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Astrônomos descobrem mais 12 luas em Júpiter; contagem total salta para 92, um recorde
Além de ser o maior e mais massivo planeta do sistema solar, Júpiter também possui o maior número de luas orbitando-o depois que os cientistas descobriram outras 12 luas ao seu redor, elevando o número total para 92. Com isso, Júpiter superou Saturno, que possui 83 luas confirmadas.
As órbitas das 12 luas recém-descobertas foram publicadas pelo Minor Planet Center (MPC), da União Astronômica Internacional, operado pelo Observatório Astrofísico Smithsonian, conforme informou Scott Sheppard, da Carnegie Institution, que fazia parte da equipe.
Ilustração das órbitas das luas de Júpiter, sem incluir as 12 luas recém-descobertas. (Crédito: Roberto Molar-Candanosa – Carnegie Institution for Science)
Os satélites de Júpiter foram descobertos usando telescópios no Havaí e no Chile, em observações em 2021 e 2022. As órbitas foram confirmadas com observações de acompanhamento. Essas 12 luas têm tamanhos relativamente pequenos, que variam de 1 a 3 quilômetros, segundo Sheppard. Elas também estão relativamente distantes, levando mais de 340 dias para orbitar Júpiter.
Nove das 12 luas levam mais de 550 dias para orbitar o gigante gasoso. Além disso, estas luas têm órbitas retrógradas, ou seja, elas giram na direção oposta à rotação de Júpiter. Já as três luas restantes estão entre outras 13 que orbitam em uma direção prógrada e ficam entre as grandes luas galileanas próximas e as luas retrógradas distantes.
Os cientistas acreditam que as luas menores de Júpiter são fragmentos de luas maiores que colidiram umas com as outras ou com cometas ou asteroides. Também poderiam ser pequenos corpos capturados no passado pelo campo gravitacional de Júpiter. O mesmo se aplica às luas de Saturno, Urano e Netuno. Urano tem 27 luas confirmadas, Netuno 14, Marte duas e a Terra uma.
Imagem de Júpiter capturada pelo Telescópio Espacial Hubble, em 27 de junho de 2019. Credit: NASA, ESA, A. Simon/Goddard Space Flight Center, M.H. Wong/University of California, Berkeley via AP
As luas mais conhecidas de Júpiter são suas quatro luas galileanas, observadas por Galileu Galilei em 1610: Io, Europa, Ganimedes e Calisto.
O astrônomo e pesquisador do Observatório Nacional, Dr. Fernando Roig, explicou que um planeta gigante, como Júpiter, possui muitas luas em razão de seu campo gravitacional:
“O campo gravitacional dos planetas gigantes se estende a grandes distâncias e isso facilita que pequenos corpos, que não se formaram necessariamente junto com o planeta, venham a ser capturados por este. Além disso, corpos que se originaram a grandes distâncias do planeta têm mais chances de colidir com outros corpos, como asteroides e cometas.”
Roig também explicou que são necessárias observações sucessivas, ao longo de meses, para confirmar a existência de uma lua:
“Quando uma lua é descoberta, a sua trajetória projetada no céu fornece uma primeira ideia da sua trajetória real, mas ela precisa ser observada sucessivamente durante vários meses, em posições diferentes da trajetória, para que seja possível reconstruir a sua órbita com precisão”, disse o astrônomo.
A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) vai enviar, em abril, uma espaçonave a Júpiter para estudar o planeta e algumas de suas maiores luas geladas.