Parte 2 - Vulnerabilidades
Violências no ambiente de trabalho como
ASSÉDIO MORAL, ASSÉDIO SEXUAL E DISCRIMINAÇÃO,
das mais simples às mais complexas
- AMEAÇAM o direito de toda pessoa que trabalha na administração pública ter um ambiente de trabalho livre de violência
- VIOLAM princípios como a dignidade da pessoa humana e moralidade no serviço público, comprometendo a integridade pública na organização.
- ATINGEM PRINCIPALMENTE (COMO É DESTACADO NA CONVENÇÃO Nº 190 DA OIT)
- mulheres
- pessoas negras
- pessoas indígenas
- pessoas com deficiência
- pessoas LGBTQIA+
- mulheres transexuais e travestis
- pessoas atravessadas pela discriminação etária, especialmente as mulheres
NO BRASIL, DESDE 2019, NA 16ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE, SE USA A SIGLA LGBTQIA+1, QUE ADICIONA À POPULAR SIGLA LGBT AS PESSOAS INTERSEXO E OUTRAS IDENTIDADES REPRESENTADAS PELO SÍMBOLO +
1. *(A sigla LGBTQIA+ foi formalizada de acordo com o Decreto 11.848, de 26 de dezembro de 2023)*
Gostaria de saber mais sobre quem são as pessoas que fazem parte desses grupos?
Conheça o GLOSSÁRIO no final deste guia.
BRASIL EM NÚMEROS
Quem são as potenciais vítimas?
- Mulheres
DADOS THINK EVA:
- 47 % das mulheres já foram assediadas no mercado de trabalho
- Só 5 % delas denunciou na empresa
- 1 em cada 6 mulheres vítimas de assédio sexual pede demissão
- 35 % das mulheres afirmam viver sob constante medo
- 30 % sentem falta de confiança em si e nos outros
DADOS DE ESTUDO REALIZADO PELA OUVIDORIA-GERAL DA UNIÃO COM DADOS DO FALABR2 (DISPONÍVEL NO SITE DA CGU):
- 87 % da possível vítima de assédio sexual é do gênero feminino
- 95 % do denunciado de assédio sexual é do gênero masculino
2. *(O Fala.BR é a Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação do Poder Executivo Federal. Por meio dela, é possível enviar pedidos de acesso à informação e manifestações de Ouvidoria (denúncias, elogios, reclamações, sugestões e solicitações) aos órgãos e entidades. A plataforma é completamente gratuita e está disponível na Internet. O Fala.BR foi lançado pela Controladoria-Geral da União (CGU) em 1º de agosto de 2019. Fonte: Fala.BR — Acesso à Informação [www.gov.br])*
- Pessoas LGBTQIA+
DADOS NEB/FIOCRUZ 2020:
- 24% das pessoas LGBTQIA+ sofreram discriminação, assédio ou intimidação 24% no ambiente de trabalho
- enquanto eese percentual é de 12% entre pessoas hétero
- Pessoas com deficiência
DADOS MPT SP 2020:
- 69% das pessoas com deficiência sofrem discriminação, assédio moral e sexual e violência física no trabalho
- Profissionais negros
DADOS INSTITUTO ETHOS, EM PARCERIA COM A ONU MULHERES E O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO (2018):
- 53,6% dos profissionais negros no Brasil já sofreram um tipo de preconceito racial no ambiente de trabalho
Nos cargos gerenciais, negros(as) ocupam 29,5% dos cargos e brancos(as), 69%, apesar da população negra corresponder a 56% da população brasileira (dados do Censo do IBGE de 2022)
Continuando...
Até aqui, apresentamos dados que ajudam a entender melhor as situações de violência. No entanto, transformar esse conhecimento em ação, como registrar uma denúncia nas ouvidorias, exige confiança e segurança por parte das vítimas que sofrem violências no ambiente de estudo e trabalho.
Para fortalecer a confiança dos trabalhadores do setor público, destacamos três eixos de ação fundamentais:
- INTENSIFICAÇÃO das iniciativas voltadas à promoção da integridade no serviço público;
- VALORIZAÇÃO de condutas positivas, conforme orientado pela Convenção nº 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2017);
- CONSTRUÇÃO de ambientes de trabalho seguros e saudáveis para todos.
Assegurar relações profissionais saudáveis e promover ambientes de trabalho respeitosos e éticos é essencial para o bem-estar físico e mental.
Para enfrentar o assédio moral, sexual e discriminação, SEGUIMOS ALGUNS PILARES:
- COMPROMISSO INSTITUCIONAL: A ALTA GESTÃO tem o COMPROMISSO de enfrentar todas as formas de assédio e discriminação em sua instituição.
- VISIBILIDADE: A Administração deve ter mecanismos e sistemas de monitoramento e geração de dados com sistematização de relatórios para acompanhamento e tomada de decisão.
- RESOLUTIVIDADE: Procedimentos para a denúncia de casos e suspeitas e, para sua apuração devem ser bem definidos para que o acolhimento à vítima seja assertivo.
- UNIVERSALIDADE: As mudanças devem impulsionar o bem-estar de TODAS as pessoas
- FOCO NA VÍTIMA: Todo o trabalho está centrado no APOIO e no acolhimento à vítima.
- PREVENÇÃO: Atividades de capacitação, letramento e sensibilização são importantes para a prevenção de assédio moral e sexual e de todas as formas de discriminação.
- CONFIDENCIALIDADE: As identidades devem ser protegidas para evitar exposição, revitimização e retaliações.
*No caso de um processo de responsabilização, a identidade da vítima e das testemunhas não podem ser ocultadas do investigado ou acusado.*
ASSÉDIO MORAL, ASSÉDIO SEXUAL E DISCRIMINAÇÃO
Trabalho = Qualidade de vida e inserção social
Assédios e discriminações são problemas coletivos e individuais que impactam a convivência entre colegas de trabalho, violam a dignidade e a integridade das pessoas, a salubridade do ambiente, a saúde física e mental da pessoa trabalhadora e a sua produtividade.
A discriminação, o assédio moral e o sexual no ambiente de trabalho são uma realidade que, embora difícil de ser captada unicamente com dados de denúncias, tem sido demonstrada por algumas pesquisas. Pesquisas de 20054, 20155 e 20206 apontam que tanto homens quanto mulheres sofrem com essas violências no ambiente de trabalho, sendo as mulheres as mais afetadas por essa forma de violência. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca que o gênero, a raça e a etnia também são fatores de discriminação.
Para caracterizar e contextualizar os assédios e as discriminações é preciso conversar sobre as relações de poder no ambiente de trabalho e suas intersecções com gênero e raça, que perpetuam as desigualdades entre homens e mulheres na sociedade.
Os episódios de assédio moral e sexual são reflexos das relações de poder arraigadas em nossa sociedade, destacadamente o machismo, que infelizmente também se manifesta no ambiente de trabalho. Isso pode resultar em líderes que abusam de sua posição para humilhar e constranger seus subordinados. Essa conduta prejudica o clima organizacional e inibe a livre expressão de ideias e contribuições dos trabalhadores. Sem uma atuação eficaz para lidar com tais abusos, as instituições do setor público federal enfrentam sérias consequências, como baixo engajamento, queda na produtividade e alta rotatividade.
Ambientes com estruturas muito rígidas e hierarquizadas favorecem a ocorrência de assédios e discriminações. É importante que hajam esforços para minimizar efeitos violentos dessa assimetria, assim como espaço para acolher os conflitos que eventualmente surjam.
4. Segundo um estudo realizado pela médica Margarida Barreto, da PUC-SP, as mulheres são mais frequentemente alvo de assédio moral do que os homens. Enquanto 65% das entrevistadas relataram experiências de violência psicológica repetidas, apenas 29% dos entrevistados masculinos vivenciaram situações semelhantes. Disponível em https://repositorio.pucsp.br/bitstream/handle/17370/1/Margarida%20Maria%20Silveira%20Barreto.pdf
5. De acordo com uma pesquisa realizada pela vagas.com para a BBC Brasil, a maioria das situações constrangedoras (84%) são praticadas pelos superiores hierárquicos das vítimas, por indivíduos com cargos mais elevados dentro das empresas ou até mesmo pelos colegas de trabalho. Os resultados da pesquisa, que contou com a participação de quase cinco mil pessoas em todo o país, revelam a gravidade desse problema. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150610_assedio_trabalho_pesquisa_rb
6. Pesquisa “O ciclo do assédio sexual nos ambientes profissionais” realizada em 2020 pela Think Eva. Disponível em: https://thinkeva.com.br/estudos/o-ciclo-do-assedio-sexual-no-ambiente-de-trabalho/
Está na dúvida sobre o que pode e o que não pode falar ou fazer no trabalho?
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RÉGUA DA VIOLÊNCIA7
7. Material adaptado por Mayra Cotta a partir da régua de Kathleen Kelley Reardon para Harvard Business Review, 2018. “It’s not always clear what constitutes sexual harassment. Use this tool to navigate gray areas.” Disponível em: https://hbr.org/2018/06/its-not-always-clear-what-constitutes-sexual-harassment-use-this-tool-to-navigate-the-gray-areas
Apesar de ser comum o uso do termo “assédio” para se referir a um conjunto diverso de situações de assédio moral e sexual, é preciso falar sobre uma gradação da potencial violência de atitudes diversas e também sobre termos diferentes para estas condutas inadequadas. Além de ser relevante para um processo de apuração administrativa (ou criminal), quando colocamos numa espécie de régua estas situações, percebemos o quanto é importante as instituições públicas atuarem nos níveis mais brandos dessas violências, num esforço de prevenir situações mais graves e com danos por vezes irreversíveis.
E esta nomeação propicia um monitoramento mais robusto das situações, podendo gerar relatórios mais certeiros para tomadas de decisões e para a atuação institucional nestes ambientes. Não é necessário que a pessoa que relata uma conduta inadequada saiba como classificá-la corretamente, mas o trabalho de apuração é facilitado quando nomeamos as ações que em geral fazem parte de uma apuração sobre casos de assédios.
ALERTA!
A SOBREPOSIÇÃO DE TIPOS DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO É COMUM E A DIFICULDADE EM DEMARCAR COM PRECISÃO CADA UM DELES NÃO É UM IMPEDIMENTO PARA TRATÁ-LOS COMO UM CASO COMPLEXO.
| Níveis de Violência | |
|---|---|
| Não ofensivo | Opiniões corriqueiras em temas como cabelo e roupa. Exemplos:
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| Constrangedor e levemente ofensivo | Comentários que afirmam ou sugiram distinções de gênero desfavoráveis às pessoas. Exemplos:
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| Ofensivo | Práticas insensíveis às questões de gênero, raça, idade e deficiência. Exemplos:
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| Bastante ofensivo | Comportamentos ou comentários intencionalmente humilhantes e ou insultantes. Exemplos:
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| Assédio Sexual | Comportamentos transgressores ou agressivos e fisicamente intrusivos. Exemplos:
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| Violência mais grave | Comportamento envolvendo coerção, violência, ameaça ou agressão física. Exemplos:
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