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Compartilhamento de saberes reforça trabalhos da delegação brasileira em Bonn
Foto; Thaíse Torres/MIR
A delegação brasileira – formada por representantes do Governo do Brasil e da sociedade civil –, em Bonn, na Alemanha, compartilhou, em detalhes, vivências, conhecimentos tradicionais e experiências ancestrais com os membros da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP), nesta quarta-feira (3).
O encontro buscou determinar os elementos que devem compor o conteúdo e as ações da próxima reunião do Facilitative Working Group (FWG) 16. Durante a manhã, os membros chancelaram o calendário proposto para o ano, que contempla, além de encontros virtuais e reuniões birregionais, workshops e reuniões com a juventude de indígenas e de comunidades locais.
Dentre os destaques dos próximos encontros, estão as reuniões birregionais e o 6º Encontro Anual dos Detentores de Conhecimento e a Mesa-redonda da 7ª geração. O conceito por trás da sétima geração traz que, ao se pensar como os conhecimentos do passado são estabelecidos e como podem ser compartilhados com quem ainda virá, é necessário considerar as sete próximas gerações.
Partilha de saberes – Além dos espaços de discussão em profundidade, os participantes do encontro também compartilharam suas experiências com todo o grupo durante os momentos de fala coletiva. Outra dinâmica oferecida pela organização foi a oportunidade de registrar as perspectivas de cada pessoa em um formulário. Os representantes também podiam deixar suas contribuições em uma árvore com mensagens escritas, simbolizando o semear do conhecimento.
"O que é discutido aqui dá frutos ao ser utilizado como insumo para a discussão da SB64, a Conferência da Mudança do Clima de Bonn, na qual o Governo do Brasil também estará na próxima semana", afirmou o secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos, Ronaldo dos Santos.
"Hoje a sociedade civil brasileira trouxe elementos importantes, especialmente a partir da ótica das comunidades tradicionais, evidenciando como as estratégias construídas nos territórios podem orientar decisões sobre adaptação", explica o assessor do gabinete da Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos (SQPT), Rodrigo Esteves.
Um dos tópicos mais frequentes nas discussões, que também aconteceram em pequenos grupos de debate, foi a garantia territorial pela ótica de como se pensar a natureza a partir do território. A dinâmica de discussão em grupos menores tem o objetivo de ouvir em profundidade as experiências e conhecimentos trazidos pelos povos indígenas e comunidades tradicionais.
"Tivemos os problemas das enchentes e temos nos mobilizado para que não aconteça novamente. Algumas comunidades fazem isso falando e passando adiante o que aconteceu", coloca a cigana da etnia Sinti, Rosecler Winter, que é do Rio Grande do Sul.
Valorização do conhecimento tradicional – A LCIPP é uma plataforma da UNFCCC, facilitada pelo FWG (Grupo de Trabalho Facilitador, em tradução livre), que inclui, ao lado das Partes – os negociadores do clima –, representantes dos povos indígenas indicados pelo Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (Caucus Indígena).
A Plataforma tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências e boas práticas para o enfrentamento das mudanças climáticas de maneira holística; fortalecer capacidades para a participação e o engajamento; e reunir diversas formas de conhecimento para a elaboração e implementação de políticas e ações climáticasvalorizar, trocar e proteger conhecimentos, além de fortalecer a participação de povos indígenas e comunidades locais na UNFCCC e em seus processos, contribuindo também para o desenvolvimento de políticas e ações climáticas.