UNIVERSIDADES INTERCULTURAIS?
O professor e intelectual Bruno Kaingang tem se destacado no debate sobre a necessidade de transformação das instituições educativas, denunciando o caráter monoepistêmico que estrutura grande parte das políticas de ensino.
A trajetória de Bruno, marcada por sua atuação acadêmica e militância, evidencia a urgência de mudanças nas políticas de inclusão, que não podem ser meramente quantitativas, mas devem assumir um enfoque epistemológico comprometido com a diversidade de saberes.
Bruno Kaingang aprofunda sua reflexão em categorias como a reciprocidade, enfatizando que a educação não pode ser reduzida a um processo unilateral de transmissão de conhecimento, mas deve ser um espaço de trocas horizontais, onde as epistemologias indígenas ocupem um lugar de reconhecimento e não de simples assimilação ao modelo dominante.
Para tanto, aponta para a necessidade de outras práticas pedagógicas e estéticas que rompam com a colonialidade do saber e valorizem formas de aprendizado baseadas na oralidade, no território e na experiência comunitária.
Um dos aspectos centrais de sua fala é a crítica às políticas de inclusão que, segundo ele, muitas vezes não passam de versões mascaradas de exclusões anteriores.
A simples abertura de vagas para estudantes indígenas, sem que haja uma transformação na estrutura curricular e pedagógica das universidades, acaba por reforçar processos de marginalização, obrigando esses estudantes a se adequarem a um modelo que não reconhece sua visão de mundo e seus modos próprios de produção do conhecimento.
Nesse sentido, Bruno Kaingang reforça a importância das universidades interculturais como espaços fundamentais para a construção de um novo paradigma educativo.
Esses espaços, ao contrário das universidades tradicionais, não apenas abrem portas para estudantes indígenas, mas também se comprometem com a construção de epistemologias plurais, incorporando práticas pedagógicas que valorizam os saberes originários e promovem um diálogo efetivo entre diferentes formas de conhecimento.
Ao problematizar a exclusão epistêmica que ainda persiste nas instituições educativas, Bruno provoca o campo das políticas públicas a repensar suas abordagens e a assumir um compromisso real com a interculturalidade.
Sua crítica aponta para a necessidade de um deslocamento profundo nas estruturas de ensino, onde o reconhecimento das epistemologias indígenas não seja apenas um gesto simbólico, mas um princípio fundamental na construção de uma educação verdadeiramente plural e transformadora.