Notícias
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
PIB brasileiro cresce 0,5% no segundo trimestre de 2026
No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% na comparação com o trimestre anterior, na margem, com ajuste sazonal. Em relação ao mesmo período de 2025, houve crescimento de 2%.
Por setor produtivo, comparativamente às expectativas da Secretaria de Política Econômica (SPE) para o resultado na margem, a diferença em relação ao projetado no segundo trimestre de 2026 veio principalmente do desempenho da agropecuária, acima do esperado, enquanto a indústria e o setor de serviços apresentaram expansão abaixo das projeções.
Para a indústria, o desvio decorreu principalmente do desempenho abaixo do esperado na indústria da transformação e em eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos. No caso dos serviços, as diferenças em relação às projeções foram observadas em outros serviços, comércio, atividades financeiras e imobiliárias.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias recuou e o consumo do governo manteve a mesma magnitude de crescimento prevista. Já a formação bruta de capital fixo cresceu em ritmo próximo ao projetado. As exportações recuaram, ante avanço projetado pela SPE, enquanto as importações avançaram menos que o inicialmente projetado.
Com o resultado observado no segundo trimestre de 2026, o carrego estatístico para 2026 ficou em 1,7%.
Evolução do crescimento na margem
Pela ótica da oferta, em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, o setor agropecuário registrou avanço de 2,8%, ante crescimento de 2,3% no primeiro trimestre de 2026. Na indústria, o crescimento foi de 0,1%, ante alta de 1,2% no trimestre anterior. O setor de serviços desacelerou de 0,4% no primeiro trimestre para 0,2% no segundo trimestre de 2026.
Na comparação com o trimestre anterior, na margem e com ajuste sazonal, o consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026, ante crescimento de 0,8% registrado no primeiro trimestre de 2026. A formação bruta de capital fixo cresceu 1,2%, ante alta de 3,4% no trimestre anterior. O consumo do governo avançou 0,4%, repetindo a mesma magnitude de crescimento observada no trimestre anterior. As exportações recuaram 0,8% no trimestre, após queda de 2,1% no primeiro trimestre de 2026, enquanto as importações cresceram 1,8%, ante alta de 4,2% no trimestre anterior.
A contribuição da absorção doméstica para o PIB do segundo trimestre de 2026 foi nula, ante contribuição de 1,2 ponto percentual no primeiro trimestre. No setor externo, a contribuição para o resultado do PIB na margem foi negativa em 0,4 ponto percentual no segundo trimestre de 2026, ante contribuição negativa de 1,1 ponto percentual no trimestre anterior. Para esse resultado, contribuíram a queda das exportações e o avanço das importações na margem. A variação dos estoques, obtida por resíduo, explicou alta de 0,9 ponto percentual do resultado observado para o PIB no segundo trimestre de 2026.
Os componentes mais e menos sensíveis ao ciclo contribuíram em magnitudes semelhantes para o desempenho da atividade no segundo trimestre de 2026, com ligeira predominância dos componentes menos sensíveis. Entre os segmentos mais cíclicos, destacaram-se os serviços de informação e de transportes. Quanto aos segmentos menos sensíveis ao ciclo, as contribuições mais expressivas vieram da agropecuária e da indústria extrativa.
A taxa de investimento caiu para 16,1% no segundo trimestre de 2026, ante 16,5% no primeiro trimestre, refletindo a menor expansão da formação bruta de capital fixo em comparação com o avanço do PIB em valores correntes.
Evolução do crescimento na comparação interanual
Comparativamente ao mesmo período de 2025, o PIB do segundo trimestre de 2026 cresceu 2,0%, ante 1,8% no primeiro trimestre de 2026. A variação ficou acima da mediana das expectativas de mercado, de 1,9%, e abaixo da projeção da SPE, de 2,4%.
Por setor produtivo, houve aceleração do PIB da agropecuária, enquanto os PIBs da indústria e dos serviços mostraram desaceleração, mas permaneceram em expansão.
O PIB agropecuário avançou 6,8% no segundo trimestre de 2026, ante alta de 0,7% no trimestre anterior. A expansão foi impulsionada pela maior produção de soja e café, além do crescimento do abate de bovinos em relação ao segundo trimestre de 2025. Por outro lado, houve recuo na produção de arroz e algodão e estabilidade na produção de milho.
O PIB da indústria avançou 1,5% no segundo trimestre de 2026, ante crescimento de 1,6% no trimestre anterior. Para o resultado no trimestre, contribuiu o crescimento de 12,0% da indústria extrativa, principalmente em razão do aumento da extração de petróleo e gás natural. A indústria da construção também apresentou resultado positivo na mesma base de comparação, com alta de 1,0%, após crescimento de 1,3% no trimestre anterior. Esse resultado está em linha com o crescimento da ocupação e das horas trabalhadas na atividade. Esses resultados compensaram o recuo da indústria de transformação, de 0,9%, quinta retração consecutiva, impactada pela política monetária ainda em campo restritivo. A produção de eletricidade teve queda de 0,5%, após retração de 1,7% no trimestre anterior, repercutindo o recuo no consumo residencial e comercial.
O ritmo de crescimento do setor de serviços desacelerou no segundo trimestre de 2026 para 1,5%, ante 2,1% no primeiro trimestre. Todos os segmentos contribuíram positivamente para a alta, com destaque para os serviços de informação, que avançaram 8,4% em relação ao segundo trimestre de 2025, e para os serviços de transporte, com alta de 1,2%. A desaceleração na comparação interanual refletiu principalmente o menor ritmo de crescimento do comércio, de outros serviços, de atividades financeiras e de serviços prestados pela administração pública, embora todos tenham registrado expansão no período.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a contribuição da absorção doméstica para o crescimento manteve o ritmo do trimestre anterior, enquanto a contribuição do setor externo se mostrou negativa, ainda que em menor intensidade do que no trimestre anterior.
O consumo das famílias desacelerou de 1,7% para 0,5% do primeiro para o segundo trimestre de 2026. A desaceleração do consumo reflete as restrições de crédito, embora tenha sido atenuada pela resiliência do mercado de trabalho, marcado por taxa de desemprego em patamar mínimo da série histórica, avanço, ainda que modesto, das ocupações formais e crescimento real do rendimento habitual médio e da massa salarial.
O consumo do governo acelerou na comparação interanual, passando de 2,8% para 3,1% do primeiro para o segundo trimestre de 2026.
A formação bruta de capital fixo avançou 1,4% no segundo trimestre de 2026, compensando a queda de 1,4% no primeiro trimestre. A alta nesse componente refletiu principalmente a importação de bens de capital e o desenvolvimento de software. Em conjunto com o avanço na construção, esses fatores compensaram a queda na produção doméstica de bens de capital.
As exportações cresceram 3,8% no segundo trimestre de 2026, com desaceleração ante a alta de 7,4% no primeiro trimestre, enquanto as importações avançaram 5,5%, ante aumento de 1,2% no trimestre anterior. Em comparação com o segundo trimestre de 2025, destacaram-se os aumentos das exportações de soja, óleos brutos de petróleo, minério de ferro e produtos alimentícios. No lado das importações, o crescimento foi impulsionado principalmente por veículos, artigos de vestuário e materiais elétricos.
Comparação no acumulado em quatro trimestres até o 2T26
No acumulado em quatro trimestres, o PIB desacelerou de 2,0% no primeiro trimestre de 2026 para 1,9% no segundo trimestre de 2026.
O PIB agropecuário mostrou menor ritmo, com alta de 6,2% no segundo trimestre de 2026, ante alta de 7,5% no primeiro trimestre. Houve leve aceleração da indústria e leve moderação dos serviços na comparação com o primeiro trimestre de 2026. O crescimento da indústria passou de 1,3% no primeiro trimestre para 1,4% no segundo trimestre, com destaque para o crescimento da indústria extrativa, de 12,2%. No caso dos serviços, o ritmo de expansão foi de 1,7%, ante 1,8% verificado nos primeiros três meses do ano.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias apresentou desaceleração de 1,2% no primeiro trimestre de 2026 para 0,9% no segundo trimestre, enquanto o consumo do governo apresentou aceleração, passando de alta de 2,3% no primeiro trimestre para avanço de 2,8% no segundo trimestre. A formação bruta de capital fixo desacelerou de 0,4% no primeiro trimestre de 2026 para recuo de 0,2% no segundo trimestre.
As exportações aceleraram de 7,6% no primeiro trimestre de 2026 para 8,0% no segundo trimestre. As importações também registraram maior ritmo de crescimento, avançando de 1,7% para 2,1%, nessa base de comparação.
No segundo trimestre de 2026, a taxa de investimento foi de 16,5%, ante 16,6% no primeiro trimestre de 2026.
Perspectivas para o crescimento
O crescimento do PIB no segundo trimestre ficou abaixo da projeção da SPE, do Boletim Macrofiscal de julho, com alta de 0,5% na margem, ante 0,8% projetado, e de 2,0% na comparação interanual, ante 2,4%. A composição também se deslocou em relação ao previsto. A agropecuária ficou acima do projetado, enquanto indústria e serviços ficaram abaixo do esperado, com o resultado industrial sustentado pelas extrativas diante do recuo da transformação e da construção. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias recuou na margem e a formação bruta de capital fixo, embora ainda em expansão, desacelerou frente ao trimestre anterior, de modo que a absorção doméstica apresentou variação praticamente nula mesmo com o avanço do consumo do governo. No setor externo, as exportações recuaram, e as importações avançaram, configurando contribuição negativa. Com a demanda final estagnada, o crescimento concentrou-se, portanto, na variação de estoques.
O quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre os vetores da absorção doméstica e sobre os setores mais cíclicos da economia, particularmente a indústria de transformação, a construção e o comércio, em um ambiente de endividamento elevado. O crescimento do trimestre concentrou-se, portanto, nos segmentos menos sensíveis ao ciclo doméstico.
No primeiro semestre, o PIB acumula crescimento de 1,9% em relação a igual período de 2025. Para o segundo semestre, a SPE projeta continuidade da desaceleração no terceiro trimestre, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada pela redução do custo do crédito. No quarto trimestre, é esperada retomada gradual, à medida que os componentes mais cíclicos respondam à flexibilização monetária em curso. O ciclo de cortes iniciado em março levou a taxa básica de juros de 15,0% para 14,0%, patamar ainda restritivo, de modo que o repasse ao crédito e ao investimento deve se materializar apenas parcialmente até o fim do ano. A projeção da SPE para o PIB de 2026 é atualmente de 2,3%, encontrando-se em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa.
Comparativo internacional
Entre os países do G20 que já divulgaram o resultado do PIB do segundo trimestre de 2026, o Brasil ocupou a oitava posição na margem, na comparação interanual e no acumulado em quatro trimestres.