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Dirigentes dos Serviços Florestais do Brasil e dos Estados Unidos se reúnem para discutir acordos bilaterais
Foto: Serviço Florestal Brasileiro.
O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, e a chefe do Serviço Florestal dos Estados Unidos, Vicki Christiansen, acompanhados de dirigentes das entidades, se reuniram na tarde dessa segunda-feira (30/09) para conversar sobre os programas desenvolvidos por cada órgão e a possibilidade de acordos de cooperação e parcerias bilaterais. O encontro aconteceu no âmbito do 25º Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) que acontece na cidade de Curitiba até o dia 5/10, na Expo Unimed.
Valdir Colatto detalhou as principais ações desenvolvidas pelo Serviço Florestal, com ênfase na implementação do Código Florestal Brasileiro por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR); nas informações sobre a flora brasileira, distribuída nos 6 biomas, obtidas pelo Inventário Florestal Nacional (IFN), nas concessões florestais como forma de garantir o desenvolvimento sustentável nas áreas de florestas públicas e no Portal Saberes da Floresta, que mantém cursos a distância para os povos e comunidades tradicionais.
O diretor-geral explicou que, a despeito dos 851 milhões de hectares que formam o território brasileiro, 6,2 milhões de imóveis rurais já foram cadastrados, totalizando uma área de 531 milhões de hectares. Destacou ainda que o governo lançará neste mês a análise dinamizada do CAR nos estados como forma de agilizar o Programa de Recuperação Ambiental (PRA) para regularizar a situação dos produtores com passivos ambientais. Colatto ainda explicou a estratégia, em parceria com a Embrapa, de disponibilizar, aos produtores, informações técnicas de recomposição vegetal.
Sobre o Inventário Florestal Nacional, o dirigente brasileiro, informou à delegação americana sobre a realização do inventário em 18 estados, cobrindo uma área de cerca de 420 milhões de hectares, que representam 49% do país. Destacou ainda que as informações coletadas até o momento formam um completo levantamento de dados biofísicos e socioambientais e que o maior desafio atual é a implementação do IFN na Amazônia.
Em relação às concessões, Colatto afirmou que a estratégia do atual governo em colocar o Serviço Florestal no escopo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é fazer com que as florestas federais sejam propulsoras do desenvolvimento sustentável, aliando conservação e produtividade. Para o diretor, as concessões florestais mostram ser o caminho mais eficaz, assim, a meta é aumentar a área concedida para 5 milhões de hectares, até 2022.
“Outra meta do governo brasileiro para diminuir a pressão sobre a floresta nativa, é incrementar a área de florestas plantadas, que atualmente, ocupa uma área em torno 10 milhões de hectares e, ainda assim, representa 90% da madeira usada no país e exportada”, disse Colatto.
Gestão Florestal Norte-Americana
Vicki Christiansen apresentou o órgão americano, que também é vinculado ao Ministério da Agricultura e é a única agência de gestão de terras que está fora do Ministério do Interior dos Estados Unidos. Além disso, administra 154 florestas nacionais e 20 áreas de proteção ambiental, que totalizam 780 mil Km².
A chefe do Serviço Florestal americano ainda falou dos programas sob sua gestão, que incluem o Sistema Nacional de Florestas, Florestas Estaduais e Privadas, Pesquisa e Desenvolvimento e Operações de Negócios, responsável pela administração de 25% das terras federais.
Chrisrtiansen disse que os Estados Unidos realizam um trabalho semelhante ao brasileiro na produção de um inventário florestal e monitoramento, que é a base americana de dados florestais. Esse trabalho visa harmonizar e acompanhar os dados, buscando a disponibilização deles e o aprimoramento na coleta dessas informações. Além disso, ela informou sobre projetos de cooperação que são desenvolvidos com América Latina e, no Brasil, se dão no setor de produtos não-madeireiros como a produção de castanhas, açaí e pirarucu, e no setor madeireiro, na gestão sustentável das comunidades.
“Estou impressionada com a ampla, diversa e eficiente atuação do Serviço Florestal Brasileiro frente às políticas de desenvolvimento sustentável das florestas. Estamos comprometidos na execução de projetos globais e ambientais e queremos fortalecer parcerias com o Brasil, sobretudo em relação às experiências com as comunidades tradicionais que vivem nas florestas”, completou Vicki Christiansen.
A chefe do Serviço Florestal Norte-Americano concordou ainda com a manifestação do diretor brasileiro de que, considerando que a Amazônia presta serviços ambientais primordiais para toda a humanidade, os países devem colaborar com a conservação deste patrimônio por meio de instrumentos como o Pagamento por Serviços Ambientais.
O encontro fez parte das atividades paralelas do 25º Congresso Mundial da Iufro 2019. Na programação de hoje consta a plenária “ Biodiversidade, serviços ecossistêmicos e invasões biológicas”, além de debates paralelos, mesas técnicas, exposição e feira da sociobiodiversidade.
