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POLÍTICA ECONÔMICA
Nova gestão da SPE quer ampliar debate sobre produtividade e desenvolvimento de longo prazo
A nova direção da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda quer ampliar o espaço para discussões estruturais sobre a economia brasileira, com foco em produtividade, desenvolvimento e planejamento de médio e longo prazo. O tema foi um dos destaques de encontro realizado na sexta-feira (15/5), em São Paulo, com representantes de instituições que participam do Prisma Fiscal.
O evento marcou também a apresentação da economista Débora Freire à frente da SPE para essas instituições. Primeira mulher a assumir o comando da secretaria, ela destacou o papel do Prisma Fiscal como instrumento de acompanhamento das expectativas econômicas e lembrou as mudanças implementadas nos últimos anos para ampliar e modernizar o sistema.
“Nós ampliamos o Prisma, aumentamos o número de variáveis e automatizamos mais processos. Então, trouxemos algumas mudanças, também, bem interessantes. Hoje ele se consolida mesmo como o principal sistema de coleta de expectativas fiscais”, afirmou.
Débora disse ainda que assume a Secretaria com o desafio de fortalecer debates estruturais para o país e ampliar a participação de mulheres em áreas ocupadas majoritariamente por homens, como o mercado financeiro e a área fiscal.
“Ser a primeira mulher secretária de Política Econômica é uma responsabilidade grande, porque eu sinto que tenho a responsabilidade de trazer mudanças estruturais, obviamente, de pensar mudanças estruturais para o país, mas também de pensar mudanças estruturais até mesmo na representatividade de mulheres nesses cargos”, afirmou.
Papel estruturante
Durante a abertura do encontro, o novo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a SPE pode voltar a ocupar um papel mais ativo na formulação de discussões econômicas de longo prazo. “Temos que pensar e começar a discutir a política fiscal de um aspecto mais estrutural também, olhar o médio e o longo prazos”, enfatizou.
Segundo Ceron, a SPE pode contribuir para criar “arenas de debate” capazes de reunir diferentes visões sobre os desafios econômicos do país. Ele defendeu discussões mais qualificadas e menos concentradas apenas nas oscilações conjunturais da economia.
Para ele, as projeções do ano são importantes, mas a discussão sobre o futuro do país passa por outras questões, como produtividade e crescimento sustentável. “O mercado de trabalho muito aquecido, com pleno emprego, nos permite chegar para o debate: para onde o Brasil vai agora? Não dá mais para simplesmente reduzir o desemprego. Agora, vamos aumentar a produtividade, mas como a gente vai fazer isso? Que tipo de reforma é necessária?”, pontuou o secretário-executivo.
O encontro também abordou temas ligados à transição ecológica, descarbonização e mercado de carbono. Participaram ainda a secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, e o subsecretário de Política Fiscal, Rodrigo Toneto.
Coordenado pela Secretaria de Política Econômica, o Prisma Fiscal reúne projeções de instituições do mercado para indicadores fiscais e macroeconômicos e é utilizado como referência para acompanhamento das expectativas sobre as contas públicas brasileiras. Os números relativos ao mês de maio foram apresentados durante o evento.