Zoonoses
As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e pessoas. A transmissão pode acontecer pelo contato com animais infectados, como por mordidas, arranhões, saliva, urina ou outros fluidos do corpo. Também pode ocorrer por meio de insetos, alimentos contaminados ou ambientes onde o agente causador da doença esteja presente. Atualmente, existem mais de 200 zoonoses conhecidas no mundo. Essas doenças causam milhões de casos todos os anos e representam um importante desafio para a saúde pública.
Muitas doenças infecciosas que afetam os seres humanos têm origem em animais. Além disso, grande parte das novas doenças identificadas nos últimos anos também surgiu a partir de reservatórios animais. Algumas zoonoses afetam principalmente populações em situação de maior vulnerabilidade social. Esses casos são mais frequentes em locais com dificuldades de acesso ao saneamento básico, moradia adequada e serviços de saúde.
Mudanças no meio ambiente e no clima também podem favorecer o aumento dessas doenças, especialmente as transmitidas por insetos, como mosquitos. Isso pode provocar surtos e epidemias em diferentes regiões. Por isso, as zoonoses não são apenas um problema de saúde pública. Elas também estão relacionadas às condições sociais, ambientais e à qualidade de vida da população.
Formas de transmissão
As formas de transmissão variam conforme a doença, mas as mais comuns incluem:
- Contato direto com animais, por meio de mordidas, arranhões, saliva, sangue, urina ou fezes.
- Picada de vetores, como carrapatos, mosquitos, pulgas e flebotomíneos
- Água e alimentos contaminados, especialmente após enchentes ou em locais com saneamento inadequado.
- Ambientes contaminados, como solo, lama ou objetos que tiveram contato com animais infectados.
- Por acidentes com materiais biológicos (ex: acidente com a vacina da brucelose)
Cada zoonose possui características próprias, mas muitas podem ser prevenidas com medidas simples de higiene, vacinação e vigilância adequada.
Mudanças climáticas e zoonoses
As mudanças climáticas influenciam diretamente a ocorrência e a distribuição das zoonoses. O aumento da temperatura, as chuvas intensas, as enchentes e os períodos de seca podem favorecer a proliferação de vetores e alterar o comportamento de animais silvestres.
Entre os principais impactos das mudanças climáticas estão:
- O aumento da população de mosquitos, carrapatos e outros vetores.
- Chuvas fortes e enchentes aumentam o risco de leptospirose e outras doenças ligadas à água contaminada.
- Secas prolongadas podem levar animais silvestres a se aproximarem das áreas urbanas em busca de água e alimento.
- Alterações ambientais fazem com que vetores passem a circular em regiões onde antes não eram comuns.
Por isso, a vigilância em saúde precisa ser contínua e adaptada às mudanças ambientais e climáticas.
Principais zoonoses
Diversas zoonoses são acompanhadas pelos serviços de vigilância em saúde e de maior relevância para a saúde pública no Brasil, entre elas:
Cada uma dessas doenças apresenta formas específicas de transmissão, prevenção e controle.
Vigilância, prevenção e controle das zoonoses
A vigilância das zoonoses envolve um conjunto de ações contínuas realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de proteger a saúde da população.
As principais ações incluem:
- Monitoramento de casos em humanos e animais;
- Investigação de fontes de infecção e locais prováveis de infecção;
- Ações de prevenção, como vacinação animal contra a raiva e uso de coleiras impregnadas com inseticida para prevenção da leishmaniose visceral;
- Monitoramento de vetores e animais reservatórios e amplificadores de doenças;
- Coleta de amostras biológicas e análises laboratoriais;
- Educação em saúde;
- Ações de controle durante surtos ou emergências.
Notificação de zoonoses
Algumas zoonoses e doenças causadas por animais precisam ser notificadas aos serviços de saúde. Essa notificação ajuda a vigilância em saúde a agir rapidamente para prevenir novos casos e proteger a população.
Entre as doenças e agravos de notificação obrigatória em todo o país estão:
- Acidentes com animais peçonhentos
- Doença de Chagas
- Esporotricose humana
- Febre amarela
- Febre maculosa
- Hantavirose
Leishmaniose tegumentar
- Leishmaniose visceral
- Leptospirose
- Peste
- Raiva humana
- Toxoplasmose gestacional e congênita
Notificação: realização e importância
A notificação deve ser feita por:
- profissionais de saúde;
- serviços de saúde públicos e privados;
- laboratórios;
- unidades de vigilância.
A notificação permite que os serviços de saúde:
- investiguem os casos;
- orientem a população;
- realizem ações de prevenção e controle;
- evitem a transmissão da doença para outras pessoas.
Unidades de Vigilância de Zoonoses
As Unidades de Vigilância de Zoonoses (UVZs) fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e atuam na prevenção e no controle de zoonoses que podem trazer riscos à saúde pública.
Entre as principais atividades das UVZs estão:
- monitorar animais e insetos transmissores de doenças;
- investigar casos suspeitos de zoonoses;
- coletar e encaminhar amostras para diagnóstico;
- realizar vacinação animal prevista nas normas de saúde, especialmente contra a raiva;
- promover ações de educação em saúde para prevenção das doenças.
As UVZs também podem recolher e manejar animais que representem risco à saúde pública. Em situações específicas e com indicação técnica, podem realizar ações de controle populacional para reduzir a transmissão de doenças.
O que não é função das UVZs?
As UVZs não realizam:
- atendimento veterinário de rotina;
- castração;
- microchipagem;
- recolhimento indiscriminado de animais;
- fiscalização de maus-tratos aos animais.
As ações das UVZs são voltadas à vigilância em saúde e acontecem de forma integrada com outros serviços do SUS e setores parceiros, seguindo a abordagem de Uma Só Saúde.