ENTREVISTA COM ROSANI KAINGANG
Parte 2
Conversa com Mirna Kambeba
Docência indígena no ensino superior: desafios, conquistas e horizontes
Nesta segunda parte da entrevista conduzida por Mirna Kambeba, curadora da Revista Pihhy, a intelectual, professora e liderança Rosani Kaingang compartilha reflexões profundas sobre a presença indígena no ensino superior.
A conversa aborda de forma contundente as conquistas e os desafios enfrentados pelas docentes indígenas, destacando os caminhos percorridos para ocupar espaços historicamente negados aos povos originários, em especial às mulheres indígenas.
Rosani narra sua trajetória de luta e resistência, de mulher e mãe, professora e liderança, que ocupa espaço fundamental para a transformação das universidades.
Sua história é atravessada por persistência, coletividade e enfrentamento cotidiano ao racismo institucional, ainda tão presente nas universidades brasileiras.
Ao mesmo tempo, aponta para os avanços conquistados com muita luta: a criação de cursos específicos, a valorização das epistemologias indígenas e a construção de currículos que dialogam com os territórios, as culturas e os modos de vida de seus povos.
A entrevista também oferece uma perspectiva crítica das estruturas acadêmicas ainda coloniais, que frequentemente colocam entraves à plena participação e valorização da docência indígena, mesmo quando esses corpos e saberes já estão nas salas de aula.
Esta conversa está profundamente alinhada com os princípios da Revista Pihhy, um espaço pluriepistêmico, contra-colonial, multilinguístico, comprometido com a democracia plena e com o fortalecimento das vozes indígenas nos campos da educação, saúde, sustentabilidade e justiça social.
A revista afirma, em cada edição, que a autoria indígena é essencial para transformar não apenas os espaços de fala, mas as estruturas que regem o pensamento e a prática acadêmica.
Nesta conversa, Rosani reafirma que ocupar a universidade é mais do que estar presente: é transformar as instituições por dentro, abrir caminhos para outras e outros, e garantir que o saber ancestral esteja vivo, respeitado e pulsando nos territórios do conhecimento.