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75 anos do CNPq: conselho está presente em todas as fases da vida do pesquisador
A bolsista Manuelle Pereira, do Instituto Federal do Amapá, discursa na cerimônia de 75 do CNPq, em Brasília. - Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
A solenidade de celebração dos 75 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no dia 23 de março no Teatro Nacional em Brasília, mostrou como o conselho está presente em todas as fases da vida de um pesquisador - tanto daqueles que estão no início da carreira, quanto os que já tem décadas dedicadas à ciência brasileira. Durante o evento, cinco pesquisadores em diferentes fases da carreira, escolhidos pelo CNPq para representar a comunidade científica brasileira, compartilharam experiências de vida e trajetórias profissionais. Gratidão, exaltação da importância de políticas públicas de apoio à ciência e pedidos de mais investimentos para atividades científicas pontuaram os cinco depoimentos.
>>> Veja fotos do evento:
Álbum 1 - Luara Baggi e Rodrigo Cabral / MCTI
Álbum 2 - Marcelo Gondim / CNPq
A recém-graduada em Engenharia Florestal pelo Instituto Federal do Amapá (IFAP) Manuelle da Costa Pereira e agraciada na última edição do Prêmio Jovem Cientista, disse que foi uma grande honra estar na celebração dos 75 anos do CNPq, uma instituição que transformou vidas e também transformou a sua.
"Durante as expedições no Vale do Jari, convivendo com extrativistas da castanha da Amazônia, nós percebemos uma realidade que muitas vezes é invisível. Pessoas que passam dias ou até meses floresta sem acesso à energia elétrica, dependendo de geradores caros, poluentes e pouco eficientes. A partir disso surgiu o Kit Solar Castanheiro, uma tecnologia social pensada para ser portátil com reaproveitamento de resíduos, resistente e adaptado à realidade da floresta", explicou.
Manuelle acrescentou que receber o Prêmio Jovem Cientista com este projeto foi algo muito significativo. "Eu comecei a fazer pesquisa ainda no primeiro semestre da graduação, muitas vezes sem imaginar até onde isso poderia me levar; E hoje eu entendo que a ciência não está distante. Ela é uma ferramenta de transformação social, especialmente quando nasce dos territórios. E, nesse cenário, o papel do CNPq é fundamental".
Doutora em educação e ex-bolsista ex-bolsista do Programa RHAE – Formação de Recursos Humanos do CNPq, Alana Vasconcelos é uma das sócias da ADA Metaverse, uma deeptech, startup focada em criar soluções inovadoras para problemas complexos da sociedade e da indústria. A cientista explica que o apoio dos programas RHAE e Centelha foram fundamentais para aproximar o desenvolvimento tecnológico desenvolvido pelo corpo de cientistas da ADA e colocar essas tecnologias no mercado, colocando em prática o triplé academia, empresa e governo.
Alana conta que sua empresa captou mais de R$ 556 mil em bolsas do CNPq, recursos contribuíram na formação de 15 estudantes de iniciação científica, 5 alunos de mestrado, 2 doutores e 1 pós doutor, todos fundamentais para desenvolver as tecnologias da startup. "O apoio do CNPq gera emprego e renda local, já que, dos 25 colaboradores da ADA, 75% são bolsistas do CNPq", afirmou.

- O matemático Cristhiano Duarte, repatriado pelo programa Conhecimento Brasil, do CNPq. (Foto: Rodrigo Cabral -ASCOM/MCTI)
Para Duarte, a recepção de auxílios durante seu caminho acadêmico contribuíram para que ele aprofundasse seus conhecimentos na área escolhida. “É uma honra celebrar os 75 anos do CNPq, instituição pela qual nutro um orgulho imenso e que sempre fez parte da minha trajetória. Fui bolsista de iniciação científica no começo dos anos 2000. Mais tarde, programas como o Ciência Sem Fronteiras me permitiram colaborar com pesquisadores de ponta e, mais importante, trazer talentos internacionais para o Brasil. Essa troca de conhecimento colocou nosso grupo de pesquisa na UFMG na vanguarda mundial da física quântica. Foi nesse caldo de cultura que descobri minha vocação: entender o que separa o ‘clássico’ do ‘quântico’ e como se dá a transição entre um e outro”, disse.
“Termino dizendo que estou aqui para retribuir ao meu país tudo o que ele me deu. Estou onde estou por causa do investimento público: das cotas, da expansão universitária, do apoio contínuo das nossas agências de fomento, da consolidação do Instituto Internacional de Física em Natal”, disse Duarte, lembrando da instituição em que também fez pós-doutorado, com bolsa do CNPq.

- doutora Gisele Peres, bolsista da Chamada Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento - Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
A pesquisadora explicou que um dos marcadores que ela e sua equipe estão estudando é o TEC72, uma bioproteína presente em cânceres como melanoma, pâncreas e cólon e que emite uma espécie de assinatura química. "Hoje, um dos maiores desafios dessa pesquisa é fazer com que esse biosensor reconheça o TEC72 com precisão. Se bem sucedido, o biosensor pode ser rápido, acessível, não invasivo e capaz de identificar o câncer em estágios iniciais. Mas nós ainda estamos em fase de desenvolvimento", disse. "Agora precisamos avançar. E eu tenho certeza que isso é unânime para todos nós pesquisadores e pesquisadoras aqui presentes. Para que a gente possa avançar, precisamos de mais investimentos em ciência, infraestrutura e insumos e na formação dos nossos jovens e nem tão jovens pesquisadores".
O epidemiologista Cesar Victora, professor da Universidade Federal de Pelotas e bolsista de produtividade do CNPq há 50 anos, representou na cerimônia os pesquisadores seniores de todo o país apoiados pelo Conselho. Vencedor do Prêmio Almirante Álvaro Alberto - maior honraria científica brasileira, promovida pelo CNPq - , Victora foi o responsável por pesquisas que comprovaram que a amamentação exclusiva é a forma mais adequada de alimentar bebês até os 6 meses de idade. "Eu fui apoiado pelo CNPq na iniciação e no doutorado, e inúmeros alunos de mestrado e doutorado que eu orientei receberam bolsa do CNPq. Meus colegas de pesquisa do Centro de Pesquisa Epidemiológica de Pelotas também receberam", disse.
Victora explicou que, enquanto médico, sempre trabalhou em favelas. "Chocava muito as diferenças sociais e étnico-raciais na saúde das crianças, que era a área em que eu trabalhava. Eu fui para Pelotas em 1977 e não tinha laboratório, e eu resolvi transformar a cidade de Pelotas no meu laboratório", disse, explicando que o estudo sobre amamentação demonstrou a importância da amamentação nos primeiros mil dias na vida de uma criança. Outra importante contribuição de Victora foi descobrir que os gráficos de crescimento eram baseados em crianças que recebiam leite em pó em não leite materno - o que resultou no gráfico de crescimento infantil adotado pela Organização Mundial de Saúde atualmente.

