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Trabalho vencedor do Prêmio CNEN 2026 em iniciação científica aponta caminhos para sistemas produtivos sustentáveis
Um trabalho que visa adaptar tecnologias nucleares de ponta para o estudo da biologia vegetal de plantas da caatinga foi o vencedor na categoria Iniciação Científica do Prêmio CNEN 2026. Desenvolvido por Olívia Maria Gomes de Oliveira, bolsista do Programa de Iniciação Científica do CRCN-NE/CNEN, sob orientação de Matheus Andrade Rocha Costa, o projeto intitulado “Desenvolvimento de protocolos de imagens no scanner micro-PET/CT para estudos ecofisiológicos em plântulas de espécies arbóreas da Caatinga” conquistou reconhecimento por sua inovação e impacto científico.
O trabalho, que demonstra a viabilidade de aplicar técnicas nucleares em estudos ambientais e agrícolas, também abre caminho para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis. A pesquisa permitiu analisar espécies como o pinhão-bravo, o ipê-rosa, o tomate cereja e a língua de sapo, cultivadas em casa de vegetação e submetidas a técnicas específicas para garantir o desenvolvimento das mudas. A sequência do trabalho envolveu desde o cultivo experimental até a aplicação de radiotraçadores, que permitiu acompanhar de forma inédita como as plantas absorvem e distribuem a glicose, um produto da fotossíntese.
Foram estabelecidos protocolos inéditos de aquisição e reconstrução de imagens em plantas, utilizando o micro-PET/CT, equipamento tradicionalmente aplicado na medicina nuclear. Além disso, o trabalho desvendou detalhes da fisiologia de espécies da caatinga e agrícolas e envolveu softwares avançados de processamento de imagens, gerando reconstruções em duas e três dimensões que ampliaram a compreensão da morfologia vegetal.
A pesquisa inovou ao utilizar o FDG (fluordesoxiglicose) marcado com o radionuclídeo flúor-18, uma molécula de glicose modificada que se torna visível nos exames de imagem. A aplicação desse radiotraçador permitiu realizar estudos avançados de alocação de carbono e rastrear a dinâmica dos fotoassimilados em plantas. Ao explorar folhas, pecíolos e raízes como diferentes vias de absorção, o estudo conseguiu acompanhar em alta resolução como as plantas captam e distribuem esses recursos metabólicos, mapeando as estruturas internas responsáveis pelo transporte de água e energia.
Os resultados impulsionam o CRCN-NE/CNEN na aplicação de radioisótopos em agricultura e meio ambiente, abrindo novas perspectivas para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis. O Centro, que vem buscando se consolidar como um centro nuclear multiusuário a partir da implementação de novos laboratórios, dispõe do Laboratório de Imageamento Molecular, que conta com um novo micro-PET/CT.
A premiação foi entregue durante a solenidade de comemoração dos 70 anos da CNEN, em 13 de outubro de 2026, na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. Reforça o compromisso da autarquia, vinculada ao MCTI, em incentivar jovens pesquisadores e promover avanços científicos de impactos direto para a sociedade e para o futuro. O prêmio foi concedido pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da CNEN, que selecionou os trabalhos vencedores nas quatro categorias da premiação – iniciação científica, mestrado profissional, mestrado e doutorado.