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Estudo sintetiza os padrões de chuva de sementes na Mata Atlântica
Mata Atlântica no Itatiaia (RJ) | Foto: William Zaca
Chuva de sementes é o nome que os especialistas dão ao fluxo de sementes que cai em um local determinado. Os estudos sobre esse fenômeno geralmente se concentram em áreas relativamente pequenas e delimitadas, mas o trabalho colaborativo de 60 pesquisadores, de diversas instituições e estados brasileiros, levantou e sintetizou, pela primeira vez, os dados de chuva de sementes entre fragmentos da Mata Atlântica brasileira. O artigo resultante desse estudo foi publicado no periódico Journal of Ecology em 6 de maio de 2026.
Os resultados apontam que as características da paisagem, como latitude, precipitação, cobertura florestal, entre outros, permitem prever os padrões de dispersão de sementes em grande escala entre fragmentos da Mata Atlântica, o que não era possível detectar em estudos mais localizados.
A chuva de sementes é um processo fundamental na formação de comunidades florísticas e na regeneração florestal. Daí a importância de compreender como ele ocorre na Mata Atlântica, uma das florestas mais diversas e mais ameaçadas do mundo, da qual restam apenas cerca de 23 a 24% de cobertura florestal, em sua maior parte dispersa em pequenos fragmentos isolados.
“Nossos resultados destacam a cobertura florestal, em conjunto com a precipitação, como um fator-chave para a diversidade de sementes em florestas tropicais fragmentadas, embora locais fragmentados também possam apresentar maior disponibilidade de sementes – provavelmente devido à ocorrência de espécies pioneiras associadas às bordas florestais. Compreender esses padrões é essencial para prever como as florestas se regeneram e como esses ecossistemas altamente fragmentados podem se transformar no futuro”, explica o primeiro autor do artigo, Luis Felipe Daibes de Andrade, pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Para fazer essa análise de um ecossistema vasto como a Mata Atlântica, os pesquisadores compilaram um banco de dados produzidos entre 1987 e 2021, a partir de 1.905 armadilhas de sementes em 52 fragmentos de estudo. Mais de 1,3 milhão de sementes foram coletadas e 1.029 táxons foram identificados pelo menos até o nível de família. Os autores colaboradores foram responsáveis pelas coletas de campo ao longo dos anos e forneceram os conjuntos de dados brutos utilizados nas análises. O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e é produto do pós-doutorado de Luís Daibes junto à Universidade Estadual Paulista (Unesp Rio Claro).