Editorial nº 8
Para um país plural, justo e ancestral
A oitava edição da Revista PIHHY reafirma e aprofunda seu compromisso com a valorização da pluralidade indígena nas artes, na educação, nas mobilizações, na espiritualidade e nas práticas de resistência.
PIHHY é mais que uma publicação: é um espaço coletivo de afirmação epistêmica e sensível, construído por e para parentes indígenas de diversas origens, territórios e caminhos.
Nosso projeto editorial continua firme em seus objetivos: estimular a criação, registro, circulação e visibilidade de saberes indígenas, com respeito às diferentes cosmologias e experiências.
Ao mesmo tempo, a revista se propõe como um canal de contra-narrativas históricas, abrindo espaço para textos, imagens, sons e visões que são, muitas vezes, silenciados nas mídias convencionais.
Esta edição traz a potência do diálogo com Rosani Kaingang e Gustavo Caboco, cujas reflexões e obras interpelam diretamente as formas coloniais de pensar e sentir o mundo, lançando luz sobre processos de retomada e reinvenção indígena em contextos urbanos e acadêmicos.
Também destacamos o cinema indígena, com o filme PUR, selecionado e presente no Festival Kino Mostra, reafirmando o audiovisual como uma das formas mais vivas de expressão e denúncia dos povos originários. Apresentamos, agora, o mini documentário Matriz Lahire, realizado junto com as lideranças Iny-Karajá.
No campo da literatura, celebramos o avanço da escrita indígena com autoras como Nadirene Karajá, que traz à tona suas línguas, cosmologias e memórias, tecendo narrativas que desafiam fronteiras e fortalecem a oralidade e o grafismo dos seus povos.
A Revista PIHHY segue de portas abertas para as participações indígenas em diferentes gêneros e expressões.
Ocupem a Revista Pihhy!
Convidamos parentes a enviarem resenhas de livros, análises de filmes, textos sobre suas práticas artísticas, registros orais e experiências educativas.
A revista é território vivo, em constante transformação, onde o ancestral e o contemporâneo caminham juntos.
Nossos passos também estiveram firmes no Acampamento Terra Livre (ATL) deste ano, reafirmando o apoio incondicional à luta indígena em abril e em todos os meses do ano. Nos alinhamos à espiritualidade e à coragem dos que enfrentam o racismo institucional, o extrativismo violento e o apagamento sistemático dos modos indígenas de existir.
Mais do que uma revista, PIHHY é um ato de presença ancestral, uma oferenda feita com palavras, desenhos, sons e movimentos.
É um espaço de expressão, reparação, justiça, denúncia, criação e reconstrução do mundo, onde cabem o silêncio dos rituais, o grito das marchas e a leveza das cantigas.
Pihhy quer participar da cura de uma sociedade desigual!
Seguiremos...
Com respeito à espiritualidade, acessando camadas profundas da ancestralidade, tecendo a pluralidade como força, e construindo – com todos os parentes – um país mais justo, plural e verdadeiramente democrático.