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Tóquio 2021

Investimento federal nas modalidades paralímpicas já garantidas em Tóquio supera os R$ 35 milhões anuais

A um ano dos Jogos, país tem 105 postos assegurados, em 14 esportes. Das dez vagas que têm "nome e sobrenome", todas no tênis de mesa, nove são integrantes do Bolsa Atleta
Publicado em 26/08/2020 17h26 Atualizado em 27/08/2020 09h58
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Foto: Roberto Castro/rededoesporte.gov.br

A um ano do início das competições nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, o Brasil tem confirmadas 105 vagas em 14 modalidades. Dessas, apenas dez já contam com nome e sobrenome, todas no tênis de mesa. Desse universo, nove (90%) são integrantes do Bolsa Atleta e recebem investimento federal anual no valor de quase R$ 1 milhão (R$ 974 mil). Sete pertencem à categoria Pódio, a mais alta do programa, e dois fazem parte da categoria Paralímpica.

Estar classificado para os Jogos é a melhor tranquilidade possível neste momento de instabilidade e incertezas. A gente trabalhar com o foco voltado para o ano que vem nos permite pensar só no longo prazo, sem metas para este ano ou para o primeiro semestre do ano que vem”

Israel Stroh, vice-campeão paralímpico nos Jogos Rio 2016

Levando em conta as 14 modalidades paralímpicas com atletas já qualificados (confira infográfico), o investimento federal via Bolsa Atleta é de R$ 35,77 milhões por ano, expresso em 1.222 bolsistas, sendo 144 da categoria Pódio e outros 1.078 nos demais segmentos do Bolsa Atleta.

A modalidade com mais beneficiados pelo programa de patrocínio individual do Governo Federal é o atletismo, com 492 paralímpicos contemplados. É também o atletismo o esporte em que o Brasil tem mais vagas asseguradas em Tóquio: 36. A natação aparece na sequência, tanto no apoio federal, com 247 bolsistas, quanto no número de vagas confirmadas: 35.

Com o adiamento dos Jogos Paralímpicos para 2021 e o congelamento do ranking e do calendário, até atletas de presença indiscutível na Seleção, como o campeão mundial e recordista mundial dos 100m na Classe T-47 do atletismo, Petrúcio Ferreira, o multicampeão de natação Daniel Dias e a campeã mundial de taekwondo Débora Menezes precisam aguardar a definição oficial dos nomes que vão representar o país na capital japonesa.

A estimativa do Comitê Paralímpico Brasileiro é de que o país seja representado em Tóquio por cerca de 230 atletas, com previsão de 150 homens e 80 mulheres. A delegação fará a aclimatação na cidade de Hamamatsu por cerca de 15 dias. A cidade reúne a maior colônia brasileira no Japão, com cerca de 12 mil integrantes. As modalidades que esperam usar a cidade para preparação são atletismo, bocha, canoagem, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, goalball, halterofilismo, judô, natação, remo, parabadminton, paratekwondo, tênis em cadeira de rodas, tênis de mesa, tiro com arco, triatlo e vôlei sentado. Os Jogos Paralímpicos estão agendados para o período entre 24 de agosto e 5 de setembro de 2021. 

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Tênis de mesa

CT improvisado na garagem de casa, movimentos técnicos apenas com raquete na mão dentro do apartamento, trabalho multidisciplinar online com nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos e análise de vídeo de treinos a distância. O cardápio de adaptações, restrições e incertezas dos atletas da seleção de tênis de mesa no período inicial do confinamento foi muito similar ao de muitas modalidades olímpicas e paralímpicas. 

A diferença, para dez desses atletas paralímpicos, é que eles viveram esse turbilhão de sentimentos típicos da quarentena com a segurança de que têm a vaga nominal assegurada nos Jogos de Tóquio, em 2021, mesmo que ainda pairem dúvidas sobre a realização do evento.

O meu clube me emprestou uma mesa e meu técnico vem me dar treino de máscara e com todos os cuidados possíveis, mas personal trainer, nutricionista e psicólogo segue sendo tudo online”

Cátia Oliveira, vice-campeã mundial

“Estar classificado para os Jogos é a melhor tranquilidade possível neste momento de instabilidade e incertezas. A gente trabalhar com o foco voltado para o ano que vem nos permite pensar só no longo prazo, sem metas para este ano ou para o primeiro semestre do ano que vem”, afirma Israel Stroh, medalhista de prata nos Jogos Rio 2016 e classificado para a Classe 7 em Tóquio pelos critérios do ranking mundial.

Campeão da chave individual também da Classe 7 nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru, em 2019, Paulo Salmin é outro entre os dez assegurados. Durante o período inicial da pandemia, ele se refugiou em Jaú, no interior paulista, para ficar mais próximo da família. Recentemente, retomou as atividades em um centro de treinamento em Bauru. 

“Na nossa classe haverá 16 jogadores na chave individual em Tóquio. Além dessa calma para treinar, eu e o Israel garantimos vaga na disputa por equipes. E, diferentemente do Rio de Janeiro, em que as disputas foram das classes 6, 7 e 8, no Japão será apenas classes 6 e 7. Assim, temos uma equipe forte, com chance de brigar por pódio”, disse Salmin. No tênis de mesa paralímpico, quanto maior a classe, menor a limitação de movimentos do atleta.

Vice-campeã no Mundial de 2018, na Eslovênia, Cátia Oliveira adaptou a garagem da casa em Bauru, no interior paulista, para receber uma mesa e manter-se física e tecnicamente ativa mesmo durante o período de quarentena.

“O meu clube me emprestou uma mesa e meu técnico vem me dar treino de máscara e com todos os cuidados possíveis, mas personal trainer, nutricionista e psicólogo segue sendo tudo online”, conta Cátia, que não nega a ansiedade diante da nova marca de um ano para entrar em ação em Tóquio. “Individualmente, só aumenta o frio na barriga e me deixa motivada a treinar cada vez mais forte e estar 100% para brigar pela tão sonhada medalha de ouro”, afirma. “Para a modalidade, acho que mostra que somos uma potência. Todos os atletas brasileiros têm capacidade de brigar frente a frente com os melhores do mundo”.

Dona de dois bronzes nos Jogos Rio 2016 e também qualificada para Tóquio, Bruna Alexandre ficou quase quatro meses sem contato com a mesa. Só teve oportunidade de praticar movimentos com a raquete e de cuidar da mente e da parte física. Bruna, ao lado de Danielle Rauen e Israel Stroh, fazem parte do grupo restrito que pôde voltar ao CT Paralímpico de São Paulo, sob rígidos protocolos de segurança, para retomar os treinos há 45 dias.

“O período em que estive parada foi bem difícil, assim como a primeira semana de volta aos treinos. Hoje já entendo que estou bem com a parte técnica, mas falta recuperar um pouco do físico e treinar em dobro para recuperar esses quatro meses. Estamos no caminho. O planejamento inclui treinos na Europa em outubro e novembro”, indica.

Além de Bruna Alexandre, Danielle Rauen, Israel Stroh, Paulo Salmin e Cátia Oliveira, estão com vagas garantidas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio os mesatenistas Welder Knaf, Lethicia Lacerda, Joyce de Oliveira, Luiz Manara e Carlos Carbinatti. Desses, apenas Lethicia não integra atualmente o Bolsa Atleta. O investimento anual da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania nos outros nove é de R$ 974 mil.

Adaptações inéditas

Se no plano individual dos atletas o período da pandemia acrescentou desafios, adaptações, restrições e a criação de um novo normal, no lado dos técnicos não foi diferente. Assim como quase todos os treinadores, Paulo Molitor precisou redesenhar projeções e adquirir novas habilidades para atender os integrantes da seleção de tênis de mesa paralímpica.

Para se ter uma ideia, as bolinhas que usamos e caem no chão não pegamos para reutilizar. Deixamos lá para lavar para o dia seguinte, para serem higienizadas. Como temos muitas à disposição, temos esse privilégio de podermos não pegar de novo"

Paulo Molitor, técnico da seleção de tênis de mesa

“Nunca passamos por um momento desse, tão grave em nível mundial. Nossos atletas nunca ficaram antes quatro meses sem treinar. O máximo era duas, três semanas, no fim de ano”, compara o treinador. “No começo foi complicado porque não sabíamos exatamente o que ia acontecer. Se ia parar tudo realmente, se eram só duas semanas, um mês. Quando vimos que a situação estava grave, tomamos as atitudes”, conta.

As atitudes, em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, incluíram manter os atletas ocupados virtualmente, com atendimento psicológico uma vez por semana e fisioterapia preventiva duas ou três vezes por semana. Isso além de acompanhamento nutricional a cada 10 ou 15 dias e reuniões semanais para acompanhar os atletas.

“Foram quatro meses assim até que houve o protocolo de segurança local para retornarmos ao CT com metade da delegação da seleção permanente. Para você ter uma ideia, as bolinhas que usamos e caem no chão não pegamos para reutilizar. Deixamos lá para lavar para o dia seguinte. Ficam lá para serem higienizadas. Como temos muitas à disposição, temos esse privilégio de podermos não pegar de novo. Na entrada há controle de temperatura, túnel de higienização e são poucas pessoas circulando no CT”, lista Molitor.

Para os atletas que estão longe, há acompanhamentos online, análises de vídeo e prescrição dos treinamentos a serem feitos. “Para os cadeirantes, que fazem parte do grupo de risco, estamos trabalhando mais a parte física e mental enquanto não podem voltar ao CT. E, para os que estão aqui, eles voltaram até bem tecnicamente, mas bem abaixo na parte física em função do período de inatividade. Estamos recuperando isso”.

Atividades no CT Paralímpico foram retomadas com cuidados e poucos atletas

Respaldo de investimentos

Assim como a tranquilidade pela vaga conquistada permite que o trabalho de longo prazo para Tóquio seja retomado sem pressa, os atletas ressaltam também que a decisão do Governo Federal de dar sequência aos repasses do Bolsa Atleta e de entender as peculiaridades do período de pandemia foi estratégica e decisiva para que todos pudessem manter a mente serena e a estrutura de suporte aos treinos sem rupturas.

A manutenção dos investimentos do Bolsa Pódio foi a notícia boa do primeiro semestre, porque nos dá calma para trabalhar e para nos manter ‘full time’ na função de alto rendimento”

Paulo Salmin, ouro no Parapan de Lima, em 2019

“Isso nos permite manter o foco e treinar tranquilos. Eu posso, por exemplo, pagar um preparador físico e um técnico particular para acrescentar carga de treinamento ao que já tenho na seleção e ter acesso aos melhores materiais do tênis de mesa”, afirma Bruna Alexandre, integrante da categoria Pódio, a mais alta do programa Bolsa Atleta, desde 2016. “É de extrema importância. A Bolsa Pódio me deu as condições de montar esse CT em casa e me ajuda também a ter uma estrutura extra para me auxiliar na parte física e psicológica”, completa Cátia Oliveira. 

Para Paulo Salmin, a notícia da manutenção da Bolsa Pódio até o fim do ciclo que vai até 2021 foi determinante para os atletas da seleção se manterem com perspectivas. “Sendo bem direto: acho que a melhor notícia do primeiro semestre foi a manutenção desses investimentos. Estávamos num cenário muito incerto, não sabíamos se a Olimpíada seria adiada ou não. Foi a notícia boa do primeiro semestre, porque nos dá calma para trabalhar e para nos manter ‘full time’ na função de alto rendimento”, avalia.   

“Este foi até um dos temas de assunto em redes sociais entre nós. Havia uma preocupação de que esse período de incerteza econômica atingisse o esporte, os atletas, a Bolsa Pódio, e a resposta positiva da manutenção foi muito boa. A gente ainda trabalha com as restrições desse período, mas respaldados até Tóquio 2021”, completa Israel Stroh.

Diretoria de Comunicação - Ministério da Cidadania