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Mais conhecimento para conservar linhagem de pau-brasil do Rio de Janeiro
Flores de pau-brasil arruda-RJ | Foto: Patricia da Rosa
Intensamente explorado desde o início da colonização, o pau-brasil (Paubrasilia echinata), ainda existe em fragmentos florestais da Mata Atlântica, classificado como Em perigo de extinção (EN) na lista vermelha brasileira. Entre as cinco linhagens conhecidas dessa espécie, a chamada Paubrasilia echinata arruda-RJ ocorre exclusivamente no estado do Rio de Janeiro. Um estudo publicado em 7 de abril no periódico Oryx atualiza a distribuição geográfica dos fragmentos onde essa linhagem ocorre, aponta quais são os prioritários para a conservação dela e as ações necessárias.
Os pesquisadores fizeram um levantamento dos fragmentos de vegetação nativa com ocorrência da P. echinata arruda-RJ, chegando a 43 fragmentos em 11 municípios da costa do estado do RJ. São 30 fragmentos a mais do que os 13 conhecidos até então. Também elaboraram um protocolo inédito para avaliação e priorização desses fragmentos, que pode ser testado em outras espécies e linhagens.
Como resultado do protocolo, o estudo mostra que há 8 fragmentos de alta prioridade para a conservação da arruda-RJ, outros 25 de média prioridade e 10 de baixa prioridade. Conservação in situ e ex situ, gerenciamento do uso da terra, restauração ecológica e enriquecimento de fragmentos de floresta degradados são ações indicadas para proteção da linhagem e de sua diversidade genética. Os autores também discutem os resultados encontrados em relação a metas de conservação da Convenção da Diversidade Biológica (CDB).
A principal ameaça ao pau-brasil arruda-rj apontada pelo estudo é a urbanização, presente em 32 dos 43 fragmentos estudados. Produção e transmissão de energia, mineração, agricultura e pecuária, atividades recreativas, espécies invasoras, fogo, poluição também estão entre os problemas que incidem sobre a espécie.
O artigo deriva da tese de doutorado de Patricia da Rosa, bióloga do Herbarium Bradeanum/UERJ, orientada pelo pesquisador Haroldo Lima no Programa de Pós-graduação em Botânica da Escola Nacional de Botânica Tropical - Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e tem como coautores outros pesquisadores do JBRJ, INMA, Kew Gardens, Universidade da Califórnia-LA, UFF e Viveiro Aretê - Búzios. A pesquisa contou com apoio de bolsas CAPES e Funbio Brasil – Bolsas para o Futuro–2021, Instituto Humanize and Eurofins Foundation.
Acesse o artigo Conservation of Atlantic Forest fragments: is the iconic brazilwood Paubrasilia echinata adequately protected in south-east Brazil?
