Notícias
Evento da Iufro 2019 discute “Parcerias interinstitucionais para o alcance da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”
Foto: Serviço Florestal Brasileiro.
O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto; o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eduardo Sampaio; o pesquisador da Embrapa, Erich Schaitza; e o presidente da Indústria Brasileira de Árvore (IBA), José Carlos da Fonseca Jr, participaram de evento paralelo com o tema “Parcerias interinstitucionais para o alcance da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”. O debate aconteceu na tarde desta segunda-feira (30), como parta de programação do Congresso Mundial da Iufro, na Expo Unimed de Curitiba, e teve como mediadora a representante do Fórum de Florestas das Nações Unidas (UNFF, sigla em inglês), Bárbara Távora.
O secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eduardo Sampaio, abriu o encontro apresentando o Plano Nacional de Florestas Plantadas. Sampaio informou que as florestas plantadas no Brasil ocupam um total 10 milhões de hectares, ou seja, 1,2% do território nacional e são responsáveis por 90% da madeira usada no país, além de ser o terceiro item na agenda de exportação brasileira. Segundo o secretário, o objetivo do governo federal, por meio do Programa Plantar Florestas, é aumentar a área para 12 milhões de hectares até 2030, aumentando a demanda por madeira nos diversos setores da economia brasileira.
“É preciso ter um ambiente favorável para o investimento em florestas plantadas com segurança legal e mudar percepção sobre elas na sociedade, para isso, a informação a e pesquisa serão fundamentais. O Brasil participa apenas com 1,8% do mercado internacional de produtos madeireiros, existe um potencial enorme para incrementar essa participação e vamos trabalhar para aumentar esse índice”, destacou Sampaio.
O diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, falou sobre o desafio de gerir políticas públicas nas florestas do país em que se busca o desenvolvimento econômico e sustentável aliando conservação e produtividade. Colatto ressaltou, dentro da agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a implementação do Código Florestal Brasileiro por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR). “Já foram cadastrados, 6,2 milhões de imóveis rurais e o próximo passo é oferecer aos estados ferramentas para implementar a análise dinamizada do CAR. Ao fazer o raio-X dos imóveis rurais e identificarmos aqueles que possuem passivos ambientais e assim garantir aos produtores a adesão ao Programa de Recuperação Ambiental (PRA)”, afirmou Colatto.
Na oportunidade, o diretor ainda destacou outras agendas do Serviço Florestal como as concessões florestais, o Inventário Florestal Nacional e o Laboratório de Pesquisas Florestais como ferramentas de parceria interinstitucional para efetivação dos objetivos do desenvolvimento sustentável.
Pesquisa e inovação
O pesquisador da Embrapa, Erich Schaitza, defendeu a participação dos produtores rurais no desenvolvimento sustentável, com o suporte da pesquisa. “Pesquisa não alavanca desenvolvimento. Quem alavanca desenvolvimento são os produtores e as associações de produtores. É preciso ter o olho no mercado e pensar como a pesquisa, o setor público e o setor privado começam a gerar esses produtos competitivos que venham da floresta”, disse.
José Carlos da Fonseca Jr ressaltou que a IBA resulta da fusão de quatro entidades associativas que representavam o arranjo produtivo que vai da floresta plantada à indústria em seus diversos segmentos. “Cada vez mais produtos vão sendo produzidos a partir da biorrefinaria em que se transforma a árvore plantada, com a fabricação de celulose solúvel pra produção viscose. Por outro lado, o setor de energia e biomassa florestal como fonte alternativa é cada vez mais importante para compor nossa matriz energética. Outro dado importante é que para cada hectare de floresta plantada destinada a fins comerciais, conserva-se 0,7 de hectare”, completou Fonseca Jr.
Ciência e Políticas Públicas
Durante a mediação, Bárbara Távora, ressaltou a relação entre ciência e política e afirmou que, nesse sentido, os países membros da ONU têm feito suas políticas públicas com forte embasamento científico. Segundo a representante da UNFF, “a discussão sobre florestas no Brasil, que tem dimensões continentais, é muito complexa, a começar pela diferenciação entre florestas plantadas e nativas. Dessa forma, a pesquisa e a ciência ajudarão o país na elaboração de suas políticas públicas de forma fundamentada na realidade”, afirmou.
O Congresso da Iufro é maior evento da ciência florestal no mundo, onde acontecem plenárias, apresentação de pesquisas cientificais florestais e são debatidos temas gerais sobre a agenda florestal. Nesta edição, os temas são: Florestas para as pessoas; Florestas e mudanças climáticas; Florestas e produtos florestais para um futuro mais verde; Biodiversidade, serviços ambientais e invasões biológicas e; Florestas, interações com solo e água.

