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Jardim Botânico do Rio celebra o Dia das Abelhas com lançamento de guia sobre abelhas sem ferrão, palestras e degustação de méis
Evento gratuito terá ainda degustação de méis e palestras
Entre árvores centenárias, monumentos históricos e até mesmo no solo, milhares de pequenas arquitetas silenciosas ajudam diariamente a manter viva a Mata Atlântica em um refúgio verde na cidade do Rio de Janeiro. Esse universo ainda pouco conhecido ganha agora um retrato detalhado no Guia de Ninhos de Abelhas Nativas Sem Ferrão no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, catálogo a ser lançado pelo Jardim Botânico e assinado pela engenheira agrônoma Maria Lucia França Teixeira, no próximo dia 20 de maio, quando é celebrado o Dia Mundial das Abelhas.
O lançamento será no Centro de Visitantes do Jardim Botânico do Rio, às 10h30. Durante o evento, que é gratuito, haverá degustação de méis de espécies de abelhas nativas sem ferrão. A programação contará ainda com palestras, além de celebrar os dez anos de criação do meliponário da instituição, local onde são instaladas colônias de abelhas sem ferrão para criação.
Com linguagem acessível, fotografias coloridas, mapas de localização e informações científicas, a publicação apresenta espécies de abelhas sem ferrão que fazem ninho no arboreto do Jardim Botânico do Rio. Chamadas assim por possuírem o ferrão atrofiado, essas abelhas não representam risco à população e são fundamentais para a sobrevivência de uma grande parcela das plantas nativas, incluindo desde espécies de porte rasteiro até árvores de grande porte. Se forem extintas, a reprodução de plantas silvestres ficará comprometida.
A versão digital está disponível gratuitamente para download no site do JBRJ, a partir de 20 de maio. A edição impressa pode ser adquirida na loja da Associação de Amigos do Jardim Botânico.
O guia reúne descrições sobre comportamento, características físicas, formatos dos ninhos, localização no arboreto do Jardim Botânico, distribuição geográfica e usos tradicionais do mel, da própolis e da geoprópolis produzidos pelas espécies.
Além das fichas das espécies, o material inclui glossário, referências bibliográficas e explicações sobre os nomes científicos e populares das abelhas, aproximando o conhecimento científico do público geral.
Entre as abelhas retratadas estão a jataí (Tetragonisca angustula), uruçu-amarela (Melipona mondury), boca-de-sapo (Partamona helleri), a caga-fogo (Oxytrigona cagafogo) e até espécies curiosas, como a abelha abutre (Trigona hypogea), que utiliza matéria orgânica animal como fonte proteica.
A obra nasceu da experiência da autora durante podas e supressão de árvores mortas no arboreto.
- Percebi a necessidade de conservar no arboreto os ninhos de abelhas nativas sem ferrão, construídos em galhos e troncos. Assim, em 2016, foi inaugurado o Meliponário do Jardim Botânico, um espaço para a conservação desses ninhos, pesquisa, divulgação e educação ambiental – conta Maria Lúcia.
Mais do que um guia ilustrado, a publicação também funciona como instrumento de conscientização ambiental. O texto destaca o papel fundamental das abelhas sem ferrão na polinização e na manutenção da biodiversidade, além de alertar para ameaças como desmatamento, uso excessivo de agrotóxicos e mudanças climáticas.
De acordo com a autora, a redução das áreas de vegetação nativa tem feito com que áreas verdes urbanas como o Jardim Botânico do Rio, apesar de estarem expostas à poluição e a outros impactos antrópicos, atuem como um refúgio para a fauna de abelhas.
- Mais recentemente, o conhecimento sobre as abelhas sem ferrão e sua importância ecológica vem se amplificando na sociedade através de pesquisas, educação ambiental e difusão de técnicas que incentivam a criação e a comercialização de suas colmeias e de seus produtos. Estudos têm revelado um amplo potencial de uso terapêutico e cosmetológico, pela presença de substâncias com atividades antimicrobianas e antioxidantes, por exemplo – destaca Maria Lucia França Teixeira.
Programação do Dia Mundial das Abelhas, 20 de maio
10h30 – Lançamento do Guia de Ninhos de Abelhas Nativas Sem Ferrão no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, de autoria de Maria Lucia França Teixeira
12h - Palestra: “Abelhas nativas sem ferrão no Jardim Botânico”, Maria Lúcia França Teixeira (JBRJ)
12h30 – Palestra: “Conscientização e educação ambiental”, Celicina Ferreira (Associação de Meliponicultores do Rio de Janeiro-AME-Rio)
13h – Palestra: “As atividades de educação e sensibilização ambiental com abelhas nativas sem ferrão nas unidades de conservação estaduais, Christiane dos Santos Rio Branco, técnica na Área de Proteção Ambiental Estadual do Rio Guandu – Instituto Estadual do Ambiente-Inea
Meliponário do Jardim Botânico – 10 anos
Criado em 13 de maio de 2016, o Meliponário do Jardim Botânico completa 10 anos como referência na conservação de abelhas nativas sem ferrão. Foi implantado com o objetivo de conservar os ninhos de abelhas nativas sem ferrão, resgatados de galhos e árvores mortas dentro do arboreto, preservando o processo de polinização. Também é utilizado em atividades de educação ambiental e pesquisas científicas.
Registrado na Secretaria estadual de Agricultura, o Meliponário conta atualmente com 40 colmeias de 11 espécies que ocorrem no bioma Mata Atlântica da Região Sudeste. Esse conjunto representa cerca de 50% das espécies de abelhas nativas sem ferrão com registro para o Estado do Rio de Janeiro. Entre elas, estão a jataí (Tetragonisca angustula), a boca-de-sapo (Partamona helleri) e a Mirim droryana (Plebeia droryana).
Além dessas, outras cinco espécies - jataí-de-solo (Paratrigona subnuda),
Trigona braueri, abutre (Trigona hypogea), irapuá (Trigona spinipes) e caga-fogo (Oxytrigona cagafogo) - ocorrem exclusivamente no arboreto. Com isso, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro reúne mais de 70% das espécies de abelhas sem ferrão registradas no estado, consolidando-se como um importante refúgio urbano para esses polinizadores nativos.