“O campiô ancestral”
por Agamenon Krua
Cinema Pihhy
O cinema vivo Pihhy é território.
No coração do sertão nordestino, um campiô insurgente pulsa, vivo e ancestral.
Nesta edição da Pihhy, apresentamos mais um MiniDoc que nasce da terra, da memória e do gesto político de narrar com o corpo e com a câmera.
O filme narrado por Agamenon Krua — liderança e pensador indígena nordestino — é mais do que um documentário: é uma retomada.
No Museu da Usina de Xingó, uma descoberta pode mudar o curso das interpretações oficiais da história.
Um campiô ancestral, com evidências arqueológicas de milhares de anos, está ali, quase silenciado. Mas como os corpos-territórios de nossos povos, ele resistiu.
Agamenon registra esse momento com olhos de quem sabe: ali pulsa a existência viva de uma matriz cultural indígena que permeia toda a região nordestina.
O cinema vivo Pihhy é território.
Este filme propõe mais que uma revelação científica: propõe um retorno espiritual e político à terra sagrada. O campiô escondido — agora revelado — passa a ser símbolo da luta por reconhecimento, pertencimento e difusão dos processos de territorialidade indígenas no Nordeste, muitas vezes apagados pelos discursos hegemônicos da história.
Na proposta da revista Pihhy, o cinema é ferramenta de memória e de transformação, fortalecendo o protagonismo de lideranças e cineastas indígenas que contam suas próprias histórias.
Agamenon Krua nos convida a olhar o invisível, a escutar o que foi silenciado, a entender que a arqueologia também é espiritual.