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Água, recurso essencial comprometido pela degradação ambiental

O “Ciência e Cultura, vamos brincar?” desta quarta-feira, 25 de agosto de 2021, na TVT, traz como tema “Água é vida, direito, dever e poder”.
Publicado em 23/08/2021 18h13

Ter água à disposição é tão natural, nos dias atuais, quanto respirar. Só nos damos conta da falta que a água faz quando há alguma interrupção no fornecimento. Mas esse recurso tão imprescindível à sobrevivência da humanidade está cada dia mais escasso. As mudanças climáticas decorrentes de desmatamentos, queimadas e outras agressões ambientais têm provocado períodos cada vez maiores de estiagem sem as chuvas. O próximo episódio do “Ciência e Cultura, vamos brincar?”, do Projeto WASH, aborda esta questão. “Água é vida, direito, dever e poder” é o tema que será debatido com especialistas e que vai pautar as atividades do programa.

E o assunto não poderia ser mais oportuno, diante da falta de chuvas que atinge praticamente todo o País. A hidróloga e pesquisadora do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), Luz Adriana Cuartas explica que o problema não é novo. “A situação é bem complexa. Há alguns anos que os rios não se recuperam como deveriam”, afirma. Ela explica que, segundo monitoramento do Cemaden feito a partir de 2014, quando o País enfrentou “a grande seca”, as chuvas estão abaixo da média, tanto na estação da seca quanto das chuvas. E relata como o processo funciona. “Temos a retroalimentação, um processo em que uma situação ajuda ou intensifica outra gerando algo positivo ou negativo. As chuvas na estação úmida (no verão) permitem ter umidade no solo e recarga das águas subterrâneas (aquíferos) para manutenção das vazões durante a estação seca. Isto chamamos de retroalimentação positiva. Mas quando acontece o contrário, como agora: déficit de chuvas na estação chuvosa, de umidade no solo e na recarga das águas subterrâneas, as vazões ficam abaixo da média, e na estação seca as vazões mínimas ficam críticas. E esta reserva vem diminuindo a cada ano, o que é muito preocupante”, coloca.

No “Ciência e Cultura, vamos brincar?”, que será exibido pela TVT na próxima quarta-feira, às 12h (com reprise na quinta às 17h), a educadora ambiental do Cemaden Educação, Rachel Trajber, é a convidada do apresentador do programa, o físico Wilson Namen. Ela fala sobre a questão da preservação da água, sua importância para o planeta, e sobre os riscos da poluição para nossos recursos hídricos. Luz Adriana reforça que com a vazão baixa, aumenta a poluição dos rios, o que compromete ainda mais a situação. Segundo a pesquisadora, o Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, e que já estava com alguma restrição na captação de água, entrou na faixa de atenção, o que agrava a questão. “A situação está pior do que estava em 2013, ano que precedeu a grande seca. Hoje, o armazenamento do Cantareira está em 38,8% (o ideal nessa época é em torno de 50%). E não choveu nada este ano”, comenta, citando que mesmo no período de seca, costuma ter alguma chuva, o que não aconteceu este ano. “A falta de chuvas e as temperaturas altas podem gerar problemas no início da estação das chuvas, adiar esse início”, alerta.

Com mais de 20 anos de experiência em apresentação de programas e trabalhos consolidados na TV aberta e fechada (Record TV, SBT, NatGeo, entre outras), o físico Wilson Namen, apresentador do Ciência e Cultura, avalia que diante da realidade do desgaste da natureza, temas como a água têm que ser constantemente abordados por sua relevância. “A falta de água decorre do desmatamento, destruição dos aquíferos, das matas ciliares, aliado ao aumento do consumo. A água mantém o seu ciclo, mas com o desgaste da natureza, esse ciclo sofre mudanças. Temos que ver como isso vai afetar nossa vida”, aponta. “A água não some, mas dentro do que a gente precisa e da concentração urbana, ela está cada vez mais escassa.”

Sobre o episódio

O Ciência e Cultura traz ainda mais! Nossos oceanos e a vida marinha terão destaque, no programa. Wilson Namen e a equipe do Projeto visitaram o Aquário Acqua Mundo, no Guarujá (SP). Lá, Namen conversou com a bióloga e gerente de Educação Ambiental do Aquário, Sílvia Borges.

Neste espaço, que reproduz a vida nos oceanos, ele descobriu as principais curiosidades das crianças quando entram neste mundo cheio de vida e de cores. A bióloga retratou, também, os riscos da falta de respeito do homem com a água e suas consequências para a vida aquática (animais de águas salgada e doce).

Peixe-palhaço no Acqua Mundo. Divulgação

E, nesta semana, a participação das escolas do WASH no Ciência e Cultura é direta de Prado Ferreira (PR), onde será apresentada uma experiência para confeccionar um pluviômetro. Já ouviu falar deste aparelho? Sabe para que ele serve? O Programa vai mostrar que é fácil construir um.

As brincadeiras e parte lúdica do programa estão por conta da Cia Cultural Bola de Meia. Os atores/cantores Jacqueline Baumgratz e Celso Pan prometem muita música e contação de histórias, abordando os perigos da poluição das águas e o sofrimento de quem depende dos rios para sua sobrevivência.

O Projeto Ciência e Cultura é uma coprodução do Programa WASH, do Movimento Nós Somos a Ciência e da Cia Cultural Bola de Meia, com apoio do Cemaden Educação, Institutos Federais (IFs), Câmara de Deputados e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo do programa é estimular a aprendizagem da ciência e da cultura, com muita diversão e popularizar a ciência. Os episódios anteriores podem ser acessados pelo site wash.net.br, link websérie educativa. O CCVB foi idealizado por Elaine Tozzi, atualmente Coordenadora do Projeto WASH no Paraná com o objetivo de usar outras linguagens, com ênfase na comunicação científica e na cultura, de uma maneira lúdica, criativa, para toda família.

“Ciência e Cultura, vamos brincar?” é exibido toda quarta-feira, às 12h, na TVT (reprise quintas, às 17h). Na Grande São Paulo, sintonize no Canal 44.1. No sinal digital HD aberto, pode ser assistida no canal 512 NET HD-ABC, e está disponível no YouTube

Fonte: Projeto Wash