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Nanotecnologia e radiação abrem caminho para terapias personalizadas contra o câncer de mama triplo-negativo
A pesquisa vencedora do Prêmio CNEN na categoria doutorado se aplica ao enfrentamento de tumores triplo-negativo, considerados tipos de câncer de mama dos mais agressivos. Eles crescem rapidamente, têm maior risco de metástase e respondem pouco aos tratamentos convencionais, especialmente à radioterapia, que muitas vezes perde eficácia devido à baixa presença de oxigênio nos tecidos tumorais. A autora é Camila de Almeida Salvego, orientada pela pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares(IPEN/CNEN) Martha Simões Ribeiro.
A tese buscou alternativas capazes de superar essas barreiras e abrir caminho para terapias mais eficazes e adaptadas às necessidades de cada paciente. O trabalho tem como título “Avanços em novas estratégias para o tratamento do câncer de mama triplo-negativo: integrando nanotecnologia, radiação e fotônica”.
Na primeira etapa, nanopartículas de quitosana capazes de liberar óxido nítrico foram associadas à radioterapia. Essa combinação aumentou a morte celular em laboratório e reduziu o crescimento tumoral e as metástases em modelos animais, mostrando o potencial do óxido nítrico como aliado à radioterapia no combate ao câncer.
Em outra frente, a pesquisa avaliou a braquiterapia com sementes de iodo-125, uma forma de radioterapia localizada. Essa estratégia retardou o avanço dos tumores e por meio de simulação computacional, foi possível demonstrar que nanopartículas de ouro podem potencializar a dose recebida no tumor.
Por fim, Camila desenvolveu um modelo de “tumor em chip”, que reproduz em laboratório o ambiente real do tumor. Nesse sistema, aplicou a terapia fototérmica mediada por nanobastões de ouro ativados por luz infravermelha. O resultado foi a destruição expressiva das células tumorais e a observação de respostas celulares sutis, que ajudam a compreender melhor a evolução da doença e a planejar tratamentos mais precisos.
Os resultados mostram que a integração entre nanotecnologia, radiação e fotônica pode transformar o tratamento do câncer de mama triplo-negativo, aproximando a oncologia da era das terapias personalizadas — mais eficazes, menos invasivas e adaptadas às características de cada paciente.
O Prêmio CNEN foi entregue durante a solenidade de comemoração dos 70 anos da autarquia, em 13 de outubro de 2026, na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. Reforça o compromisso da autarquia, vinculada ao MCTI, em incentivar jovens pesquisadores e promover avanços científicos de impactos direto para a sociedade e para o futuro. A seleção coube ao Conselho de Ensino e Pesquisa da CNEN, que elegeu trabalhos vencedores em quatro categorias: iniciação científica, mestrado profissional, mestrado e doutorado.