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CNEN comemora 70 anos de fundação em cerimônia institucional na Casa Firjan
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) celebrou seus 70 anos de fundação em uma cerimônia realizada nesta terça-feira, 13 de outubro, na Casa Firjan, em Botafogo, no Rio de Janeiro. O evento reuniu autoridades, servidores, colaboradores, bolsistas e representantes de instituições parceiras para marcar as sete décadas de atuação da instituição na pesquisa, no desenvolvimento e nas aplicações da ciência e da tecnologia nucleares no Brasil.
Na abertura da cerimônia, foi exibida uma mensagem enviada pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, em reconhecimento à trajetória da Comissão.
Outro momento de destaque foi a exibição de um vídeo enviado por Pietro Emanuel, de 9 anos, morador de Potengi, no Ceará. Em uma carta ao presidente da CNEN, o menino contou que ama ciências, sonha em ser físico nuclear e deseja conhecer a instituição. Espectador da série Emergência Radioativa, Pietro se emocionou ao receber a resposta à sua carta e gravou uma mensagem de agradecimento. A CNEN prepara uma visita à Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiza Mendes Rodrigues, onde ele estuda, por meio da iniciativa CNEN Vai às Escolas, com a participação do físico Walter Mendes, de quem Pietro se tornou admirador.
CNEN homenageia instituições e personalidades
Durante o cerimonial, foi realizada a entrega do Prêmio Destaque CNEN 70 anos, em que a autarquia agradece a parceria com universidades e instituições em projetos estratégicos. Foram premiadas as seguintes entidades: Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC); Universidade de São Paulo (USP); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal de Goiás (UFG); Hospital Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense; Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN); e Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Além de conceder reconhecimento às instituições parceiras, a CNEN prestou homenagens a personalidades do setor nuclear e a servidores importantes para a sua história. Entre esses homenageados, destacou-se o físico Walter Mendes Ferreira, que foi o primeiro profissional técnico a identificar o acidente com Césio-137 na cidade de Goiânia, em 1987, caso que voltou a ganhar fama internacional devido ao sucesso da série brasileira “Emergência Radioativa”, da Netflix. Nessa homenagem, a família de Walter gravou um vídeo especial, parabenizando-o por sua honrosa contribuição para a ciência brasileira.

Outros servidores de atuação emblemática na história da CNEN receberam homenagens no evento, como Irapoan Cavalcanti de Lyra, atual professor de Projetos Estratégicos da FGV e que atuou na Comissão entre 1963 e 1969; Dra. Regina Célia Andrade Saboia, servidora da CNEN entre 1979 e 2001, chegando a ocupar o posto de diretora de apoio logístico entre 1997 e 2001; Dr. Laércio Vinhas, que fez parte do corpo técnico da Comissão entre 1965 e 2012, tendo integrado a delegação do Brasil nas Conferências Gerais e na Junta de Governadores da AIEA de 1990 a 2016; e o ex-presidente da CNEN, Dr. José Mauro Esteves dos Santos, geólogo que ocupou o cargo de 1994 a 2002, sendo responsável pelo processo de modernização institucional e de aproximação da instituição com a sociedade na virada do século.
Ainda foram homenageados o cientista Ricardo Galvão, ex-presidente do CNPq e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por sua contribuição para o avanço científico e tecnológico no país, e o secretário Antônio Cláudio Lucas da Nóbrega, que também já foi reitor da UFF, graças à sua destacada contribuição em saúde, em projetos de pesquisa e na gestão científica.
A CNEN conferiu reverências à professora Paolla da Costa Rosa, responsável pelo canal “Radiação para Leigos”, em função da sua contribuição para ampliar a divulgação do conhecimento científico da área nuclear para um público mais amplo e que não costuma ter tanto acesso a esse tipo de informação, produzida de forma criativa e assimilável.
Por fim, a cerimônia prestou homenagem ao Dr. Rex Nazaré Alves, que presidiu a CNEN entre 1982 e 1990, e que faleceu no início deste ano após deixar um legado de estratégia e comprometimento com a ciência nuclear brasileira. O prêmio póstumo foi entregue ao seu filho, Carlos Frederico Alves. Além disso, os servidores Naire Bezerra Galvão e Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima, ambos falecidos neste ano, foram carinhosamente lembrados no evento.
Entrega do Prêmio CNEN 2026

Assim como nas cerimônias de aniversário anteriores, ocorreu a entrega do Prêmio CNEN concedido aos trabalhos produzidos no âmbito das unidades-técnico científicas da Comissão, em quatro categorias distintas, cujo resultado definitivo havia sido divulgado em setembro. Os trabalhos laureados na edição 2026 foram:
Categoria Iniciação Científica
- “Desenvolvimento de protocolos de imagens no scanner micro-PET/CT para estudos ecofisiológicos em plântulas de espécies arbóreas da Caatinga”, de autoria da aluna Olívia Maria Gomes de Oliveira, orientada pelo professor Matheus Andrade Rocha Costa, representando o Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE);
Categoria Pós-Graduação Stricto-Sensu Mestrado Profissional
- “Estudo Comparativo de Radiomarcação do PSMA-HBED-CC com GÁLIO-68 por Método Direto (Kit Para Pronta Marcação) e Síntese em Módulo Automatizado”, do mestrando Felipe Tássio Matos da Silva, orientado por Elaine Bortoleti de Araújo, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN);
Categoria Pós-Graduação Stricto-Sensu Mestrado Acadêmico
- “Desenvolvimento de aplicação web para a deconvolução de espectros neutrônicos”, do mestrando Igor Andrade Machado, orientado por Marco Aurélio de Sousa Lacerda, representando o Centro de Desenvolvimento de Técnicas Nucleares (CDTN).
Categoria Pós-Graduação Stricto-Sensu Doutorado
- “Avanços em novas estratégias para o tratamento do câncer de mama triplo-negativo: integrando nanotecnologia, radiação e fotônica”, da doutoranda Camila de Almeida Salvego, com o apoio da orientadora Martha Simões Ribeiro, ambas também do IPEN.
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Sete décadas de ciência e tecnologia
Criada em 10 de outubro de 1956, a CNEN construiu uma trajetória ligada ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia nucleares no país. Ao longo desse período, a instituição acumulou experiências e conhecimentos em diferentes áreas de atuação, com contribuições para a pesquisa científica, a formação de profissionais e o desenvolvimento de aplicações pacíficas da tecnologia nuclear.
Entre os marcos dessa trajetória está o início experimental da produção nacional de radiofármacos, em 1959, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN). Esses produtos são utilizados no diagnóstico e no tratamento de doenças, representando uma das aplicações da tecnologia nuclear na área da saúde. Outro marco foi a entrada em operação, em 1965, do reator de pesquisa Argonauta, no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN). Construído com ampla participação da engenharia e da indústria nacionais, o reator contribuiu para a realização de pesquisas científicas e a formação de profissionais na área nuclear.
A comemoração dos 70 anos reafirmou a importância da trajetória institucional e do trabalho de gerações de profissionais que contribuíram e seguem contribuindo para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia nucleares no Brasil.
Escrita por: José Lucas Brito do Nascimento e Paula Falcão