20 anos SFB
De 11 de março a 12 de abril de 2026, o público poderá conhecer, no Museu da República, em Brasília, a trajetória dos 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a importância de suas políticas de manejo e conservação para o território e a biodiversidade do Brasil.
A exposição O Brasil das Florestas: 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro, apresenta a criação da instituição como um marco na consolidação da gestão do patrimônio natural como eixo do desenvolvimento sustentável do País. O percurso da mostra vai do Inventário Florestal Nacional, que traduz o território em indicadores sobre a saúde das florestas, às políticas de concessão, manejo sustentável e fomento à bioeconomia, articulando produção, conservação e valorização de saberes locais.
Gestão florestal à vista do público
A abertura ao público simboliza a decisão de tornar visível uma agenda que tradicionalmente se desenvolve nos bastidores da administração pública. Segundo o diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, “a gestão florestal é mantida por dados, contratos, fiscalização e planejamento territorial, instrumentos que raramente aparecem no cotidiano da sociedade. Ao apresentar esse percurso, damos transparência ao uso sustentável das florestas públicas e reconhecemos o trabalho técnico e humano que sustenta essa construção. Comunidades, servidores, pesquisadores e trabalhadores transformam manejo em desenvolvimento e conservação em oportunidade. Dar visibilidade a esse processo também é parte da responsabilidade institucional assumida ao longo desses 20 anos.”
Memória institucional e pesquisa acadêmica
Para contar essa história, a exposição apresenta documentos, objetos, imagens e vídeos organizados a partir do projeto de pesquisa sobre a memória institucional do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Desenvolvido por equipe do Departamento de Artes Visuais, do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), o trabalho de levantamento e ativação do acervo revela não apenas registros técnicos e institucionais, mas também narrativas que envolvem práticas de manejo sustentável e as experiências daqueles que as constroem.
A curadoria também integra obras de artistas que abordam a floresta como campo de investigação, mostrando como o tema atravessa procedimentos, materiais e modos de fazer – por exemplo, na exploração da madeira como suporte.
A mostra articula território e memória institucional em núcleos dedicados à ciência, aos dados, à economia e à gestão dos recursos naturais, relacionando essas dimensões aos diferentes biomas brasileiros, como Amazônia, Caatinga, Pampa, Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado. O acervo técnico e artístico se entrelaça, apontando novas formas de compreender a floresta, suas práticas de manejo e seu potencial para futuros sustentáveis.
A floresta como linguagem artística
“A proposta é apresentar ao público a memória institucional do SFB e, ao mesmo tempo, mostrar a importância da arte como linguagem capaz de revelar elementos da floresta na produção artística”, explica a curadora da exposição, professora doutora Cinara Barbosa, do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília. “A seleção de obras e artistas considera a floresta como campo de investigação material, conceitual e processual, de modo que o território emerge ora como representação, ora como matéria ou, ainda, como campo simbólico da natureza, ampliando a compreensão e a reflexão sobre criação, cuidado e sustentabilidade.”
A produção artística da exposição dialoga com os biomas e com a experiência da floresta, refletindo sobre sua materialidade, simbologia e práticas humanas.
Artistas viajantes e cartografias da floresta
A exposição também reúne artistas que investigam a representação da floresta ou retomam a tradição dos artistas viajantes por meio de suas pesquisas. Bárbara Savannah (PA) apresenta pinturas sobre cultura popular amazônica e paisagens ribeirinhas, incluindo representações em preto e branco da floresta. Christus Nóbrega (PB/DF), no projeto Expedição Outono, apresenta sua jornada pelo estado do Acre em busca do desconhecido, estabelecendo um diálogo entre o extrativismo botânico histórico e formas de controle de corpos vegetais e humanos. Por meio de uma série de fotografias, o trabalho tensiona os conceitos de identidade e fronteira, transformando o ato da errância em método de pesquisa artística.
Gisel Carriconde Azevedo propõe uma instalação inédita de cadernos de viagem, anotações, desenhos e aquarelas sobre a Mata Atlântica, enquanto Isabela Couto, artista representativa da aquarela no Distrito Federal, apresenta ilustrações e pinturas de observação de expedição na floresta amazônica.
Outros artistas exploram relações entre biomas, natureza e práticas humanas, como Enthony Sousa, Carlo Batistella e Jeff Duprado. Aislan Pankararu (PE), artista indígena contemporâneo, utiliza elementos pictóricos tradicionais de seu povo para criar desenhos e pinturas, como na obra A Força do Giro (2024).
Memórias do sertão e pioneirismo ecológico
Nilda Neves desenvolve uma produção intimamente conectada à cultura do sertão e às memórias de sua infância vivida na roça e na caatinga. Suas pinturas transformam experiências pessoais em imagens marcadas por identidade, afeto e sensibilidade, valorizando narrativas e tradições do interior do Brasil.
Yashira, nome artístico de Raimunda Luci de Souza, nasceu em 1935 e faz parte de um grupo de pioneiras do pensamento ecológico do Centro-Oeste. Artista plástica e poeta, construiu uma trajetória marcada pela defesa da natureza, da paz e da espiritualidade. Desde os anos 1970, desenvolve uma pesquisa que transforma materiais recicláveis em obras de forte caráter simbólico, antecipando discussões ambientais contemporâneas. Aos 94 anos, sua produção reafirma a relação entre mulher, arte e forças da natureza, evidenciando a criação artística como gesto de consciência e cuidado.
Coletivamente, essas obras reafirmam a integração entre natureza, arte e sociedade, evidenciando como a floresta atravessa a produção estética, a cultura e os modos de vida.
Artistas participantes
Aislan Pankararu, Bárbara Savannah, Carlo Batistella, Chico Silva, Christus Nóbrega, Domingos Trindade Lopes, Enthony Sousa, Francisco Galeno, Gisel Carriconde Azevedo, Isabela Couto, Ismael de Dedé, Jeff Duprado, José Ivacy, Nilda Neves, Paulo Sérgio e Yashira.
Equipe e realização
Equipe do SFB na execução do projeto
Produção Executiva
Juliana Mendes Gomes
Ludmilla Lima de Souza Tyski Techuk
Equipe de Produção
Alexandre Bahia Gontijo
Claudene Menezes Atayde Calderon
Fernando Mafra Pelanda
Mariane Brenner Sarmento
Rafael de Azevedo Calderon
Tatiane Ioly Canton Souza
Projeto Memória Institucional do Serviço Florestal Brasileiro / Departamento de Artes / Instituto de Artes / Universidade de Brasília
Coordenação-geral: Profa. Drª. Thérèse Hofmann Gatti e Vice-coordenação e curadoria: Profa. Drª. Cinara Barbosa de Sousa
Serviço
- Exposição: O Brasil das Florestas: 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro
- Onde: Museu da República, Brasília (DF)
- Abertura oficial: 11 de março de 2026
- Visitação: 11 de março a 12 de abril de 2026
- Entrada: Gratuita
- Classificação indicativa: Livre para todos os públicos