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Observatório Nacional reforça compromisso com igualdade de gênero no ‘Dia das Mulheres’
Oficializado em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional das Mulheres é um momento global de reflexão, mobilização e reivindicação por igualdade de gênero. A data também celebra os avanços conquistados ao longo das décadas e reconhece a coragem e a determinação de mulheres pioneiras em diferentes áreas. Em 2026, o tema proposto pela ONU é “Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas”.
Segundo a ONU, o Dia Internacional das Mulheres de 2026 ocorre em um contexto de crescente pressão sobre os sistemas de justiça em várias partes do mundo. Conflitos, repressão, tensões políticas e o feminicídio vêm enfraquecendo o Estado de Direito e impactando diretamente a garantia de direitos. Hoje, mulheres e meninas possuem, em média, apenas 64% dos direitos legais assegurados aos homens, o que evidencia a persistência de desigualdades estruturais.
Em áreas fundamentais da vida, como trabalho, renda, segurança, família, propriedade, mobilidade, negócios e aposentadoria, as mulheres ainda estão em posição de desvantagem. Conforme destacado pela ONU, muitas mulheres continuam sendo desacreditadas, revitimizadas ou impedidas de acessar apoio jurídico devido aos custos envolvidos, o que reforça a urgência de ações concretas.
Embora avanços importantes tenham sido conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, ainda há desafios significativos para a plena igualdade de gênero. Persistem disparidades salariais, acesso desigual à educação e oportunidades limitadas de progressão profissional e, no campo da ciência, esse cenário não é diferente.
Diante desse contexto, o Dia Internacional das Mulheres reforça a necessidade de compromisso coletivo para promover mudanças estruturais. Entre as medidas essenciais estão o fortalecimento de políticas de igualdade salarial, a ampliação de programas de apoio a mães que trabalham e desenvolvem pesquisa científica, o investimento contínuo em educação e capacitação de mulheres e meninas e a construção de ambientes cada vez mais seguros, inclusivos e equitativos.
“No Observatório Nacional, temos orgulho de contar com mulheres talentosas e comprometidas, cuja atuação é essencial para a excelência de nossas pesquisas, projetos e iniciativas. Que este dia seja de celebração da força e da resiliência das mulheres e, ao mesmo tempo, de renovação do compromisso coletivo com uma sociedade mais justa e igualitária”, destaca o diretor do ON, Dr. Jailson Souza de Alcaniz.
Como parte dessas ações, em fevereiro o ON lançou o edital “Meninas Cientistas do ON”, seu primeiro programa de iniciação científica voltado exclusivamente para estudantes do ensino médio que se identificam com o gênero feminino. A iniciativa busca despertar vocações científicas e tecnológicas, incentivar novos talentos e proporcionar às participantes contato direto com métodos e práticas de pesquisa, estimulando o pensamento científico, a criatividade e a inovação.
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Neste Dia Internacional das Mulheres, reunimos vozes que vivem, todos os dias, o desafio e a potência de ocupar espaços dentro e fora da ciência. São histórias de coragem, inspiração e, principalmente, que olham e buscam diariamente construir um futuro melhor e mais inclusivo para as novas gerações:
Dra. Simone Daflon dos Santos (Gestora da COAST): "Sempre sonhei em fazer pesquisa em astronomia e sou muito feliz por ter conseguido seguir a carreira que escolhi. Desejo que todas as pessoas tenham a oportunidade de trabalhar com aquilo que amam. Por isso, considero fundamental que pesquisadores e pesquisadoras mostrem aos jovens que a carreira científica é interessante e viável. Em especial, é importante que as meninas conheçam a ciência como uma possibilidade, para que possam escolher com liberdade e para que possamos construir um ambiente de pesquisa e de trabalho mais diverso e representativo da população brasileira."

- Dra. Simone Daflon
Giovanna Mussuly Mendes Maciel (Secretária Executiva Bilíngue/COADM): "Para mim, ser mulher está além das aparências e das expectativas que a sociedade nos impõe. Acredito que em qualquer local de trabalho, nós, mulheres, estamos mais expostas à diversos tipos de violência, às vezes é um assédio transvestido de elogio, ser subestimada, ser malquista por se impor... enfim, mulheres ocupando espaços sempre foi visto como desafio à sociedade e espero que continuemos ocupando todos os espaços possíveis, o céu é o limite."
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Dra. Daniela Lazzaro (Pesquisadora da COAST): "A possibilidade de ajudar a nova geração de pesquisadoras(es) a ser melhor do que a minha me emociona e me move todo dia. E para mim uma geração melhor é uma geração mais igualitária em termos de gênero e raça. Para tanto precisamos incentivar as meninas a seguir carreira nas áreas de ciências exatas, mostrar que elas podem, se assim o quiserem."

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Tatiane Aristides Barbosa (Secretária Executiva DISHO): "Ser uma mulher negra no meu campo de atuação é um ato diário de coragem, amor-próprio e resistência. É reconhecer minha história, minha força e meu valor em cada espaço que ocupo. Neste Dia da Mulher, deixo uma mensagem a todas nós: confiem na sua voz, abracem sua trajetória e nunca duvidem da potência que existe dentro de vocês. Somos feitas de luta, sabedoria e esperança. Nosso lugar é onde escolhemos estar — ocupando, transformando, liderando e inspirando futuras gerações."
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Dra. Lilianne Mariko Izuti Nakazono (Tecnologista/COAST): "Eu fui uma criança que se divertia com desafios de revistinha de banca de jornal. Hoje tento resolver desafios que não possuem solução descrita nas últimas páginas da revista e fiz disso minha profissão. Pensar é ato libertador. Poder pensar é um privilégio. Que mais meninas e mulheres possam pensar sobre tudo aquilo que elas quiserem!"

- Dra. Lilianne Mariko
Rosângela dos Santos Oliveira da Silva COADM (Pool secretárias): "Ser secretária hoje é muito mais que somente organizar agendas. Significa ser o elo de comunicação nas empresas. Valorize sua profissão e não acredite que sua função é apenas um suporte, pois seu campo de atuação é essencial para o bom funcionamento estratégico das empresas."

- Rosângela dos Santos
MSc. Fernanda Araujo de Oliveira (doutoranda do ON/COAST): "O que mais me motiva é poder contribuir para o avanço do entendimento do Universo. É importante que mais meninas atuem na Ciência porque durante séculos nos foi dito que as Ciências Exatas não eram para nós e, até hoje, somos minoria nos cursos universitários, nas pós-graduações e nos corpos docentes. Uma mulher cientista é também uma inspiração para as meninas, mostrando à elas que esse espaço também é nosso."

- MSc. Fernanda Araujo
Lorena Amaro (Jornalista do ON): "Ser mulher na comunicação e na divulgação científica do Observatório Nacional significa transformar conhecimento em ponte e aproximar a ciência das pessoas com sensibilidade e responsabilidade. É também ocupar e fortalecer espaços onde a voz feminina ainda precisa ser mais ouvida. Para outras mulheres, deixo a mensagem: seu olhar importa, sua voz tem potência e a ciência e a comunicação precisam de você."

- Lorena Amaro
MSc. Madalena Nair Costa Maia (doutoranda do ON): "A minha motivação para ser cientista nasce da curiosidade pelo cosmo e da possibilidade de agregar, nem que seja um pouco, no conhecimento da humanidade sobre o nosso Universo. Sobre a segunda pergunta, pessoas como a Dra. Sonia Guimarães abriram caminhos para que cientistas como eu pudessem estar em um ambiente mais igualitário e saudável. Com certeza ainda há um bom caminho para percorrer, no entanto, a entrada e permanência de mulheres e meninas na ciência, permite a criação de comunidades que tornam a jornada mais sustentável, como também, torna possível uma organização mais ativa da luta pela diversidade e inclusão."

- MSc. Madalena Nair
Dra. Marília Carlos (Pesquisadora COAST): "A ciência é fascinante, e tentar entender como o universo funciona (porque as estrelas brilham, de onde surgiram os planetas, entre tantas outras questões) é a fonte de motivação para o meu trabalho como pesquisadora. Mas, acima de tudo, acho importante como mulher ocupar espaços de trabalho que são predominantemente masculinos. A diversidade no ambiente acadêmico não só beneficia a ciência em si (cabeças pensantes de diferentes realidades acrescentam pontos de vistas diversos), como também serve como exemplo de que "se eu como mulher consegui ocupar esse espaço" outras mulheres e meninas, futuras cientistas, também conseguirão. Quanto mais meninas e mulheres ocuparem esse espaço, mais plural a ciência se tornará."

- Dra. Marília Carlos
Francielle Maria Antonio Silva (mestranda da COAST): "Desde os meus 11 anos eu sonhava em ser astrônoma e, mesmo encontrando poucas referências femininas, nunca me desmotivei. Na graduação em Astronomia, conviver com várias astrônomas trouxe um forte sentimento de acolhimento e pertencimento. No mestrado, porém, o número de mulheres diminuiu significativamente, o que deu um novo significado à minha trajetória. Ser mulher e astrônoma passou a representar não apenas a realização de um sonho, mas também a importância de continuar ocupando esse espaço. Isso é fundamental para que mais meninas encontrem referências e acreditem que esse caminho também é possível."

- Francielle Maria
Dra. Silvia Lorena Bejarano Bermudez (tecnologista/Geofísica): "O que mais me motiva na minha atuação científica é transformar pesquisa em ferramentas que aprimorem a estimativa e a compreensão das reservas de petróleo, integrando ciência e tecnologia com aplicações práticas no setor energético. A ciência se fortalece quando é feita com propósito, diversidade e abertura a diferentes formas de pensar. Nesse contexto, a presença das mulheres é fundamental, pois amplia perspectivas, enriquece o debate e torna a produção científica mais sensível às complexidades do mundo em que vivemos. Incentivá-las a seguir caminhos científicos significa ampliar oportunidades individuais e, ao mesmo tempo, transformar o futuro da própria ciência. Tornando assim a ciência mais diversa, mais inovadora e mais humana, capaz de promover desenvolvimento sustentável e justiça social."

- Silvia
MSc. Mariana Lopes da Silva Dias (Doutoranda COAST): "O que mais me motiva na minha atuação científica é a curiosidade em compreender o Universo e a possibilidade de transformar esse conhecimento em algo acessível, comunicando conteúdos complexos de forma simples. Fazer ciência também é compartilhar saberes com a comunidade, por isso, acho fundamental que mais meninas e mulheres ocupem o meio acadêmico, criando referências e mostrando às mais novas que a ciência é um espaço possível e diverso."

- MSc. Mariana Lopes
Dra. Rebeca Maria Batalha de Melo (Pesquisadora): "O que mais me motiva na ciência é seu impacto social a médio e longo prazo. A ciência não é apenas sobre resolver problemas imediatos, mas sobre construir, com método e técnica, caminhos sólidos para transformações duradouras e quebras de paradigmas. Mesmo na astronomia, frequentemente questionada por parecer distante da realidade, vemos como a ciência básica impulsiona tecnologias como GPS e Wi-Fi. É esse potencial de transformar vidas, em pequena e grande escala, que me move. É essencial que mais meninas ocupem esse espaço, porque a diversidade amplia perguntas, fortalece soluções e rompe estereótipos — especialmente quando consideramos também raça, classe e orientação sexual — e porque a representatividade não beneficia apenas quem se vê refletida, mas contribui diretamente para o desenvolvimento de uma ciência mais plural, crítica e inovadora."

- Dra. Rebeca Maria Batalha de Melo