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No Dia Mundial do Meio Ambiente, reunião do FWG15 encerra com adoção de compromissos e decisões estratégicas
Foto: Thaíse Torres/MIR
A reunião do Facilitative Working Group (FWG) da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP) se encerrou, na tarde desta sexta-feira (6) – Dia Mundial do Meio Ambiente –, com encaminhamentos que indicam a adoção de compromissos e com a reivindicação de decisões estratégicas que contemplem comunidades tradicionais ao lado dos povos indígenas.
Em Bonn, na Alemanha, a delegação brasileira afirmou que, na Conferência das Partes (COP) 32, em Adis-Abeba, na Etiópia, irá pedir três assentos no Grupo de Trabalho Facilitador (FWG, em inglês) para comunidades locais da LCIPP. Essas vagas poderiam contemplar, por exemplo, povos e comunidades tradicionais brasileiros.
"A LCIPP é quem mais dá sentido à UNFCCC [Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima]. Ali está a fala institucionalizada daqueles que, paradoxalmente, morrem primeiro, apesar de conservarem mais. No aprofundamento das crises, quem morre primeiro é quem mais sofre com o racismo ambiental", explicou o secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos (SQPT), Ronaldo dos Santos.
"Sonhamos estar entre as cadeiras que compõem o grupo, contribuindo diretamente como membros. Queremos que nossas vozes sejam ouvidas não apenas como relatos de experiências, mas como contribuições legítimas para a construção de soluções globais", colocou a egressa do Kala-Tukula e quilombola de Andrequicé (MG), Gilmara Tiju.
Encaminhamentos – Dentre as decisões finais do grupo estão a adoção de novas durações de mandatos para membros do Oeste europeu e outros, bem como os representantes de algumas organizações de povos indígenas. Além disso, a decisão Grupo da América Latina e Caribe (Grulac, em inglês) de rotacionar anualmente o representante de sua vaga, também foi reconhecida por unanimidade.
Também foram recebidas as sugestões de convites para contribuir com trabalhos relacionados aos oceanos e de reuniões intersessionais que devem acontecer mensalmente para que se possa preparar adequadamente os relatórios para o FWG16 e o plano de trabalho da LCIPP de 2028 a 2031.
Eco global – Ao longo das falas que encerraram as discussões, os participantes das mais variadas regiões do mundo ressoaram a fala de que não há competição, mas um desejo ancestral de respeito àqueles que sempre preservaram o meio ambiente e a seus modos de vida.
"A presença de mulheres negras e quilombolas nesse espaço de discussão é fundamental, especialmente quando falamos de um contexto de atravessamentos", defendeu a egressa do Kala-Tukula e quilombola de Mariana (MG), Tathiele Monic.
Em respeito a todas as populações representadas, o grupo encerrou os trabalhos com preces guatemaltecas que saudaram os ancestrais, a mãe Terra e a natureza, e com um canto Pataxó, que formou uma roda com todos os indígenas brasileiros presentes.
Valorização do conhecimento tradicional – A LCIPP é uma plataforma da UNFCCC, facilitada pelo FWG, que inclui, ao lado das Partes – os negociadores do clima –, representantes dos povos indígenas indicados pelo Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (Caucus Indígena).
A Plataforma tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências e boas práticas para o enfrentamento das mudanças climáticas de maneira holística; fortalecer capacidades para a participação e o engajamento; e reunir diversas formas de conhecimento para a elaboração e implementação de políticas e ações climáticas, valorizar, trocar e proteger conhecimentos, além de fortalecer a participação de povos indígenas e comunidades locais na UNFCCC e em seus processos, contribuindo também para o desenvolvimento de políticas e ações climáticas.