Editorial
Revista PIHHY, Edição 9
Saberes e práticas em Movimento
A nona edição da Revista Pihhy pulsa como território vivo de encruzilhadas: de saberes, de línguas, de corpos, de territórios e de memórias. Um espaço que não se quer neutro, mas assumidamente contra-colonial, pluriepistêmico e plurilíngue — construído com e desde os povos indígenas em sua diversidade, insurgência e beleza.
insurgente
Somos parte de uma rede que aposta na autoria indígena como ato político, pedagógico e existencial, porque sabemos que ocupar o papel de quem escreve, desenha, narra e interpreta o mundo é também retomar a capacidade de conduzir o próprio destino.
Cada texto, imagem, poesia, entrevista e tradução publicada aqui é parte de uma luta coletiva por uma democracia radicalmente plena, onde a diferença não seja apenas tolerada, mas celebrada e entendida como condição para outro Brasil possível.
Pihhy, semente em mehi-jarkwa, é uma revista que caminha com os pés de barro e com as mãos cheias de sementes. Uma publicação que compreende a urgência de debater saúde, sustentabilidade, justiça social, terra e território a partir de perspectivas originárias — com o corpo e com o chão. Aqui se fala sobre políticas públicas, ancestralidade, lutas comunitárias, língua e espiritualidade, como dimensões entrelaçadas da vida.
Destacamos a seção “Parente lê Parente – Tenywaawi lê Davi Kopenawa”, onde os leitores indígenas escrevem a partir dos pensamentos de outros parentes, em um gesto de escuta e troca. A seção "Direito na Língua" traz nesta edição a tradução da Convenção 169 da OIT para a língua Apyawa (Tapirapé), reafirmando que o direito só existe de fato quando pode ser compreendido, sentido e vivido em nossas próprias línguas. Destacamos ainda as contribuições de Silvia Krikati e Wellington Tapuia, que fortalecem o campo da educação intercultural indígena. As grandes conversas potentes entre Gustavo Caboco e José Alecrim, entre Rosani Kaingang e Mirna Kambeba.
Inauguramos também com entusiasmo a seção “Confluência”, onde saberes indígenas e quilombolas se cruzam em busca de justiça, afeto, terra, memória e futuro comum.
Reafirmamos, sobretudo, nosso apoio incondicional ao professor Edson Kayapó, cuja presença ética, intelectual e política fortalece esta revista e o Brasil que queremos construir.
A revista semente é feita de vozes. Muitas. Centenas. Milhares. Vozes ancestrais!
De todos os cantos do país. Porque aqui ninguém está sozinho — caminhamos juntos, pensando juntos, resistindo juntos.
Seguiremos.
Equipe editorial da Revista Pihhy