Notícias
Entrevista
Conheça o vice-presidente do CRSFN
Formado em Direito pela UFRJ em 1998, Gryecos atua na advocacia bancária desde 1996, iniciando como estagiário. É advogado de carreira da CAIXA Econômica Federal desde 2005 e integra a alta administração do Jurídico do banco desde 2013. Exerceu o cargo de Diretor Jurídico, posição que, na CAIXA, equivale a c-level, por cerca de cinco anos, durante a gestão completa de três presidentes da instituição. Participou também da Comissão Jurídica da Febraban entre 2015 e 2022. No campo acadêmico, é especialista, Mestre e Doutor em Direito, com experiências educacionais na The University of Chicago Booth Executive School of Business e na Indiana University. Sua atuação como Conselheiro Fiscal e Conselheiro de Administração em empresas privadas e em fundo de pensão proporcionou-lhe uma visão mais ampla do cenário regulatório, permitindo vivenciar tanto a perspectiva daqueles que normatizam e fiscalizam o cumprimento das regras quanto a dos operadores de mercado, sujeitos a diversas obrigações.
Ao avaliar a importância do CRSFN para a solidez e o adequado funcionamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN), o Conselheiro Gryecos destaca que o Colegiado desempenha um papel fundamental na estrutura do SFN, especialmente por sua capacidade de consolidar entendimentos e definir diretrizes para as Autarquias em matérias sujeitas à apuração por processo administrativo sancionador. Ele ressalta, ainda, que a composição paritária do Colegiado é essencial para a legitimidade das decisões, pois garante que a voz dos operadores de mercado esteja presente nos julgamentos, característica que confere maior equilíbrio e assegura decisões mais adequadas sob a ótica do contraditório e da ampla defesa.
Considerando sua experiência no Conselho, Gryecos acredita que sua participação esteja alinhada com a dos atuais Conselheiros e com a daqueles que o precederam. Ele observa que o histórico do CRSFN revela uma longa trajetória de Conselheiros dedicados e ciosos de suas responsabilidades. Além disso, reforça que o legado que deve prevalecer é o do Colegiado, verdadeiro titular da representatividade perante o Sistema Financeiro Nacional.
O Conselheiro também enfatiza que o CRSFN encerrou o ano de 2025 com uma gestão digna de reconhecimento. O cumprimento de todas as metas previstas, aliado ao estabelecimento de objetivos claros para 2026, demonstra que a gestão é consciente e focada na implementação das melhores práticas de governança corporativa. Para o futuro, que considera sempre um mar aberto, aponta como desafio consolidar a imagem do CRSFN como uma instância plural e paritária, afastando-o ainda mais da antiga percepção de instância administrativa recursal em sentido formal. A composição paritária faz do CRSFN um Conselho materialmente distinto das Autarquias e demais instituições que constituem as instâncias de julgamento iniciais. Segundo Gryecos, no CRSFN os processos são realmente submetidos a uma reanálise, evidenciada pela profundidade dos debates que ocorrem com frequência durante as sessões de julgamento.
No decorrer de sua experiência como Conselheiro, Gryecos se deparou com processos e deliberações complexas e singulares, que representaram uma grande oportunidade de aprendizado com a inteligência de seus pares. Entre esses processos, destacou o emblemático “caso do Pronaf”, que, na realidade, envolveu diversos processos. Esses processos chegaram ao CRSFN após uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) realizada há mais de 20 anos, envolvendo diversos Ministérios e Instituições Públicas. Além disso, o caso envolvia a atuação pretérita e técnica de importantes representantes da Advocacia de Estado, como a Procuradoria-Geral do Banco Central (PGBC), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Advocacia-Geral da União (AGU). Para aumentar a complexidade, havia beneficiários de um programa social, pequenos agricultores hipossuficientes, surpreendidos com um processo conduzido pelo Banco Central, envolvendo suposta lesão ao Sistema Financeiro Nacional. Gryecos ressalta que foi um caso desafiador para o CRSFN em diversas dimensões e acredita que a solução encontrada pelo Colegiado foi a mais adequada, sendo um excelente exemplo para estudo.
Ao ser questionado sobre sua contribuição como vice-Presidente, Gryecos explica que essa posição é destinada aos Conselheiros indicados pelo setor privado, circunstância que, por si só, evidencia a força da paridade no âmbito do CRSFN. Além da equidade no julgamento, o alinhamento na representatividade do Conselho indica que o Sistema Financeiro Nacional busca um ambiente de harmonia entre os diversos atores que o compõem. Sob uma perspectiva ontológica, ele destaca que esse alinhamento pode, de um lado, orientar a criação de políticas e instrumentos regulatórios e, de outro, auxiliar o intérprete no desvelamento hermenêutico capaz de implementar sua conduta operacional.
08/01/2026
