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Dívida Pública Federal diminui em março e fecha o mês em R$ 8,633 trilhões, mostra o Tesouro Nacional
O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) apresentou redução de 2,34% em termos nominais, baixando de R$ 8,840 trilhões em fevereiro para R$ 8,633 trilhões no mês passado. A variação foi motivada pelo resgate líquido de R$ 305,39 bilhões, neutralizado em parte pela apropriação positiva de juros de R$ 98,08 bilhões, segundo o Tesouro Nacional.
Já a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) teve redução de 2,46% no seu estoque, passando de R$ 8,511 trilhões para R$ 8,301 trilhões no período, devido ao resgate líquido de R$ 302,32 bilhões, que também foi neutralizado, em parte, pela apropriação positiva de juros, no valor de R$ 93,01 bilhões.
Com relação ao estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe), houve aumento de 0,61% sobre fevereiro, com o mês de março fechando em R$ 331,64 bilhões (US$ 63,54 bilhões). Desse valor, foram R$ 282,39 bilhões (US$ 54,10 bilhões) referentes à dívida mobiliária e R$ 49,25 bilhões (US$ 9,44 bilhões) relativos à dívida contratual.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (27/04) em coletiva de imprensa virtual, durante apresentação do Relatório Mensal da Dívida (RMD) de março de 2026, produzido pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Participaram o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias; o coordenador-geral substituto de Controle e Pagamento da Dívida Pública, Daniel Mário Alves de Paula; o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luiz Fernando Alves; e o gerente de Planejamento Estratégico do Tesouro Direto, Fernando Eurico Garrido.
Acesse o Relatório Mensal da Dívida de março de 2026, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional
Conjuntura
Na avaliação do Tesouro, em março a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou a aversão ao risco, enquanto a alta do petróleo reforçou a expectativa de manutenção de juros elevados nas principais economias. “A intensificação do conflito entre Irã e Estados Unidos contribuiu para que o preço do petróleo subisse e isso levasse os agentes no mundo inteiro a rever as expectativas inflacionárias e, consequentemente, de política monetária ao redor do mundo”, comentou Helano Borges.
Nesse cenário, a curva de juros local ganhou nível, reagindo a expectativas quanto à política monetária local e externa, além de tensões no cenário geopolítico externo. A curva subiu mais de 100 pontos base na faixa intermediária, enquanto na parte longa a alta ficou em torno de 50 pontos base.
Emissões e resgates
As emissões da DPF em março corresponderam a R$ 93,30 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 398,68 bilhões, resultando em resgate líquido de R$ 305,39 bilhões. Desse valor, R$ 302,32 bilhões foram resgate líquido da DPMFi e R$ 3,07 bilhões, resgate líquido da DPFe.
Das emissões de títulos da DPMFi, R$ 75,67 bilhões (81,12%) foram de títulos atrelados a taxa flutuante, outros R$ 12,20 bilhões (13,08%) indexados a índice de preços e R$ 5,34 bilhões (5,73%) foram títulos com remuneração prefixada.
O coordenador-geral explicou que, em decorrência da maior volatilidade, o Tesouro tende a reduzir o volume de emissões, ao mesmo tempo em que aumenta a emissão de flutuantes. “Com a maior aversão a risco, o que a gente observou foi uma maior concentração das emissões nas LFTs, tendo em vista que os investidores tendem a demandar esse título em momentos de maior incerteza”, destacou Helano Borges.
Detentores
Entre os detentores da dívida, o estoque de Instituições Financeiras diminuiu no mês, com sua participação relativa baixando para 31,47% da DPMFi, enquanto o grupo Previdência aumentou sua participação para 23%. Os Fundos de Investimento representaram 20,8% e os Não-residentes fecharam março com 10,70%.
A participação das Instituições Financeiras passou de R$ 2,703 trilhões para R$ 2,612 trilhões, enquanto o estoque do grupo Previdência diminuiu R$ 13,19 bilhões, totalizando R$ 1,909 trilhão. Já os Fundos de Investimento passaram de R$ 1,837 trilhão para R$ 1,731 trilhão. Os Não-Residentes registraram R$ 888,66 bilhões em estoque.
Custo médio
O custo médio acumulado da DPF nos últimos 12 meses passou de 11,90% a.a. em fevereiro para 12,20% a.a. em março. Já o custo médio acumulado em 12 meses da DPMFi cresceu de 12,67% a.a. para 12,86% no período.
Com relação à DPFe, o custo médio passou de -5,76% a.a. para -3,37% a.a., devido principalmente à apreciação do dólar de 1,36% em relação ao real, no mês passado, contra a depreciação de 1,82% registrada em março de 2025.
Colchão de liquidez
A reserva de liquidez teve uma redução nominal de 25,73%, passando de R$ 1,192 trilhão em fevereiro para R$ 885,42 bilhões em março. Por outro lado, em relação ao mesmo mês do ano passado (R$ 869,24 bilhões), houve crescimento nominal de 1,86%.
Segundo Helano Borges, a reserva de liquidez está em 5,69 meses, ou seja, o Tesouro pode ficar quase seis meses sem emitir que a reserva ainda será suficiente para cumprir as obrigações. “A gente está observando uma tendência de queda do índice de liquidez, muito em função de grandes vencimentos que a gente tem, uma sequência de grandes vencimentos”, explicou, acrescentando que após setembro esse índice deve subir em torno de três meses.
Tesouro Direto
As emissões do Tesouro Direto em março atingiram R$ 14,791 bilhões – o que representa o maior valor da série histórica até hoje –, enquanto os resgates corresponderam a R$ 11,009 bilhões, resultando em emissão líquida de R$ 3,781 bilhões. O título mais demandado pelos investidores foi o Tesouro Selic, que respondeu por 52,72% do montante vendido.
O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 233,450 bilhões, com aumento de 2,87% em relação a fevereiro. O título com maior representação no estoque é o Tesouro Selic, que corresponde a 36,54% do total.
Segundo o gerente de Planejamento do Tesouro Direto, Fernando Garrido, “houve número expressivo de operações em março, refletindo um número grande de compras”, sendo que as operações até R$ 5 mil – de pequenos investidores – responderam por 73% do total.
Em relação ao número de investidores ativos, também houve crescimento, chegando ao final de março com 3,4 milhões de investidores que têm títulos do Tesouro Direto. “Isso representa uma variação de aproximadamente 16% em relação a março do ano passado”, salientou Garrido.
Cenário de abril
No mês de abril, o Tesouro já observa uma reversão do movimento de aversão a risco ocorrido em março, em função da evolução das negociações e tratativas em torno do conflito entre Estados Unidos e Irã, que contribuiu para a redução do preço do petróleo. “Ainda está em patamar mais elevado do que há alguns meses, mas isso foi positivo no sentido de reduzir a aversão a risco dos investidores”, frisou Helano Borges.
Ele comentou que os pares do Brasil se beneficiaram desse movimento. No caso do Brasil, houve repercussão positiva sobre a curva de juros, que acabou cedendo 25 pontos base. “Esse movimento, o vetor externo, foi o principal condicionante negativamente no mês de março e agora em abril a gente vê uma certa reversão”, reforçou.
Os dados das ofertas públicas de abril já incluem uma emissão interna da casa de quase R$ 169 bilhões, com “uma certa melhora da composição em relação ao que foi observado no mês passado”.
A parcela flutuante ainda foi relevante, mas a parcela de prefixado voltou a ganhar espaço. “Provavelmente, se a gente tem mais um leilão, a gente deve superar R$ 200 bilhões de emissão no mês, porque também computamos aqui a emissão externa que a gente realizou em euros, da ordem de 5 bilhões de euros em três tranches”, acrescentou. “Foi uma operação muito bem sucedida, muito bem recebida no mercado internacional, contribuindo para que a gente já volte a operar num ritmo mais próximo à normalidade. E também mostrando que a atuação extraordinária foi relevante para esse processo de recuperação do mercado ao longo do mês de abril.”
Confira a entrevista coletiva concedida pelo Tesouro Nacional sobre o Relatório Mensal da Dívida de março de 2026
![27/04/2026 - [STN] Coletiva Relatório Mensal da Dívida Pública](https://live.staticflickr.com/65535/55234658278_d82203c3c7_c.jpg)