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III Prêmio SFB: Os caminhos da floresta
Foto: Serviço Florestal Brasileiro.
O paulista, de 29 anos, Alan Batista, engenheiro florestal da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), formado pela Universidade de São Paulo (USP – Esalq) e mestre em Economia Florestal pela Universidade do Leste da Finlândia, observou que as concessões florestais têm um papel fundamental para agregação de valor econômico e social às florestas nacionais, na medida em que geram emprego e renda em regiões geralmente carentes, neste sentido.
“Com a criação da Lei da Gestão de Florestas Públicas, em 2006 – data da criação do Serviço Florestal Brasileiro – o país mudou o paradigma histórico de políticas públicas voltadas para conservação integral, para desenvolver, de fato, uma economia sustentável de longo prazo na Amazônia”, explicou Alan.
Mas observou que nem todas as áreas oferecidas para concessão foram, de fato, concedidas. Alan resolveu, então, investigar porque nem sempre as áreas oferecidas atraiam o setor privado.
“Partimos de três hipóteses para responder a esta pergunta: não é rentável, do ponto de vista microeconômico; os royalties pagos à agência reguladora pelos concessionários são muito altos; e falta de otimização do plano de manejo de forma a agregar valor à concessão”, contou.
Em seus estudos, Alan Batista chegou à conclusão de que, do ponto de vista do concessionário, a otimização pode, sim, agregar valor ao seu produto. Otimizando a coleta da madeira, a partir de informações do inventário, porque o concessionário pode colher, no máximo, 21,5 metros cúbicos por hectare e, segundo o estudioso, nem sempre o mais rentável vai ser colher até o limite permitido.
Retorno Financeiro
“Baseado nas informações de distância de arrasto da tora em relação ao pátio da madeireira, de volume individual da árvore e o preço de mercado daquela espécie, o Programa de Otimização informa quais árvores o concessionário deve colher daquele universo mostrado no censo”, detalha Alan, acrescentando que o uso desta ferramenta agrega, sim, valor à madeira, com retorno de até 9,5%.
O pesquisador defende que é preciso ver até que ponto o Governo pode reduzir o valor arrecadado pelo metro cúbico de madeira, em busca do ponto de inflexão da curva para que o negócio se torne atrativo.
“Você estimula, com o preço mínimo, e aí você consegue conceder mais áreas. Com isso, o Governo pode estar arrecadando mais recursos. No específico, ganha menos, mas, na escala, ganha mais”, propõe o pesquisador.
“O terceiro elemento não tem governança garantida, pois depende da política macroeconômica, e fatores como taxa Selic e inflação”, alerta. Ele lembra que a rentabilidade deste tipo de negócio, de longo prazo, vai depender de uma estabilização econômica, do aumento do preço da madeira – com o combate ao comércio clandestino.
“A ilegalidade, mesmo sendo pouca, vai sempre puxar o preço para baixo”, analisa Pereira. Ele avalia que, neste aspecto, o Governo tem feito sua parte e a sociedade, com as novas técnicas de rastreamento, também tem contribuído, com algumas iniciativas como a Bolsa Verde, do Rio de Janeiro. “Acho que, teste aspecto, sim, uma luz no fim do túnel.
Conheça aqui o trabalho na íntegra e os demais ganhadores do III Prêmio Serviço Florestal Brasileiro em Estudos de Economia e Mercado Florestal.