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Observatório Nacional celebra 199 anos rumo ao bicentenário com conquistas científicas, novos servidores e avanços na infraestrutura digital
O Observatório Nacional (ON/MCTI) celebra neste 15 de outubro seus 199 anos de atividades ininterruptas dedicadas ao avanço da ciência no Brasil. Criado em 1827, apenas cinco anos após a independência do país, o ON consolidou-se como uma das mais antigas e respeitadas instituições científicas nacionais, com uma trajetória marcada por inovação, formação de recursos humanos e produção de conhecimento de excelência.
Ao completar 199 anos, a unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deu início oficialmente à contagem regressiva para o seu bicentenário em 2027. O marco coincide com ótimos resultados institucionais, incluindo o conceito “Excelente” obtido na avaliação do Termo de Contrato de Gestão (TCG) e uma produção científica de elevado impacto nas áreas de Astronomia, Geofísica e Metrologia em Tempo e Frequência.
"Chegar aos 199 anos com esses resultados é motivo de muito orgulho para todos nós, pois representa o reconhecimento de um trabalho coletivo realizado com grande dedicação por pesquisadores, tecnologistas, analistas, técnicos, demais servidores e estudantes do Observatório Nacional. Esse resultado mostra que o ON não vive apenas da importância do seu passado, mas continua contribuindo ativamente para o avanço da ciência brasileira e internacional. Afinal, a melhor maneira de honrar esses 200 anos de história é garantir que o ON continue tendo um papel relevante pelos próximos 200 anos", afirmou o diretor do ON, Dr. Jailson Alcaniz.
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Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica celebra 15 anos
Outro marco celebrado em 2026 é o aniversário de 15 anos do Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI), em Itacuruba (PE). Esta unidade descentralizada do ON desempenha papel crucial no estudo de pequenos corpos do Sistema Solar e na caracterização de asteroides potencialmente perigosos para a Terra.
A Dra. Daniela Lazzaro, pesquisadora do ON e uma das coordenadoras da iniciativa IMPACTON, destacou o impacto dessa década e meia de operação do OASI: "Quinze anos após a primeira luz do telescópio, a equipe já observou em torno de 1000 pequenos corpos do Sistema Solar cujas análises foram publicadas em revistas internacionais, além de teses e dissertações. Os resultados obtidos até aqui mostram que o OASI é uma infraestrutura de observação astronômica relevante tanto para a ciência quanto para a formação de recursos humanos qualificados e para uma divulgação científica responsável".

- Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI), em Itacuruba (PE). Foto: ON.
Fortalecimento da pesquisa geomagnética em Tatuoca e Vassouras
Paralelamente às conquistas da Astronomia, o aniversário de 199 anos do ON reforça a presença histórica da instituição no monitoramento do campo magnético terrestre através de suas outras duas unidades descentralizadas: o Observatório Magnético de Tatuoca (OMT), localizado em Belém (PA), e o Observatório Magnético de Vassouras (OMV), no estado do Rio de Janeiro.
Como parte do esforço contínuo de modernização das bases geofísicas do ON, uma missão técnica realizada na Ilha de Tatuoca, a poucos dias do ON completar 199 anos, aprimorou o sistema de energia fotovoltaica da unidade amazônica e promoveu o alinhamento metodológico entre os observatórios. A capacitação foi conduzida pelo chefe do OMV, Alberto Faria dos Santos, padronizando as medições absolutas e assegurando a excelência dos dados nacionais.
O Coordenador de Geofísica do ON, Dr. Fábio P. Vieira, acompanhou as ações e ressaltou o papel dessa cooperação institucional no ano comemorativo: "As ações integradas entre Tatuoca e Vassouras fortalecem a operação das nossas unidades descentralizadas, ampliam a confiabilidade dos equipamentos e qualificam a equipe responsável pelo monitoramento geomagnético. Essa cooperação e a constante busca por soluções tecnológicas locais são fundamentais para garantir a precisão de dados essenciais para pesquisas e aplicações científicas em todo o mundo".
Hora Legal Brasileira expande infraestrutura e consolida soberania nacional no Nordeste
Completando o tripé de áreas finalísticas da instituição ao lado da Astronomia e da Geofísica, a Metrologia em Tempo e Frequência também chega aos 199 anos com uma conquista inédita para a segurança digital do país. O ON concluiu a instalação do primeiro relógio atômico de césio em um data center da Região Nordeste, localizado na Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), em Fortaleza.
A iniciativa, parte do Projeto Tempo Brasil em parceria com o NIC.br e CGI.br, fortalece a distribuição da Hora Legal Brasileira sob responsabilidade do ON em um dos maiores pontos de troca de tráfego de internet do país, beneficiando setores críticos como bancos, telecomunicações e certificação digital.
O gestor da Divisão de Serviços da Hora Legal Brasileira do ON (DISHO/ON), Dr. Ricardo José de Carvalho, destacou o impacto do avanço para a infraestrutura nacional: "Com a instalação, o Ceará se torna o primeiro estado do Nordeste a contar com um servidor Stratum 1 disciplinado pelo padrão primário de césio do Observatório Nacional, reforçando a soberania digital e a confiabilidade de serviços críticos na região".
Chegada de novos servidores fortalece o quadro da instituição
Outro pilar fundamental que marca este aniversário de 199 anos e prepara o ON para o seu bicentenário foi a integração dos novos servidores aprovados em concursos públicos, reforçando as equipes de analistas, tecnologistas e pesquisadores. Segundo o diretor Dr. Jailson Alcaniz, a chegada desses profissionais supre uma demanda histórica da instituição: "A chegada dos novos servidores representa uma conquista muito significativa para o Observatório Nacional, especialmente depois de um longo período quando enfrentamos dificuldades para renovar nosso quadro de pessoal. Estamos incorporando aos poucos novos profissionais com diferentes competências e experiências, que já estão contribuindo para fortalecer nossas atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, gestão e prestação de serviços à sociedade. Essa renovação acontece em um momento particularmente importante, no qual a ciência exige equipes cada vez mais qualificadas, infraestrutura avançada e uma forte integração entre diferentes áreas do conhecimento”.
Inteligência Artificial e democratização da infraestrutura científica
Ainda dentro dos marcos operacionais comemorados neste ciclo, o ON celebra a aprovação de financiamento da Finep para a criação do seu novo Centro de Inteligência Artificial aplicada à Astronomia e Geofísica, que permitirá analisar volumes massivos de dados cósmicos e geológicos com rapidez e eficiência.
O diretor ressalta que a ferramenta apoiará as pesquisas desenvolvidas no ON mantendo o rigor científico: "A Inteligência Artificial já está transformando profundamente a maneira como fazemos ciência, e o ON está se preparando para desempenhar um papel importante nesse processo. Vale destacar que a IA não é uma novidade nas pesquisas do ON: nossos pesquisadores já vêm utilizando essas ferramentas, e temos várias teses e dissertações concluídas que empregaram técnicas de IA para enfrentar problemas científicos complexos. Contudo, o uso indiscriminado pode produzir resultados equivocados. Entendemos que a IA deve ser uma ferramenta de apoio à pesquisa, e não um substituto para o conhecimento, a experiência e o pensamento crítico dos cientistas”.
Além de acelerar a pesquisa, o novo Centro de IA atuará para reduzir desigualdades computacionais no país: "Nós sabemos que o acesso à infraestrutura computacional de alto desempenho ainda é bastante desigual no Brasil. Muitas vezes, grupos de pesquisa altamente qualificados não conseguem desenvolver todo o seu potencial por falta de acesso a equipamentos e recursos tecnológicos adequados. O novo Centro de IA foi concebido justamente para ajudar a reduzir essas desigualdades, funcionando como uma infraestrutura aberta a pesquisadores de instituições de todo o país, com atenção especial aos grupos emergentes. Para nós, essa é uma dimensão fundamental do investimento público em ciência: criar condições para que pesquisadores brasileiros possam contribuir para o avanço do conhecimento”.
Modernização tecnológica: inauguração do CPDON e PoP do ON na Rede Rio
Fechando o pacote de inovações digitais que preparam a instituição para seus 200 anos, o ON inaugurou no ano em que faz 199 anos o seu novo Centro de Processamento de Dados (CPDON) e implantou o Ponto de Presença (PoP do ON) da Rede Rio, garantindo alta velocidade e resiliência na transmissão de dados acadêmicos e científicos.
O gestor da Divisão de Tecnologia da Informação do ON (DITIN/ON), Dr. Jorge Eduardo Mansur Serzedello, enfatizou a relevância do marco: "Tornar-nos um Ponto de Presença sempre foi um objetivo estratégico. Mais do que integrar a rede, queríamos nos tornar um ponto agregador e multiplicador de conectividade e colaboração. Hoje, entendemos que o CPDON dispõe de uma infraestrutura física e lógica robusta, capaz de contribuir significativamente para esse ecossistema, ampliando a conectividade, a alta disponibilidade e a resiliência dos serviços do Observatório Nacional, além de fortalecer a integração com as instituições parceiras”.
Um ano inteiro de celebrações rumo aos 200 anos
Com o aniversário de 199 anos em 15 de outubro, o Observatório Nacional dá o pontapé inicial nas comemorações que culminarão no seu Bicentenário em 2027. A programação se estenderá ao longo de todo o ano com exposições, palestras, eventos abertos e projetos de divulgação científica voltados para escolas e para a população em geral.
"No próximo dia 15 de outubro, vamos iniciar oficialmente a contagem regressiva para o nosso bicentenário. Não queremos que essa celebração fique restrita a uma única data. Queremos aproveitar essa oportunidade para mostrar à sociedade não apenas a importância histórica da nossa instituição, mas também a ciência que realizamos hoje e sua contribuição para o nosso cotidiano. Mais do que comemorar os 200 anos do Observatório Nacional, queremos convidar a sociedade brasileira a participar desta celebração. Afinal, essa história não pertence apenas ao ON; ela faz parte da história da ciência e do próprio Brasil", concluiu o diretor do ON.
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