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RIO 2C
Foro Ibero-Americano de Cultura conecta governos e indústria criativa em agenda internacional no Rio2C
O Rio2C 2026, um dos principais encontros de criatividade da América Latina, será sede, pela primeira vez, do Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura, consolidando-se como um espaço de articulação entre governos, indústria e instituições da economia criativa. A presença dessa instância internacional no Rio2C é uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), já que o Brasil exerce a presidência pro tempore. A agenda inclui painéis, reuniões institucionais, rodadas de mercado e encontros estratégicos, reunindo delegações de mais de 10 países. A iniciativa tem início em 25 de maio, um dia antes da abertura oficial do evento, e se estende ao longo de cinco dias - até o dia 29. A oitava edição do Rio2C acontece de 26 a 31 de maio, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com patrocínio da Petrobras e do Governo do Brasil.
O Foro foi criado no âmbito da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) para o desenvolvimento de políticas culturais nas áreas de Economia Criativa e Direitos Autorais, em todas as suas dimensões, compreendendo o território, o empreendedorismo, os direitos dos trabalhadores da cultura, a economia criativa no ambiente digital, entre outras. É uma ação estratégica que fortalece a cooperação regional em torno das economias criativas e das políticas públicas culturais, propiciando um espaço de articulação institucional onde são compartilhadas experiências, boas práticas e soluções conjuntas, visando o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e a geração de renda a partir da cultura. Um de seus principais instrumentos é o Programa Ibero-Americano de Indústrias Culturais e Criativas (PIICC), voltado ao fortalecimento das políticas públicas culturais, à mobilidade artística e técnica, e à circulação justa de bens e serviços culturais na região.
“Trazer o Foro para o Rio2C, sob a presidência brasileira, é um passo importante para aproximar a formulação de políticas culturais das dinâmicas reais da economia criativa. Estamos falando de um espaço estratégico de articulação entre países que compartilham desafios e potencialidades, e que agora se conectam também ao ambiente de negócios, à circulação internacional de conteúdo e à inovação. É assim que fortalecemos uma agenda comum para a Ibero-América, ampliando oportunidades para o setor e fortalecendo a presença internacional da nossa produção cultural”, destaca o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, que preside o Foro.
Programação
Entre os dias 25 e 29 de maio, o Foro irá reunir no Rio2C representantes com atuação estratégica na formulação e implementação de políticas culturais em seus territórios, como Carmem Páez, Subsecretária de Estado de Cultura da Espanha; María Eugenia Vidal Zilli, diretora nacional de cultura do Ministério da Educação e Cultura do Uruguai; Humberto López La Bella, diretor-geral da Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai; Alice Baroni Bethancourt, vice-ministra de indústrias culturais do Ministério da Cultura da República Dominicana; Arianne Benedetti, vice-ministra da cultura do Ministério de Cultura do Panamá; William Fabian Sánchez Molina, vice-ministro das artes e da economia cultural e criativa do Ministério das Culturas, das Artes e dos Saberes da Colômbia; Augusto Veiga, Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde; Yasser Abdalah Handal Cárcamo, secretário de estado da Secretaria de Cultura, Artes e Patrimônios dos Povos de Honduras; Romina Alejandra Muñoz Procel, vice-ministra de cultura e patrimônio do Ministério da Educação, Esporte e Cultura do Equador; Maria Manuela Miranda Paixão, diretora de serviços do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais de Portugal; María Camila Gallardo Valenzuela, Secretária Executiva de Economia Criativa do Ministerio de las Culturas, las Artes y el Patrimonio de Chile, Raúl Neftalí Castillo Rosales, Ministro de Cultura de El Salvador e María Carina Moreno Baca, diretora-geral de indústrias culturais e artes do Ministério da Cultura do Peru.
Mais do que um encontro institucional, a iniciativa se estabelece como uma plataforma de continuidade das agendas já existentes entre os países ibero-americanos, aproximando a formulação de políticas públicas das dinâmicas do mercado, além de promover entregas concretas, como a construção de diretrizes comuns, o fortalecimento de redes multilaterais e a ampliação de conexões entre governos e players da indústria.
“Ao sediar o Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura, o Rio2C reforça seu posicionamento como um dos principais hubs de articulação da economia criativa na Iberoamérica, reunindo em um mesmo ambiente a construção de políticas públicas, o desenvolvimento de negócios e a circulação internacional de conteúdo. O encontro contribui para consolidar o evento como um espaço onde decisões estratégicas, conexões institucionais e oportunidades de mercado se encontram, ampliando a presença internacional do Brasil e fortalecendo o diálogo com países da região”, diz Rafael Lazarini, fundador e CEO do Rio2C.
“A realização do Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura no Rio2C reafirma a cultura como um vetor estratégico de desenvolvimento para a Ibero-América. Trata-se de uma oportunidade concreta de fortalecer políticas públicas que reconheçam a cultura como um setor capaz de gerar renda, promover inclusão e ampliar oportunidades, especialmente para as juventudes. Hoje, a economia criativa emprega milhões de pessoas na região, representando entre 1,7% e 3,2% do emprego total, o que evidencia seu papel estruturante nos nossos países. No âmbito do Programa Ibero-Americano de Indústrias Culturais e Criativas (PIICC), buscamos consolidar essa agenda comum, baseada na criatividade, na inovação e na cooperação como caminho para um desenvolvimento mais sustentável e integrado na Ibero-América”, comenta o diretor-geral de Cultura da OEI, Raphael Callou.
Essa articulação ganha escala com a presença de criadores, executivos e empresas que operam globalmente, conectando diretamente o desenho de políticas públicas à dinâmica real do mercado. A delegação espanhola reflete essa convergência ao reunir nomes como Javier Gómez Santander, roteirista e produtor executivo de “La Casa de Papel”, fenômeno global da Netflix, ao lado de Clara Ruipérez, responsável pela área de propriedade intelectual da Telefónica, e executivos ligados à RTVE. Trata-se de um país onde a economia criativa representa cerca de 3,4% do PIB e mais de 700 mil empregos, no qual o audiovisual se consolida como um dos principais vetores de internacionalização e atração de investimentos, além de se destacar em áreas como música, design, moda, videogames e patrimônio cultural.
A presença uruguaia combina política pública e criação em escala internacional. Com uma indústria criativa que responde por aproximadamente 2,5% a 3% do PIB e emprega dezenas de milhares de profissionais em setores como audiovisual, música, design e tecnologia, o país se tornou um polo relevante para produções de cinema, streaming e TV na América Latina e mantém forte tradição de exportação musical. Esse cenário se materializa na participação de Jorge Drexler - vencedor do Oscar de Melhor Canção Original por “Al Otro Lado del Rio”, do filme “Diários de Motocicleta”, e de 16 Grammys Latinos - ao lado de executivos e produtores que atuam em festivais, empresas e projetos internacionais, promovendo a conexão entre música, audiovisual e inovação.
A discussão sobre cultura como vetor de desenvolvimento ganha novas camadas com a participação da delegação de Cabo Verde, país membro associado ao Foro. Mesmo com uma nação com cerca de 500 mil habitantes, construiu uma presença global a partir de sua produção cultural e da conexão com uma diáspora que supera um milhão de pessoas. A música e o turismo cultural estruturam uma estratégia que posiciona a economia criativa como ativo relevante dentro da economia de serviços do país.
Já Portugal chega ao Foro com um setor que representa entre 2,8% e 3% do PIB e mais de 80 mil empregos, com crescimento consistente no audiovisual impulsionado por incentivos, como o Cash Rebate e o Cash Refund, além de uma estrutura institucional que inclui o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA). O país também tem ampliado sua presença em coproduções europeias e ibero-americanas, com obras que circulam em festivais como Cannes, Berlim e Veneza, além de produções para plataformas de streaming. Esse movimento se traduz na presença de nomes como Pablo Iraola, da Ukbar Films, executivos como Bruno Santos e Vera Sacramento, da Coral Europa, além da roteirista e escritora Patrícia Muller, com uma atuação que conecta literatura e televisão. A participação de empresas como a Last Tour amplia o diálogo com a indústria da música ao vivo e os grandes festivais internacionais.
Na América Latina, a Colômbia se destaca como uma das principais referências globais em economia criativa, com a chamada “economia laranja” representando cerca de 3% do PIB e mais de 700 mil empregos. Esse posicionamento se reflete em uma forte presença no audiovisual e na música, com produções para plataformas globais e artistas entre os mais ouvidos do mundo. A delegação inclui executivos de empresas como Caracol TV, Dynamo e Canal RCN, além de nomes como Arlen Torres, Daniel Segredo e Diego Ramirez-Schrempp, que atuam diretamente na produção e circulação internacional de conteúdo.
O Paraguai aparece como um dos mercados em crescimento na região, com a economia criativa representando cerca de 2% do PIB e um avanço recente do audiovisual no circuito internacional. A realização do MICSUR (Mercado de Indústrias Culturais do Sul) em novembro de 2026, um dos principais encontros da economia criativa na América Latina, reforça esse movimento e amplia sua relevância regional. A delegação inclui, além da representação institucional, nomes como Mark Meyers, que atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a música independente, refletindo a diversificação do setor criativo paraguaio.
A presença de países como Panamá, Honduras, República Dominicana, Equador e Peru amplia o escopo do Foro ao trazer diferentes estágios de desenvolvimento da economia criativa e experiências em áreas como patrimônio, indústrias culturais, formação e políticas públicas, contribuindo para a construção de uma agenda comum na região.
A agenda se conecta diretamente ao espaço MINC Conecta, que reúne debates sobre coprodução internacional, mercados e festivais como infraestrutura para o setor, estratégias de internacionalização, dados e plataformas digitais, além de temas como inteligência artificial, direitos autorais e novos modelos de remuneração. O diálogo entre políticas públicas e mercado atravessa toda a programação, refletindo os desafios e oportunidades de um setor que ganha peso crescente nas economias contemporâneas.
Para mais informações, acesse: https://www.rio2c.com/
Outras informações
Assessoria de Imprensa Ministério da Cultura (MinC)
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