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INCT SinBiAm lança Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal
Besouro-rola-bosta-africano (Digitonthophagus gazella) é uma das espécies presentes no livro. - Foto: José Vinícius Alexandre de Medeiros / Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal
O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sínteses da Biodiversidade Amazônica (INCT SinBiAm) lançou, no dia 18 de maio, o livro "Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal", que reúne informações sobre origem, formas de introdução, ambientes de ocorrência, impactos e características que ajudam na identificação dessas espécies. A publicação resultou de um processo colaborativo, com consultas públicas a especialistas e pesquisadores de diferentes instituições e foi construída a partir de informações científicas já disponíveis, incluindo a lista publicada pelo bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e professor do Departamento de Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Lavras (UFLA),Rafael Dudeque Zenni e colaboradores, em 2024. O trabalho resultou na compilação de uma lista com 141 espécies, sendo 82 animais e 59 plantas, que está disponível para download gratuito no site do INCT SinBiam.
Espécies exóticas invasoras, conhecidas pela sigla EEI, são organismos introduzidos fora de sua área natural de ocorrência por ação humana, de forma intencional ou acidental. Ao se estabelecerem e proliferarem, essas espécies geram graves impactos ambientais, econômicos, sociais e de saúde pública. Na Amazônia, o tema é crítico e requer atenção, pois a introdução e a expansão dessas espécies podem afetar a biodiversidade nativa, alterar ecossistemas, dificultar ações de restauração e criar novos desafios para a gestão ambiental. A intenção dos organizadores do guia é, por meio da publicação, apoiar gestores de unidades de conservação, parques, órgãos ambientais, tomadores de decisão, professores, estudantes, pesquisadores e a sociedade em geral.

- O Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal reúne informações relevantes para a identificação dessas espécies.
Para Igor Yuri Fernandes, doutor em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e um dos organizadores do guia, o processo de consulta constituiu etapa central para tornar a obra mais representativa. “A construção do guia envolveu a organização de informações científicas e a escuta de especialistas e não especialistas que trabalham com diferentes grupos biológicos e regiões da Amazônia Legal. As consultas públicas ajudaram a revisar registros, validar informações e ampliar a colaboração entre pessoas e instituições que já atuam nesse tema”, afirma. Na mesma direção, o professor Leandro Juen, que também é coordenador do INCT SinBiAm, ressalta a importância de cooperação entre redes científicas, gestores e instituições amazônicas. “Problemas complexos na Amazônia exigem esforços integrados. A construção deste guia mostra que a união de redes de pesquisa, órgãos de gestão e especialistas pode gerar conhecimento aplicado, apoiar a tomada de decisão e contribuir para a conservação e a restauração dos ecossistemas amazônicos”, afirma.
O bolsista do programa Conhecimento Brasil do CNPq Filipe Machado França, também organizador do guia, salienta que o papel das redes de pesquisa é fundamental para transformar dados levantados por pesquisadores em produtos úteis à sociedade. “A realização de pesquisas por meio de redes colaborativas permite integrar informações e diferentes formas de saber, bem como aproximar especialistas e tomadores de decisão na produção de evidências que podem informar gestores, estudantes, professores e comunidades locais. Esse tipo de produto amplia o alcance da ciência e fortalece a capacidade de resposta aos desafios atuais”, observa.
No caso do apoio a ações de gestão pública, o guia pode contribuir para a identificação de espécies, o planejamento de ações de prevenção, o monitoramento em campo e a elaboração de estratégias para reduzir os impactos sobre ambientes naturais e áreas em restauração. Segundo Nívia Glaucia Pinto Pereira, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO-UFPA) e gestora na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, o guia pode fortalecer a resposta institucional a um problema que já afeta diferentes áreas da Amazônia. “As espécies exóticas invasoras representam um desafio para a gestão ambiental, especialmente em uma região extensa e diversa como a Amazônia Legal. Um material de consulta com linguagem acessível e base científica pode apoiar a identificação dessas espécies e orientar ações de prevenção, controle e mitigação”, destaca ela, que também ajudou a organizar o guia.
A obra também pode ser utilizada em atividades de ensino, pesquisa e extensão. De acordo com a bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e professora do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA Thaisa Sala Michelan, a prevenção é uma das principais estratégias para o enfrentamento do problema criado pela introdução de espécies exóticas invasoras, que pode gerar impactos difíceis de serem revertidos. “Por isso, ferramentas como este guia são importantes para ampliar o conhecimento público, apoiar a educação ambiental e subsidiar políticas que reduzam novas introduções e favoreçam respostas mais rápidas”, salienta. O formato didático e a linguagem simples da obra, com fotografias, ilustrações, mapas de ocorrência e dicas de identificação, facilita o uso em escolas, universidades, comunidades tradicionais, cursos de formação, atividades de educação ambiental e ações de divulgação científica.