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Em Live da Secretaria Especial do Esporte, velocista Paulo André comenta preparação olímpica e perspectivas para 2021

Campeão pan-americano e mundial no revezamento 4x100m, integrante da Bolsa Pódio segue firme no propósito de ser o primeiro brasileiro a correr os 100m abaixo dos 10s
Publicado em 22/05/2020 11h50 Atualizado em 22/05/2020 11h52

A velocidade já estava na genética. Filho do ex-velocista Carlos José Camilo de Oliveira, Paulo André era daquelas crianças que se destacavam até durante brincadeira de pique-pega. O destino não poderia ser outro. Aos 21 anos, o atleta é hoje o homem mais rápido do Brasil e coleciona os títulos dos Jogos Pan-Americanos e do Mundial do Japão no revezamento 4 x 100m, além de ter vaga garantida nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Nesta quinta-feira (21.05), em bate-papo ao vivo no Instagram da Secretaria Especial do Esporte, o jovem contou um pouco sobre a sua trajetória e a expectativa para o megaevento, adiado para 2021.

“É uma parceria que deu muito certo. É claro que ele me conhece muito bem. Se ele não me conhecer, quem irá?”, brincou Paulo André sobre ter o próprio pai como técnico. Se em alguns momentos a relação de pai e filho interferiu nos treinos, hoje os dois colhem os frutos do trabalho conjunto. E em época de pandemia e isolamento social, eles têm a vantagem de conseguir manter um ritmo de treinamento sem desrespeitar as orientações de saúde. “Sempre treinei sozinho, então tenho o privilégio de ter uma pista isolada, só para mim e meu pai. A gente toma todos os cuidados, entra no carro de máscara, usa álcool em gel”, contou.

Paulo André durante a Universíade de 2019: lá, venceu os 100m e os 200m. Foto: Raul Vasconcelos/ rededoesporte.gov.br

Ainda assim, o enfrentamento mundial do Covid-19 adiou o maior sonho do atleta. “Apesar de estarmos preparados para recebê-la, é uma notícia que choca, que nos entristece. Estávamos  motivados e ansiosos para uma Olimpíada neste ano, e de repente tudo é adiado, mas foi preciso pela saúde da humanidade”, comentou. “Agora viramos a página como se já tivéssemos competido a Olimpíada de 2020, e estamos focados para 2021. Não dá tempo de parar para pensar”, completou Paulo André durante a Live, conduzida pelo coordenador-geral do Programa Bolsa Atleta, Mosiah Rodrigues.

Além de representar o país no maior evento esportivo do mundo, o atleta tem outro objetivo traçado para quando as competições retornarem: entrar para o seleto grupo de velocistas que correm os 100m em menos de 10 segundos. “É um objetivo que hoje já está próximo de ser alcançado, deixou de ser sonho”, contou. “Assim que acabar essa pandemia, já quero obter essa marca para entrar para a história, continuar correndo bem e trazer alegrias”, afirmou. No ano passado, Paulo André chegou a correr a prova em 9s90, mas o limite do vento estava acima do permitido e o tempo não foi homologado.

De qualquer forma, em 2019 o jovem entrou para a história ao conquistar, ao lado de Rodrigo Nascimento, Derick Silva e Jorge Vides o título mundial do revezamento em Yokohama, no Japão. “Foi um momento histórico. Com certeza tem um antes e um depois dele. Foi uma medalha inédita, ninguém esperava”, relembrou. “Eu aprendi muito com aquela competição, acho que a equipe toda. É uma equipe unida e qualificada. A gente toma a nossa união como família mesmo. É um dos fatores principais para que a gente alcance nossos objetivos”.

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Apoio federal

Outro fator de peso para a carreira do velocista é o apoio que recebe do programa Bolsa Atleta do governo federal. Hoje integrando a categoria mais alta, a Pódio, Paulo André destacou durante o bate-papo a importância desse recurso. “Mesmo que o esporte seja individual, ninguém consegue nada sozinho. O apoio do governo e dos patrocinadores é muito importante para o atleta ser reconhecido naquilo que faz”, destacou.

Representante do Brasil na ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, e hoje à frente do programa federal, Mosiah Rodrigues relembrou como o Bolsa Atleta evoluiu nos últimos anos. “O programa foi criado em 2004, ano em que fui para a Olimpíada. Até 2011, se o atleta tivesse outro apoio, mesmo com valores pequenos, não podia se candidatar ao Bolsa Atleta. Eu fui campeão pan-americano em 2007, por exemplo, mas não consegui ter o suporte do programa por muito tempo, só no final da minha carreira”, contou.

O coordenador-geral também destacou que, mesmo durante a pandemia, o Bolsa Atleta segue apoiando todos os contemplados. “O suporte está sendo dado também nesse período. O Bolsa Atleta segue do lado dos atletas, na preparação ou para eventos que ainda vão ocorrer em 2020 e 2021”, reforçou, lembrando também que a suplementação do orçamento, no ano passado, permitiu dobrar o número de beneficiados, atendendo principalmente as categorias de base.

Interações

A Live contou com a participação dos internautas e também de dirigentes esportivos. Presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), o brasileiro Andrew Parsons enviou um comentário parabenizando o trabalho de Paulo André e de Mosiah Rodrigues. Já Luciano Cabral, presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), pediu que a dupla comentasse a importância do esporte universitário, inclusive no pós-carreira.

“A carreira do atleta é curta, seja qual for a modalidade. Depois disso, claro que ele precisa ter um planejamento, e o principal é pensando em uma faculdade para o pós-carreira”, afirmou Paulo André. “Acredito que o Brasil está conseguindo conciliar isso cada vez mais. Estamos chegando cada vez mais perto dessa união do esporte com o estudo”, completou o atleta, que no ano passado foi campeão dos 100m e dos 200m da Universíade, em Nápoles (Itália). Mosiah Rodrigues também disputou os Jogos Mundiais Universitários, em 2005, e levou a prata.

Ana Cláudia Felizola – rededoesporte.gov.br