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75 anos do CNPq: autoridades destacam papel ativo do Conselho na consolidação e expansão da ciência brasileira
O presidente do CNPq, Olival Freire Jr., discursa na cerimônia de 75 anos do ´órgão, no Teatro Nacional, em Brasília. - Foto: Marcelo Gondim / CNPq
Em uma noite de muita emoção e celebração por e para pessoas que são ou foram importantes para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) celebrou seus 75 anos de fundação, com uma solenidade realizada na segunda-feira, 23 de março, no Teatro Nacional, em Brasília.
No evento - que evidenciou as principais ações do CNPq, entremeado por depoimentos de cinco cientistas bolsistas do Conselho, da iniciação à produtividade científica - , a ministra Luciana Santos anunciou cinco novas ações que o CNPq lançará este ano: redes estaduais de popularização da ciência; uma nova edição do Chamada Atlânticas; chamadas estaduais do programa Profix, em que serão oferecidas 1 mil bolsas para doutores; a edição 2026 da Chamada Universal e a Chamada Lélia Gonzales para pesquisas sobre desigualdades étnico-raciais.
>>> Veja fotos do evento:
Álbum 1 - Luara Baggi e Rodrigo Cabral / MCTI
Álbum 2 - Marcelo Gondim / CNPq

- A ministra de Ciência e Tecnologia Luciana Santos durante o evento de 75 anos do CNPq - Marcelo Gondim / CNPq
Além da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, esteve presente a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Também marcaram presença instituições historicamente parceiras do CNPq, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Marinha. O evento contou ainda com a participação de 9 ex-presidentes do órgão; mais de 30 dirigentes de unidades vinduladas ao MCTI e outros ministérios; mais de 30 reitores e reitoras de universidades federais e estaduais; mais de 200 cientistas bolsistas do CNPq; além de representantes de governos estaduais, fundações de amparo e associações científicas, bem como cerca de 200 servidores e colaboradores do órgão.
O presidente do CNPq, Olival Freire Jr, lembrou da criação do CNPq e que, alguns anos antes, soldados brasileiros lutaram na Segunda Guerra contra o nazifascismo. "Na experiência da guerra, a nação brasileira aprendeu sobre o papel da ciência na soberania, presenciou a invenção do radar, o uso generalizado dos antibióticos e viu a explosão das primeiras bombas atômicas. Muitos brasileiros perceberam que a riqueza brasileira em áreas monazíticas tinha relação com essa nova fonte de energia. É dessa experiência que amadureceu a ideia de que soberania e desenvolvimento requerem ciência e tecnologia. O CNPq foi criado nesse contexto. Tipos de projeto de desenvolvimento nacional", explicou.
Freire Jr apontou que existe um traço do CNPq em toda ciência produzida no Brasil desde então. "Nós vamos encontrar marcas do legado do Almirante Alvaro Alberto [que liderou a criação do CNPq] na exploração de petróleo em águas profundas, no uso dos recursos biológicos na agricultura, na formação da engenharia que permitiu a criação da indústria aeronáutica, no domínio do enriquecimento do urânio, nas campanhas de vacinação e no estudo das iniquidades étnico-raciais e de gênero. Por isso estamos aqui hoje para comemorar os 75 anos", disse.
O presidente concluiu dizendo que o CNPq quer contribuir para o desenvolvimento e a soberania, "mas isso só fortalece o povo brasileiro se for feito em ambiente de liberdade e com o fortalecimento de suas instituições democráticas".
O CNPq, criado em 1951, foi o principal ator na construção, consolidação e gestão do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O conselho é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e sua atuação se dá, principalmente, por meio do apoio financeiro a projetos científicos. Atualmente, são cerca de 100 mil bolsistas em diversas modalidades em todo o país.
Em 2025 o CNPq concedeu 98 mil bolsas, 25% a mais do que em 2022, sendo mais da metade ocupada por mulheres. Nos últimos três anos, o CNPq investiu R$ 7,9 bilhões, 42% a mais do que nos últimos quatro ano.
Ministras
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que a fundação do CNPq marcou o início do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia e que, em todas as vezes que o Brasil teve um projeto nacional ou os conceitos que vai dar em uma visão de nação está presente, obviamente, a ciência, a tecnologia e a inovação.
"Eu acho que, mais do que nunca, nós somos a exigência do tempo que a gente vive e isso retoma ainda mais com força. Por isso, há necessidade de a gente fazer essa avaliação, para afirmação do quanto é necessário falar do óbvio, de falar das evidências científicas, de falar da soberania, de falar do projeto de nação, porque isso tem a ver com vida, isso tem a ver com incursão, isso tem a ver com a gente fazer uma agenda que, para os brasileiros e brasileiras, caminhos são possíveis exatamente através do conhecimento", disse a ministra Luciana Santos.
Para a ministra, celebrar os 75 anos do CNPq é celebrar um caminho. "A escolha do Brasil foi decidir apoiar a sua inteligência, transformar talento e esforço individual em política pública, e fazer do conhecimento um pilar do desenvolvimento nacional." Luciana Santos ressaltou que "não há progresso consistente sem investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Foi o CNPq que ajudou a levar a ciência a todos os cantos do país."
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, exaltou a importância das políticas afirmativas, que, nos últimos três anos, têm tido uma atenção especial em editais do CNPq, tanto no aspecto de raça, quanto de gênero e também na diversidade regional. "É por isso que a gente luta todos os dias para que esse país seja um lugar que deixe de ser um projeto, mas que, de fato, seja um lugar de oportunidades", disse a ministra, acrescentando que não basta você chegar em cargo público, "você precisa de fato ter vontade política e força de vontade para fazer e mudar."
O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, disse que é uma honra para a Marinha tomar parte da comemoração dos 75 anos do CNPq, um vetor de conhecimento, inovação e progresso. "Desenvolvimento vincula-se rigorosamente ao esforço intelectual e diligência ininterrupta daqueles que se consagram à ciência. Ademais, o trabalho silencioso e incansável de pesquisadores consolida-se em instrumentos de poder e se converte em benefícios tangíveis à nação. Nesse contexto, insere-se o CNPq, protagonista no progresso científico e tecnológico ao sustentar pesquisa de excelência e robustecer, de forma consistente, a capacidade de gerar conhecimento", afirmou.
Entidades cientificas
A presidente da Capes, Denise Carvalho, falou do papel do CNPq, e também da Capes, para o Brasil deixar de ser um país que segue um modelo de colônia de exploração. "E só há uma possibilidade de deixarmos esse modelo e é através da ciência, da tecnologia, da inovação. E ciência, tecnologia e inovação se fazem também através da pós-graduação e por isso que esses visionários criaram uma campanha para a formação de mestres e doutores para que pudéssemos ter a comunidade científica que temos hoje e as instituições de educação superior de altíssima qualidade que temos hoje são instituições nas quais se ensina, se faz pesquisa e também se atua no sentido de responder às demandas da sociedade, através das atividades de extensão".
A presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, definiu que o CNPq não é apenas uma agência de fomento, é uma instituição que ajudou a mudar o país atual. "E nesse ponto é importante dizer com clareza, não há sistema de ciência forte sem financiamento estável, previsível e compatível com a ambição e desenvolvimento desta nação."
Nader também destacou o fato de que não há projeto de nação sem ciência. "Essa convicção que atravessa a sua história, sustentando ao longo de décadas a construção de uma base científica sólida, diversa e estrategicamente orientada para o desenvolvimento do país", disse. Ela destacou ainda o programa de bolsas produtividade. "Essas bolsas representam muito mais do que um apoio financeiro. Elas constituem um reconhecimento do mérito científico, da liderança acadêmica e da contribuição consumada dos pesquisadores ao avanço de conhecimento. Elas ajudam a garantir continuidade das linhas de pesquisa, fortalecem grupos consolidados e estimulam a excelência. Mais do que isso, elas desempenham um papel essencial na formação de novas gerações, ao permitir que pesquisadores experientes continuem orientando estudantes aos científicos e multiplicando capacidades".
Parlamentares
O deputado federal e ex-presidente do CNPq (2023-25) Ricardo Galvão falou em nome dos ex-presidentes da instituição, explicando que participa de um movimento de cientistas politicamente engajados. "É um movimento que coloca que é importantíssimo que os cientistas, em todas as matizes políticas, em todos os partidos, se possível, devem se engajar na política de uma forma assertiva. Porque eu posso ver, inclusive, na minha experiência de quatro meses na Câmara Federal, quão necessária é a ciência para que nós tenhamos políticas públicas fundamentadas no progresso científico, fundamentadas nos dados."
O deputado federal Rodrigo Rollemberg, que participou do evento representando o Congresso Nacional, lembrou do papel do CNPq para a concessão de bolsas para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e destacou a importância do conselho. "O CNPq, que no passado foi fundamental e, no presente, forma recursos humanos para Petrobras, para Embraer, para Embrapa, empresas que nos honram com desenvolvimento de vacinas, de medicamentos mais diversos. É o CNPq que será fundamental para o Brasil fazer o enfrentamento às mudanças climáticas, para a construção de uma agricultura regenerativa, para impulsionar uma indústria com extremos nas fronteiras do conhecimento, enfim, para tornar o Brasil um país soberano. Porque, sem ciência, sem tecnologia e sem inovação, nós jamais teremos um país soberano como todos os brasileiros merecem".



