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TRANSFORMAÇÃO ECOLÓGICA
Ministério da Fazenda se une às universidades, acelera Núcleos de Inovação Tecnológica e promove a transformação ecológica
Representantes de diferentes ministérios participaram, na segunda-feira (6/4), no auditório da Finatec, na Universidade de Brasília, da abertura do “NIT em foco: Acelerando Universidades Inovadoras”, evento onde puderam trocar experiências e alinhar ainda mais o discurso de colocar o tema do meio ambiente e da inovação no centro do debate da estratégia de desenvolvimento nacional.
Em 2025, o projeto “Acelera NIT Brasil” selecionou 20 Núcleos de Inovação Tecnológica de universidades federais. Com investimento de R$ 3,76 milhões, destinado via Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundep/UFMG), os NITs têm sido incentivados e apoiados em três frentes: trilhas de aceleração e formação, consultoria individualizada no formato concierge e aporte de recursos financeiros. Os NITs tem diferentes níveis de progresso: nascente, intermediário e consolidado.
Os projetos selecionados e acelerados estão alinhados com programas estratégicos, como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica (PTE). Dessa forma, as propostas aprovadas dos NITs se conectam a pelo menos um tema prioritário dessas agendas, como cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais, infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis, bioeconomia, descarbonização e transição energética.
Inovação, empregos verdes e geração de renda
A subsecretária de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, Carolina Grottera, fez questão de pontuar que o PTE é um plano amplo e se propõe a desenhar, junto a outras frentes, um novo modelo de desenvolvimento para o país. “Procuramos alcançar objetivos que sejam econômicos e sociais, sobretudo gerar empregos verdes qualificados e ganhos de produtividade. E isso não vai acontecer sem a inovação e sem o papel das universidades.”
Seguindo a mesma linha de raciocínio, a secretária de Economia Verde e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Julia Cruz, lembrou que, se de um lado existe hoje uma série de forças nos empurrando para problemas de perda de força de trabalho, do outro ocorre o contrário, com geração de novas oportunidades de ganhos e empregos utilizando inovação e tecnologia.
A coordenadora-geral de Inovação Verde do Ministério da Fazenda, Carina Vitral, reforçou a importância do programa “Acelera NIT Brasil” no sentido de conectar as estruturas das universidades às empresas. “O conhecimento produzido dentro das instituições de ensino deve chegar ao mercado na forma de produtos e serviços inovadores, melhorando a produtividade brasileira e a qualidade de vida da população, gerando também novos postos de trabalho.”
Acelera NIT Brasil terá ciclo 2
Carina Vitral alertou que as mudanças climáticas têm desafiado todas as áreas e que as universidades têm papel fundamental na construção de um Brasil com modelos inovadores de desenvolvimento e transformação ecológica. Ela comemorou ainda a abertura de um novo edital para o segundo ciclo do “Acelera NIT Brasil”, quando mais 12 núcleos serão selecionados e irão, novamente, fortalecer os eixos do Plano de Transformação Ecológica (PTE) e outros programas estratégicos.
O representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Henry Philippe de Novion, ressaltou o alinhamento entre os ministérios. “É gratificante ver que os ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia (e Inovação) e (do Desenvolvimento,) a Indústria (Comércio e Serviços) estão tendo um discurso alinhado com o Ministério do Meio Ambiente (e Mudança do Clima). A gente sai do lugar em que precisava sempre lembrar os outros atores da importância do desenvolvimento sustentável e passa a ser um agente conjunto.”
A diretora de Desenvolvimento Acadêmico da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Lucia Campos Pellanda, apresentou um balanço das iniciativas, projetos e políticas públicas adotadas pelo MEC para o fomento à inovação e à tecnologia. Um deles é o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que já conta com mais de 3 mil cursos - a meta é chegar a 5 mil em três anos.
Destacando que as universidades públicas realizam 90% das pesquisas no país, a diretora anunciou também o ciclo 2 do Acelera NIT Brasil. Lúcia Pellanda apresentou ainda dados da primeira rodada do Acelera NIT Brasil, que contou com 62 inscritas no edital — das 69 universidades existentes no Brasil — com maior concentração de NITs no nível intermediário.
Professora, pesquisadora e ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida é uma das responsáveis por estruturar o programa Acelera NIT a partir da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG, considerada uma das mais avançadas e proativas do país. A professora comentou a percepção comum de que a academia é fechada. Para ela, o pesquisador brasileiro quer inovar, porém, o desconhecimento da legislação, por exemplo, dificulta a eliminação de barreiras para a interação com a sociedade, a iniciativa privada e investidores. “E a comunidade externa, as empresas, às vezes também não têm esse conhecimento. Elas precisam saber que podem contar com a universidade, fazer pesquisa dentro dela, com todo o apoio de uma estrutura já existente e, muitas vezes, com garantias de quem já desenvolve um trabalho de excelência.”
Programação vai até quarta-feira
Participaram também do evento o secretário substituto de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Hideraldo Luiz de Almeida; o coordenador do Laboratório de Inovação da Advocacia Geral da União, Bruno Monteiro Portela; a professora e ex-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraya Smaili; e a presidente do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec), Ana Lúcia Vitale.
O “NIT em foco: Acelerando Universidades” ocorre no Auditório da Finatec, em Brasília/DF, e as atividades se estendem até quarta-feira (8/4), com mesas de debate, estudos de caso e uma rodada de parcerias estratégicas com o Sebrae. A programação completa pode ser acessada pelo site do evento.
