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Novo relatório mundial tematiza revolução digital na área de Biodiversidade e destaca projetos coordenados pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro
A digitalização das amostras (exsicatas) de plantas e fungos permite que os especialistas consultem o material pela internet, acelerando muito o trabalho de pesquisa | Foto: Jeff Eden / © RBG Kew
Foi publicado, nesta terça-feira, 16 de junho, o novo relatório State of the World Plant and Fungi (SOTWPF), que reúne contribuições de mais de 400 especialistas de 40 países, com a coordenação do Royal Botanic Gardens, Kew, na Inglaterra. A revolução digital da biodiversidade é o tema do documento, que apresenta os principais avanços na geração e no compartilhamento de dados sobre biodiversidade alcançados nas últimas duas décadas.
O relatório dá conta de que, atualmente, mais de 145 milhões de amostras de plantas e fungos guardadas nos herbários físicos espalhados pelo mundo tiveram suas imagens e dados digitalizados e disponibilizados gratuitamente online. Isso tem facilitado, integrado e acelerado, como nunca antes, o trabalho dos especialistas de diversas áreas, da taxonomia à farmacologia, da conservação à história e à antropologia, bem como tem possibilitado ações de ciência cidadã e uma melhor gestão de áreas protegidas, entre outros benefícios.
Os rápidos avanços em tecnologia, com a digitalização em massa e o uso de Inteligência Artificial (IA), têm proporcionado a democratização do conhecimento, ajudando a enfrentar desigualdades históricas. A digitalização e os modelos matemáticos também ajudam a acelerar as avaliações de risco de extinção das espécies, mas, segundo o documento, é necessário repensar como são feitas essas avaliações. Os novos recursos tecnológicos mostram ainda que os tempos de floração mudaram globalmente ao longo do último século devido às mudanças climáticas, além de revelarem novos conhecimentos sobre os fungos.
O primeiro capítulo do SOTWPF 2026 destaca o papel dos sistemas desenvolvidos e/ou coordenados pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) para o gerenciamento dos dados de biodiversidade florística brasileira. “O Brasil, o maior e mais biodiverso país do Sul Global — com aproximadamente 50.000 espécies nativas conhecidas de plantas e fungos —, é hoje pioneiro na repatriação digital de espécimes brasileiros mantidos em herbários estrangeiros, bem como na digitalização de suas próprias coleções botânicas e micológicas”, afirma o relatório.
Um quadro mostra a integração dos sistemas da Flora e Funga do Brasil (diretório unificado de nomes científicos das espécies brasileiras), Jabot (sistema de gerenciamento de coleções botânicas do JBRJ), Herbário Virtual Reflora, que reúne imagens e dados de aproximadamente 5 milhões de amostras de plantas, algas e fungos, grande parte das quais repatriadas digitalmente de herbários europeus e norte-americanos, e do Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil.
Para o pesquisador Domingos Cardoso, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, essa integração representa um avanço decisivo para a governança dos dados sobre a biodiversidade brasileira. “Em um país megadiverso e de dimensões continentais como o Brasil, catalogar e tornar acessível o conhecimento sobre a nossa flora e funga é um desafio imenso. Os sistemas desenvolvidos e coordenados pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro têm permitido integrar informações antes dispersas, fortalecer a governança dos dados e abrir novos caminhos para acelerar a documentação da biodiversidade brasileira", afirma.
Segundo o SOTWPF 2026, o sucesso do Brasil na criação desses produtos interligados “é sustentado pelas colaborações que estabeleceu entre bioinformatas especializados na aplicação da ciência da computação para gerenciar e analisar dados biológicos e taxonomistas com experiência na nomenclatura, descrição e classificação de organismos vivos”.
A digitalização, já completa, da Coleção Etnobotânica do JBRJ também ganhou um lugar especial no capítulo sobre o futuro digital das pesquisas. Outros projetos brasileiros são apontados como exemplos no relatório, como um sobre a conservação do gênero Cambessedesia e outro que estuda os impactos da Ferrovia de Integração Oeste-Leste sobre espécies do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica.
Além do relatório, foi lançada uma coleção especial de 50 artigos científicos publicados nos periódicos New Phytologist e Plants, People Planet, aprofundando os temas abordados no SOTWPF 2026, com a colaboração de pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e de outras instituições brasileiras.
Acesse o State of The World Plants and Fungi 2026.
Acesse a coleção especial de artigos Harnessing the benefits of specimen digitisation.
