Puru (Roça)
Novas Práticas Pedagógicas
A Revista Pihhy dedica este espaço ao fortalecimento da educação intercultural, compreendida como um campo em permanente construção, que se enraíza nas experiências vividas e produzidas a partir das comunidades indígenas e de seus/suas docentes.
Reafirmamos o compromisso com práticas pedagógicas que dialogam com os territórios, os saberes ancestrais e os desafios contemporâneos da formação indígena.
Nesta edição, a seção "Novas Práticas Pedagógicas" apresenta o método do Tema Contextual, criado no âmbito do Curso de Educação Intercultural, do Núcleo Takinahaky pela professora Maria do Socorro Pimentel, grade referência latinoamericana neste campo educativo.
A proposta nasce da escuta sensível às realidades locais e da construção coletiva do conhecimento, valorizando a oralidade, os contextos comunitários e as linguagens diversas que atravessam os processos de ensino e aprendizagem indígena.
O método do Tema Contextual se consolida como uma prática pedagógica que respeita os tempos, os modos e os sentidos próprios de cada povo, promovendo interações intra e interculturais, baseadas no diálogo e na autonomia dos sujeitos educativos e, especialmente, da comunidade.
Ao trazê-lo para esta edição, buscamos inspirar outras experiências e reflexões no campo da educação indígena, reafirmando a potência das práticas que emergem dos territórios.
Nome: Takak Iagot Metuktire, Ngruako Metuktire, Kokokroriti Metuktire
Escola: Escola Roikore, Escola Bepkororoti
TURMA: 2022
TURMA: 1°ano do Ensino Médio
PROBLEMATIZAÇÃO
A escolha do tema Puru (roça) foi precisa, pois é e necessário colocá-la em discussão e levar como uma demanda e trabalho pedagógico em nossa escola, colocar como uma missão de ensino e aula, esta atividade pedagógica em nossa escola.
O povo Mebengokre pode, ainda, usar e praticar as roças de toco ou tradicional e alimentos tradicionais (milenar) como batata, mandioca, melancia, cará, banana, mamão, abóbora, cana e demais. Também vivem de caça e pesca.
Por outro lado, existe outro problema maior e preocupante que é o adentramento dos produtos comprados no mercado e feitos pela máquina, como arroz, feijão, frango, refrigerantes, picolés, óleo.
É um risco muito grande para o povo Mebengokre, o consumo desses produtos industrializados traz doença como diabete, hipertensão e obesidade.
A chegada dos produtos industrializados no território gera certo imprevisto que acaba tomando conta do território, onde há pouco tempo retomamos a prática de roça e, hoje, trabalhamos com conscientização e sensibilização para que território combata o consumo desses alimentos, e incentivamos o trabalho de atividade sustentável e de geração de renda. Por meio desse trabalho, podemos minimizar esse risco que afeta a saúde do nosso povo.
Para manter nossos alimentos próprios, dar continuidade do que nossos ancestrais se beneficiavam para sobrevivência, a escola precisa trabalhar e buscar outra alternativa, trazendo ancião como fonte de transmissão de saberes e conhecimentos, tendo como um grande apoio para resolução desses problemas - que é o consumo de alimentos industrializadas do kuben (homem branco).
Se não produzimos a roça tradicional, há uma grande chance de perdermos alimentos e produtos tradicionais do povo Mebengôkre.
A escola, junto aos professores e a comunidade, pode reunir para alinhar ou planejar uma atividade coletiva e fazer um grande discurso em cima desse contexto em relação a questão de alimentos tradicionais.
Também para ensinar aos juventudes como a cerimónia é realizada, ela tem a regra, a música e o período certo para fazer a roça até o tempo de colheita. Assim, buscar uma solução para retomar e fortalecer o plantio de alimento próprio, por reunião, orientação, ações comunitárias, conscientização com todos, principalmente com presença de anciões, a comunidade pode seguir as orientações de prática para resgatar e fortalecer os alimentos tradicionais do povo mebengokre.
OBJETIVOS
O objetivo desse tema é buscar entender, aprofundar o conhecimento e levar para os alunos aprenderem e conhecerem com o professor, ancião e mestre na sala de aula, no campo e na casa dos guerreiros no centro da aldeia, a importância da roça tradicional do povo Mebengokre.
Também, conscientizar, sensibilizar e levar informação, evitar alimentos industriais que fazem grande interferência prejudicial à saúde da comunidade.
O primeiro momento é explicar sobre o tema com aula teórica, onde o professor conta a história de surgimento de alimentos, juntos com ancião e mestre, principalmente o processo de como é feita atividade da roçada, o período ideal, o tempo seco é começo.
O ancião explica ritual que é parte importante para iniciar, essa parte chama (amija prajanhoro).
Depois, os alunos que serão futuros atores para da continuidade e sempre transmitindo as informações, repassando para a comunidade e demais, Puru (roça) como forma de sustento para o povo Mebengokre, pois esse povo depende da natureza para sobreviver.
Como a terra é principal fonte de vida para humanidade e roça, sempre colaborou com segurança alimentar e dando a vida para Mebengokre.
É importante a escola levar esse conhecimento fortalecendo as práticas, o jeito de produzir alimentos e cultivos.
PESQUISA
Através de tema contextual escolhido, o intuito da pesquisa é aprofundar os conhecimentos das roças, dos alimentos e das práticas culturais. Está tudo conectado!
O primeiro momento é convidar um ancião ou uma anciã para realizar palestra e seminário. Os alunos acompanham a palestra e depois anotam em seus cadernos. Professor realiza atividade de produção de texto sobre a história. Alunos também fazem registro através de vídeo e áudio para poder repassar os conhecimentos sobre a roça.
O ancião ou mestre explica oralmente, através da história, explica principalmente os procedimentos de fazer uma roça.
Por fim, a palestra realizada com ancião junto à escola servirá como atividade para jovens e comunidade local. Assim, essa prática ganha força para combater a entrada de alimentos do kuben (homem branco).
| Segunda-feira | Terça-feira | Quarta-feira | Quinta-feira | Sexta-feira |
|---|---|---|---|---|
| Professor faz introdução geral e explica sobre o tema contextual na língua indígena. Em seguida, os alunos acompanham e fazem atividade da Puru (roça), produção de texto, desenhos em cartazes. | Professor inicia o tema contextual, explica como é o processo para realização de atividade da roça. Aula prática no campo,. aula prática e comunitária no centro casa dos guerreiros (centro da aldeia). Vamos sair da aldeia e realizar visitas às roças do ano anterior e roça atual. | O ancião conta a história de surgimento de puru e o contexto atual da roça. Professor fala e problematiza a entrada de alimentos do homem branco (kuben). Aula prática no campo,. aula prática e comunitária no centro casa dos guerreiros (centro da aldeia). Vamos sair da aldeia e realizar visitas às roças do ano anterior e roça atual. | Convidamos o ancião, especialista ou mestre para uma palestra, seminário e aula em sala. Convidamos também Agentes de Saúde Indígena (AIS), Médico para uma palestra sobre produtos industrializados e problemas que causam. | Escola realiza seminário para comunidade com tema contextual trabalhado pelos alunos e ancião, conhecer resultado e avaliação pela comunidade. |
| Descrição das atividades | ||||
| Atividades realizadas com livro e vídeo. Rodas de conversa e leitura de livros. | Transcrever sobre a palestra, o que chamou atenção e apresentação. Anotação sobre a saída de campo. | Trabalho em grupo para avaliação e apresentação. Anotação sobre a saída de campo. | Rodas de conversa após a visita em locais das roças. Debate sobre as palestras. | Apresentação para a comunidade. |
CALENDÁRIO:
Geralmente o povo Mebengokre costuma acompanhar o tempo e toda a relação que a própria natureza estabelece com as pessoas.Tem indicação que chamamos de tempo da seca e tempo da chuva, e nossa cultura, cosmologia, a crença e modo de viver tem a ver e com natureza.
O povo Mebengôkre costuma iniciar atividade na roça durante o começo do período da seca. Antes disso, eles tinham escolhido um lugar onde irão fazer sua roça. Apesar de constatar o tempo que chega, os guerreiros organizam uma prepararativa de realização de cerimônia da roça. Após a cerimônia, eles preparam os materiais que utilizarão durante o tempo de derrubada da mata. Terminada a derrubada, a roça passa pelo tempo de secar, aguardando secar e, posteriormente, será queimada.
No primeiro trovão da chuva, o povo Mebengôkre considera que uma nova estação chega, e já se prepara para queimar a roça e a limpeza antes de plantar.
Depois da limpeza, vem a parte de plantio de semente, que é armazenada na colheita passada, da roça anterior, e as sementes que são nativas do povo Mebengokre. São elas como: milhos, melancias, abóboras, batata-doce, brota de cará, ramas de mandioca e mudas de bananas.
AVALIAÇÃO:
Realizar avaliações por meio de produção de texto, oral e atividades de cada aluno/aluna. Importante avaliar a aprendizagem e empenho de alunos(as) sobre o trabalho feito, se aprendeu a prática da roça e as histórias. Esta atividade tem o fundamento para fortalecer segurança e soberania alimentar ancestral que ainda é usada no dia a dia. A escola pode desenvolver uma apresentação de finalização de atividade com sua comunidade, com objetivo de que a aldeia participe e conheça como trabalho pedagógico de alunos.