconhecem, mas a visão dessas pessoas, Almirante Álvaro Alberto, Brigadeiro Montenegro, é que permitiu construir um sistema nacional de ciência e tecnologia extremamente sólido e permanente. Claro que tivemos oscilações ao longo dos anos, mas oscilações nunca impediram o progresso da ciência nacional.”

- O deputado federal Ricardo Galvão fala durante sessão solene da Câmara dos Deputados - Marcelo Gondim/CNPq
O deputado Rodrigo Rollemberg afirmou que um país só será soberano, seu povo só terá uma qualidade de vida que merece se houver um investimento permanente e regular na ciência, na tecnologia e na inovação. “Esse é o momento de arregimentarmos forças para valorizar a ciência, a tecnologia e a inovação em tudo que ela tem de estratégico e indispensável para o Brasil.”
A deputada Erika Kokay disse que “nesse dia de hoje é como se nós estivéssemos nos abraçando com um Brasil teimoso. CNPq é teimoso, teimoso porque não desiste da construção de um desenvolvimento científico, tecnológico, que é absolutamente fundamental para a construção das redes, ou das teias para que possamos fazer com que essa ciência ande em todas as dobras desse país.”