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Comitê Permanente de Mulheres do Condraf publica carta em solidariedade à ministra Marina Silva
Carta de Solidariedade do Comitê de Mulheres do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável - Condraf à Ministra Marina Silva, aprovada na 7ª Reunião Ordinária do Condraf.
Brasília, 29 de maio de 2025.
Cara ministra Marina Silva.
Nós, mulheres de todo Brasil, mulheres do campo, das águas e das florestas que constituímos o Comitê Permanente de Mulheres do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), vimos expressar nossa solidariedade à vossa excelência pelo ocorrido no Senado Federal.
Marina Silva é a voz de todas as mulheres, sobretudo das mulheres pretas, indígenas, afrobrasileiras que historicamente permanecem em condições de maior exclusão e opressão nessa sociedade. Mulheres que se deparam constantemente com a violência, com o genocídio e tentativas de silenciamento e apagamento de suas vidas e existências.
Marina, mulher negra, amazônida, intelectual, política, com uma trajetória de luta e trabalho pelo meio ambiente representa o que de melhor esse país pode ser. Sua presença no governo brasileiro é pertinente e qualificada e se projeta com conhecimento, compreensão e contribuição da maior importância sobre o presente e o futuro da sociedade brasileira, da vida de cada um de nós, enquanto natureza que somos, enquanto planeta.
O desrespeito à ministra Marina é o retrato do menosprezo ao Brasil, do ódio às mulheres e da mesquinharia sem fim daqueles representantes da destruição que, em nome da ganância, buscam por meios muitas vezes criminosos se apropriarem dos bens comuns, da terra, das águas, dos ecossistemas e biomas.
Marina, tem a força da vida que resiste, a força da seringueira, a grandeza da sumaúma. Nossa ministra representa a luta ancestral pela mãe-terra.
A força política que Marina ecoa é a mesma força com a qual nós mulheres rurais produzimos no campo: comida de verdade, cultura e tradição, saberes e sabores, dando sentido às nossas práticas, gerando renda, alimentando nossas famílias e comunidades e o povo brasileiro.
Repudiamos a violência política contra as mulheres, o racismo, as ideias retrógradas e genocidas defendidas por pessoas envergonham o debate público e não fazem jus aos cargos que ocupam, ao parlamento e à democracia brasileira duramente conquistada. Exigimos responsabilização pelo Congresso Nacional dos agressores por esses atos criminosos, suas falas misóginas que perpetuam a violência política de gênero contra as mulheres, parlamentares, ministras.
Nós mulheres rurais que cultivamos nossos quintais, nossas roças e somos guardiãs e defendemos os nossos territórios, que construímos a agroecologia, que nos fazemos corpo-território em defesa do bem-viver e da democracia, nos unimos à Marina e a todas as lutadoras da causa ambiental, da agroecologia, dos direitos humanos, da luta antirracista e feminista reafirmando que não vamos nos calar, não vamos recuar. Nós somos semente, mutirão e muvuca, somos margaridas e seremos resistência frente a todos os representantes dos projetos de destruição que colocam o lucro acima da vida e que usam a violência como modo de agir no espaço público.
Reafirmamos que está na força das mulheres a solução para um planeta pressionado pelas mudanças do clima. O trabalho e a participação política das mulheres é indispensável para o combate à fome e para a transição agroecológica.
Marina, conte com a nossa solidariedade e nossa luta permanente. Não nos calaremos e não vamos sucumbir, seremos, como você, insubmissas.
Comitê Permanente de Mulheres do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf)