É importante destacar que a detecção da infecção pelo HTLV só foi possível a partir de 1983, quando surgiram os testes sorológicos para a avaliação da disseminação viral. No Brasil, esses testes foram introduzidos a partir de 1993, sendo obrigatórios em todos os bancos de sangue. A triagem para esse agente infeccioso também é realizada durante os processos de fertilização in vitro em nosso país.
Transmissão
- Transmissão vertical (de mãe infectada para o filho) durante a amamentação e, mais raramente, durante a gestação.
- Relação sexual desprotegida (sem uso de preservativo) com parceiro infectado.
- Compartilhamento de seringas e agulhas.
Sinapse virológica
Sinais e Sintomas
HTLV-1
O HTLV-1 está associado à oncogênese e a doenças inflamatórias crônicas, tais como a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL) e a mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM). Outras manifestações, como dermatite infecciosa, uveíte, síndrome sicca, ceratite intersticial, síndrome de Sjögren, tireoidite de Hashimoto, miosite e artrite, embora de menor gravidade, também estão associadas à infecção pelo HTLV-1.
ATLL
A leucemia/linfoma de células T do adulto – ATLL é uma neoplasia de células T refratária e mais agressiva na sua forma aguda, atingindo cerca de 3% a 5% das pessoas infectadas por HTLV-1. As manifestações clínicas podem ser variadas, mas frequentemente incluem polilinfonodomegalia, hepatoesplenomegalia, envolvimento cutâneo, hipercalcemia, presença de células leucêmicas no sangue periférico e infecções oportunistas. Do ponto de vista laboratorial, destacam-se a ocorrência de hipercalcemia e de células leucêmicas no sangue periférico.
HAM
Outra manifestação que acomete por volta de 5% dos indivíduos infectados por HTLV-1 é a mielopatia associada ao HTLV-1 – HAM, uma doença neuroinflamatória crônica provocada por desmielinização progressiva da medula espinal. A HAM é clinicamente caracterizada por paraparesia espástica, incontinência urinária e distúrbios sensitivos, que dificultam a realização das atividades diárias do indivíduo. Além disso, anormalidades sensitivas e de marcha, disfunção vesical isolada, disfunção erétil e síndrome sicca foram relatadas em indivíduos infectados por HTLV-1. Manifestações urinárias são muito comuns em pessoas infectadas sem HAM; em algumas delas, esses sintomas precedem o diagnóstico de HAM em anos, o que sugere uma manifestação oligossintomática dessa mielopatia.
Diagnóstico
O diagnóstico da infecção baseia-se na detecção de anticorpos específicos por meio de testes imunoenzimáticos (EIA), quimioluminescência e aglutinação de micropartículas de látex sensibilizadas, voltadas aos constituintes antigênicos das regiões do core e do envelope viral.
Uma vez positivo o teste de triagem (ELISA ou quimioluminescência), é necessária a confirmação, que poderá ser realizada pelo teste de Western-blot (WB), INNOLIA e/ou reação em cadeia da polimerase (PCR), ou ainda imunofluorescência indireta.
O Western-blot e a PCR além de confirmatórios, permitem distinguir entre a infecção pelo HTLV-1 e HTLV-2.
Tratamento
O tratamento é direcionado de acordo com a doença relacionada ao HTLV. A pessoa deverá ser acompanhada nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) e, quando necessário, receber seguimento em serviços especializados para diagnóstico e tratamento precoce de doenças associadas ao HTLV.
Embora não haja um tratamento curativo para as manifestações neurológicas do HTLV-1 (HAM), recomenda-se que todo indivíduo acometido seja assistido por equipe multidisciplinar que inclua profissionais médicos (neurologista, infectologista, urologista, dermatologista, oftalmologista), fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e psicólogos. Por outro lado, nos casos que apresentam ATLL, o tratamento tem por objetivo alcançar resposta completa ou parcial; porém, ainda não existe consenso entre as opções de primeira linha de tratamento.
Prevenção
Recomenda-se o uso de preservativo externo (masculino) e interno (feminino), disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde, em todas as relações sexuais e não compartilhar seringas, agulhas ou outros objetos perfurocortantes. Da mesma forma, a amamentação está contraindicada (orienta-se o uso de inibidores de lactação e de fórmulas lácteas infantis disponíveis pelo SUS).
