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Casas de Carbono serão construídas para estimar estoque de carbono nas florestas brasileiras
Foto: Serviço Florestal Brasileiro.
O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) irá implantar dois laboratórios de inventário e mensuração florestal para a estimativa de biomassa e carbono nas florestas, entre outras pesquisas relacionadas. Chamados de Casas de Carbono, os laboratórios também irão apoiar no processamento de dados do Inventário Florestal Nacional (IFN).
Para a implementação, o diretor-geral do SFB, Raimundo Deusdará Filho, assinou termos de execução descentralizada com as universidades federais do Acre (UFAC) e do Amazonas (UFAM). Os termos foram publicados no Diário Oficial da União, no dia 6 de novembro.
No total, as duas universidades receberão um investimento de mais de R$ 1,7 milhão para a construção das Casas de Carbono, que serão responsáveis também pela sua administração. Repassado pelo Serviço Florestal, o recurso é oriundo do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia parte da execução do IFN na Amazônia.
A biomassa e o estoque de carbono nas florestas já são medidos pelo Inventário Florestal. O objetivo com a iniciativa é desenvolver novas equações e aperfeiçoar os cálculos. “As poucas equações já desenvolvidas no Brasil não contemplam todas as tipologias florestais, estágios de desenvolvimento e grau de degradação das florestas existentes em todas as regiões do país”, explicou o diretor de Pesquisa e Informações Florestais do SFB, Joberto Freitas.
De acordo com ele, o desenvolvimento de equações será importante principalmente para a Amazônia. “A região tem grande área coberta por florestas e o porte dessas florestas representa um enorme estoque de biomassa, se comparado com outros biomas do país”, ressaltou.
Para o professor do curso de Engenharia Florestal da UFAC, Marco Antônio Amaro, a parceria fortalecerá a formação dos alunos e o desenvolvimento científico. “Nossos alunos de graduação e pós-graduação irão gerar essas informações e isso amplia a possibilidade de formar essas pessoas em treinamento direto”, comentou.
O projeto prevê a realização de atividades de treinamento e capacitação e o pagamento de bolsistas. “Desse modo, também irão aumentar nossas publicações científicas, fortalecendo tanto a universidade quanto os cursos em Engenharia Florestal”, disse Amaro.
Estoques florestais
Os estoques das florestas são resultados da produção biológica de matéria orgânica através da fotossíntese, que resulta na biomassa florestal. Parte desta biomassa pode ser convertida em produtos madeireiros e não madeireiros, que apresentam utilidade econômica, social e ambiental, como o combate às mudanças climáticas.
A biomassa das florestas encontra-se armazenada em diferentes compartimentos, compreendendo a biomassa viva acima do solo, composta por folhas, galhos, casca e lenho; a biomassa subterrânea, que são as raízes vivas; a biomassa morta (necromassa); a serrapilheira e a matéria orgânica do solo, que inclui as partes já decompostas.
Assim, a biomassa total de um ecossistema florestal é dada pela soma de todos esses componentes, tornando possível a quantificação do estoque de carbono equivalente.
Sobre o IFN
O Inventário Florestal Nacional (IFN) é uma iniciativa coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.
Em todo o país, equipes vão a campo medir as árvores, analisar sua saúde e vitalidade, coletar amostras do solo e de material botânico, entre outros aspectos. Além disso, são realizadas entrevistas com moradores que vivem no entorno das áreas amostrais para conhecer a percepção da comunidade sobre os recursos florestais e seu uso.
O objetivo é conhecer não só a quantidade dos recursos florestais como também o estado de conservação e a biodiversidade das florestas, contribuindo para a formulação de políticas públicas de desenvolvimento, uso e conservação florestal.