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Estudo pioneiro aplica a teoria de redes para avaliar o sucesso da restauração florestal em nível da paisagem
Publicado em
01/12/2025 11h25
Estudo inédito liderado por duas cientistas brasileiras (Débora Rother, da Universidade Federal de São Carlos, e Carine Emer, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro) propõe uma nova visão para a restauração ecológica. Elas aplicaram a teoria de redes em um banco de dados de levantamento de árvores da Mata Atlântica para avaliar o sucesso da restauração florestal em um mosaico de paisagem, com foco na conectividade funcional e processos ecológicos.
A abordagem de redes espécies-habitat mostra as interações complexas entre as espécies e seus ambientes e como diferentes espécies contribuem para o funcionamento do ecossistema. A modelagem de cenários de distintas configurações de redes ajuda a compreender como os principais processos ecológicos respondem às práticas de restauração.
Os resultados do estudo, realizado no estado de São Paulo em área de Mata Atlântica próxima ao Cerrado, sugerem que as florestas restauradas de forma tradicional (ou seja, com baixa diversidade de espécies) não funcionam como componentes integrados da paisagem, mas formam módulos distintos dentro da rede. A modularidade destas redes indica um sistema pouco conectado, onde cada área funciona de forma distinta e pode seguir diferentes trajetórias ecológicas e evolutivas.
"O que encontramos foi que o conjunto de espécies usadas na restauração representa muito pouco da diversidade da Mata Atlântica, falhando em restaurar a complexidade do sistema. Na verdade, utiliza-se uma lista muito reduzida de espécies na restauração, geralmente as que estão disponíveis no mercado e que são fáceis de produzir. Quando se pensa em restauração em nível de paisagem e de processos ecológicos - que é o que propomos - é fundamental aumentar a diversidade de espécies utilizadas nos esforços de restauração para que as áreas recuperadas se assemelhem o máximo possível à floresta original", explica a pesquisadora Carine Emer (JBRJ).
O estudo revela ainda que as áreas restauradas possuem indivíduos jovens que não foram plantados pelo homem na restauração ativa, mas chegaram muito provavelmente através da dispersão de sementes feitas por animais. Trata-se de espécies de plantas zoocóricas, de sementes pequenas e dispersas por animais de pequeno porte, como sabiás e bem-te-vis. "Isso indica o papel imprescindível dos animais na restauração, facilitando a conectividade da paisagem ao dispersar sementes entre áreas. Indica também que as espécies de plantas zoocóricas deveriam ser priorizadas para facilitar a movimentação de sementes e o fluxo gênico na paisagem", complementa Carine Emer.