Notícias
TRIBUTOS
Arrecadação federal atinge R$ 229,2 bilhões em março de 2026, melhor resultado para o mês desde 2000
A arrecadação total das receitas federais alcançou R$ 229,249 bilhões em março de 2026, com crescimento real de 4,99% em relação ao mesmo mês do ano anterior (R$ 209,673 bilhões), já descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com crescimento nominal de 9,34%, o resultado representa o melhor desempenho para meses de março desde o início da série histórica, em 2000.
No acumulado de janeiro a março, a arrecadação somou R$ 777,117 bilhões, com alta real de 4,58% e nominal de 8,95% sobre o valor do primeiro trimestre de 2025 (R$ 713,291 trilhões), também configurando o maior valor para o período da série histórica.
Os dados foram divulgados pela Receita Federal do Brasil (RFB) em entrevista coletiva na terça-feira (28/4), em Brasília. Participaram o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, auditor fiscal Claudemir Malaquias, e o coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, auditor fiscal Marcelo Gomide.
O desempenho da arrecadação no mês reflete, principalmente, o comportamento das receitas administradas pela Receita Federal, com destaque para tributos vinculados ao comércio exterior, à renda e às operações financeiras. No período, observou-se crescimento relevante nas receitas de contribuição previdenciária, PIS/Cofins e IOF, além do avanço das receitas associadas às importações.
No caso do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o resultado foi influenciado pelo encerramento do ciclo de ajuste das empresas, com desempenho positivo dessa modalidade, especialmente no segmento financeiro.
De acordo com Claudemir Malaquias, “a declaração de ajuste do lucro real deste ano das empresas veio com desempenho bastante satisfatório, com crescimento de 2,46%, puxado pelo segmento financeiro, que teve um crescimento em relação ao ano anterior de 41,19%”.
Fatores explicativos
O resultado da arrecadação em março foi influenciado por fatores macroeconômicos e por alterações na legislação tributária. Entre os indicadores econômicos, destacam-se a queda de 2,56% na produção industrial e o recuo de 2,17% nas vendas de bens. Por outro lado, o setor de serviços apresentou crescimento de 0,54%, enquanto a massa salarial avançou 5,89% em termos nominais.
O volume em dólar das importações registrou crescimento de 21,69%, contribuindo diretamente para o aumento da arrecadação sobre o comércio exterior, em conjunto com a elevação das alíquotas médias efetivas desses tributos.
Segundo Marcelo Gomide, “a combinação do crescimento do volume em dólar das importações e do crescimento das alíquotas médias explica o crescimento dos tributos sobre o comércio exterior.”
Gomide também destacou o comportamento das contribuições previdenciárias: “A arrecadação da Previdência tem sido influenciada pelo crescimento da massa salarial e pelas mudanças recentes na política de desoneração da folha, o que tem contribuído para a elevação da arrecadação ao longo do ano”.
Também contribuíram para o resultado os efeitos da legislação tributária, como a reoneração gradual da folha de pagamentos e alterações recentes no IOF, além de mudanças associadas à tributação de rendimentos.
Por tributos e setores
Entre os destaques de março, refletindo essa evolução da massa salarial e os efeitos da reoneração da folha de pagamentos, a receita previdenciária totalizou R$ 61,840 bilhões, com crescimento real de 4,95%.
Os tributos sobre o comércio exterior também apresentaram desempenho significativo. O Imposto de Importação e o IPI vinculado à importação somaram R$ 12,687 bilhões, com crescimento real de 31,56%, impulsionados pelo aumento do volume de importações e das alíquotas médias efetivas.
O IOF registrou arrecadação de R$ 8,347 bilhões, com alta real de 50,06%, refletindo o aumento das operações de crédito, seguros e câmbio, além de alterações legislativas implementadas ao longo de 2025.
No recorte por setores econômicos, destacaram-se as atividades financeiras, o comércio atacadista, as atividades auxiliares do setor financeiro e a fabricação de veículos, que contribuíram positivamente para o resultado da arrecadação no mês.
Receitas administradas
As receitas administradas pela Receita Federal somaram R$ 223,531 bilhões em março de 2026, com crescimento real de 5,56% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado foi marcado por desempenhos distintos entre os principais grupos de tributos, com destaque para o avanço nas receitas vinculadas a operações financeiras e ao comércio exterior, além da manutenção do crescimento nas contribuições sobre a folha de pagamentos.
No mês, também se observaram variações entre as bases de incidência. Enquanto o IRRF sobre rendimentos do trabalho apresentou retração real de 5,60%, influenciado por fatores pontuais, o IRRF sobre rendimentos de capital registrou crescimento de 7,44%, refletindo o desempenho das aplicações financeiras.
Entre os tributos sobre o lucro, a arrecadação de IRPJ e CSLL somou R$ 37,488 bilhões, com variação real de 1,16%, com destaque para o desempenho da modalidade de lucro presumido.
No acumulado de janeiro a março de 2026, as receitas administradas pela Receita Federal atingiram R$ 751,942 bilhões, com crescimento real de 5,59% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reflete, principalmente, a combinação entre a evolução do mercado de trabalho, o desempenho do setor de serviços e o dinamismo das operações financeiras e de comércio exterior ao longo do trimestre.
Confira a íntegra da coletiva realizada na terça-feira (28/4), em Brasília, para apresentar o desempenho da arrecadação de março/2026
![28/04/2026 - [RFB] Coletiva Arrecadação](https://live.staticflickr.com/65535/55236655640_0c808a4bf8_c.jpg)